{"id":31625,"date":"2025-07-23T16:36:49","date_gmt":"2025-07-23T19:36:49","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/como-conheci-o-verdadeiro-ozzy-osbourne\/"},"modified":"2025-07-23T16:36:49","modified_gmt":"2025-07-23T19:36:49","slug":"como-conheci-o-verdadeiro-ozzy-osbourne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/como-conheci-o-verdadeiro-ozzy-osbourne\/","title":{"rendered":"Como Conheci o Verdadeiro Ozzy Osbourne"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-end=\"580\" data-start=\"0\">Era um dia escaldante em Londres, em agosto de 2022, quando encontrei <strong>Ozzy Osbourne<\/strong>pessoalmente pela \u00faltima vez, em um hotel elegante pr\u00f3ximo ao Hyde Park. Eu me sentei, mas o <strong>Pr\u00edncipe das Trevas<\/strong> precisou se deitar, estava exausto ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o triunfal na noite anterior em Birmingham, sua cidade natal, quando tocou <strong>\u201cIron Man\u201d<\/strong> e <strong>\u201cParanoid\u201d<\/strong> ao lado do colega de <strong>Black Sabbath<\/strong>, <strong>Tony Iommi<\/strong>. Ele decidiu subir ao palco como atra\u00e7\u00e3o principal pela primeira vez em quatro anos, de \u00faltima hora, mesmo enfrentando diversos problemas de sa\u00fade. Ainda assim, estava de bom humor.<\/p>\n<p data-end=\"1186\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"582\">\u201cT\u00e1 quente aqui dentro ou eu que t\u00f4&#8230; puta merda\u201d, resmungou. \u201cO ar-condicionado ainda n\u00e3o chegou direito na Inglaterra, n\u00e9, comparado com os EUA\u201d. Mesmo suando e visivelmente desconfort\u00e1vel, ali estava ele, inegavelmente <strong>Ozzy<\/strong>, apesar da dor e do calor. Queria conversar sobre como se sentiu revigorado ao voltar ao palco, sobre os sustos recentes com a sa\u00fade (mostrou as m\u00e3os para provar que os rem\u00e9dios para Parkinson estavam funcionando) e sobre como nem ele mesmo acreditava que ainda estava vivo. Cresceu na pobreza, mas agora podia se hospedar no mesmo hotel que um dia abrigou <strong>Winston Churchill<\/strong>.<\/p>\n<p data-end=\"1186\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"582\">Conversamos por cerca de quatro horas naquele dia, e ele respondeu com disposi\u00e7\u00e3o a todas as perguntas que fiz, tanto as que meus editores da <strong><em data-end=\"158\" data-start=\"143\">Rolling Stone<\/em><\/strong> queriam para um perfil atrelado ao seu \u00faltimo (e agora derradeiro) \u00e1lbum de est\u00fadio, <strong><em data-end=\"262\" data-start=\"244\">Patient Number 9<\/em><\/strong>, quanto as minhas pr\u00f3prias curiosidades sobre tudo o que sempre quis saber sobre sua carreira lend\u00e1ria. Sou f\u00e3 do <strong>Ozzy<\/strong> desde os 12 anos, quando comprei uma fita cassete dupla de <strong><em data-end=\"454\" data-start=\"441\">Live &amp; Loud<\/em><\/strong>, movido pelo quanto eu adorava os clipes de <strong>\u201cMr. Tinkertrain\u201d<\/strong> e <strong>\u201cRoad to Nowhere\u201d<\/strong> na <strong>MTV<\/strong>.<\/p>\n<p data-end=\"1186\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"582\">&#8220;Acho que voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 escrevendo um artigo&#8221;, ele brincou comigo quando chegamos \u00e0 marca das tr\u00eas horas e meia, &#8220;voc\u00ea est\u00e1 escrevendo uma porra de uma enciclop\u00e9dia&#8221;. N\u00f3s dois rimos, porque n\u00e3o era a primeira vez que ele sentia isso ao conversar comigo.<\/p>\n<figure class=\"image\"><figcaption>Ozzy e eu: Backstage da turn\u00ea Prince of Darkness\u2019 em Allentown, Pennsylvania em 2018 &#8211; Cortesia do Kory Grow<\/figcaption><\/figure>\n<p data-end=\"1186\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"582\">Ao longo dos \u00faltimos 15 anos, aproveitei todas as oportunidades que tive para entrevistar <strong>Ozzy<\/strong>, j\u00e1 que ele era meu artista favorito na adolesc\u00eancia e, bem, porque conversar com ele sempre era divertido. Meus registros indicam que conduzi 20 entrevistas com o <strong>Pr\u00edncipe das Trevas<\/strong> sobre m\u00fasica \u2014 tanto a nova quanto a antiga \u2014, sobre sua s\u00e9rie de viagens na TV com o filho <strong>Jack<\/strong> (a \u00fanica vez em que ele realmente conheceu o mundo, j\u00e1 que normalmente ficava trancado em quartos de hotel durante as turn\u00eas) e sobre o nascimento do heavy metal (sem contar os textos de encarte para a box set de <strong><em data-end=\"599\" data-start=\"589\">Paranoid<\/em><\/strong>, do <strong>Black Sabbath<\/strong>, e para o filme do show <strong><em data-end=\"651\" data-start=\"642\">The End<\/em><\/strong>). Ao longo dessas entrevistas, consegui construir o que considero uma conex\u00e3o especial com ele. Acho que ele sentia o mesmo, j\u00e1 que sempre encerrava nossas conversas dizendo: \u201cSe voc\u00ea precisar de mais alguma coisa, \u00e9 s\u00f3 ligar pro escrit\u00f3rio\u201d \u2014 algo que poucos artistas do seu calibre costumam oferecer.<\/p>\n<p data-end=\"808\" data-start=\"0\">Hoje, ao tentar assimilar a not\u00edcia de sua morte, procuro entender n\u00e3o apenas o impacto de <strong>Ozzy Osbourne<\/strong> na m\u00fasica e na cultura pop, mas tamb\u00e9m o imenso impacto que ele teve na minha vida. Lembro de ouvir aquela fita <strong><em data-end=\"230\" data-start=\"217\">Live &amp; Loud<\/em><\/strong> no banco de tr\u00e1s de um carro, com um amigo da mesma idade, tamb\u00e9m com 12 anos, que estava ouvindo o <strong><em data-end=\"341\" data-start=\"331\">Paranoid<\/em><\/strong> do <strong>Sabbath<\/strong> \u2014 e de nossas m\u00e3es dizendo que era o mesmo cantor. Lembro do show incr\u00edvel <strong><em data-end=\"446\" data-start=\"428\">Retirement Sucks<\/em><\/strong> que assisti em Denver, em 1996, e tamb\u00e9m do <strong>Ozzfest<\/strong> no ano seguinte (com um line-up que, na minha opini\u00e3o, supera qualquer <strong>Coachella<\/strong>: al\u00e9m do <strong>Black Sabbath<\/strong> e do <strong>Ozzy<\/strong> solo, ainda teve <strong>Pantera<\/strong>, <strong>Type O Negative<\/strong>, <strong>Fear Factory<\/strong>, <strong>Machine Head<\/strong> e <strong>Neurosis<\/strong>). Vi <strong>Ozzy<\/strong> ao vivo, solo ou com o <strong>Sabbath<\/strong>, pelo menos 25 vezes, e, se me concentrar, consigo lembrar de cada show.<\/p>\n<p data-end=\"1510\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"810\">No come\u00e7o, ainda pr\u00e9-adolescente, o que me atra\u00eda era o perigo da m\u00fasica dele, a forma como encarava e abra\u00e7ava a escurid\u00e3o, e o fato de se declarar um \u201crebelde do rock &amp; roll\u201d. Mas, conforme fui lendo entrevistas em fanzines e conhecendo mais sobre ele, passei a admirar outro lado. Passei a ver <strong>Ozzy<\/strong> como um m\u00fasico brilhante e inovador, al\u00e9m de um ser humano falho que falava abertamente sobre sua luta contra o alcoolismo e seu desejo de se tornar uma pessoa melhor. Por mais controverso que seu legado tenha sido \u2014 decapitando animais alados e urinando em monumentos americanos \u2014 ele, pra mim, parecia um exemplo, porque estava sempre buscando algo al\u00e9m. Ele podia cair, mas nunca ficava no ch\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"733\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/kory-ozzy-2005.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Life changing: Um meet and greet na Tower Records em 2005 &#8211; Cortesia do Kory Grow<\/figcaption><\/figure>\n<p data-end=\"489\" data-start=\"0\">A primeira vez que conheci <strong>Ozzy<\/strong> foi em 2005, aos 24 anos, em um meet and greet lotado na Tower Records, com centenas de outros f\u00e3s. Disse a ele que sua m\u00fasica havia mudado minha vida, e ele retrucou imediatamente: \u201cMudou a minha tamb\u00e9m\u201d \u2014 aquele tipo de humor seco, mas sincero, que o tornava t\u00e3o cativante para o p\u00fablico em <strong><em data-end=\"340\" data-start=\"325\">The Osbournes<\/em><\/strong>. Era um lembrete de que <strong>Ozzy<\/strong> era famoso por sua m\u00fasica incr\u00edvel, mas se tornou uma lenda por tamb\u00e9m ser algu\u00e9m com quem as pessoas se identificavam.<\/p>\n<p data-end=\"734\" data-start=\"491\">Essa resposta me fez sentir melhor ao ser rapidamente empurrado para dar lugar ao pr\u00f3ximo f\u00e3, pois me restava algo \u00fanico dito por ele para guardar na mem\u00f3ria, caso nunca mais tivesse a chance de falar com ele. Felizmente, esse n\u00e3o foi o caso.<\/p>\n<p data-end=\"1354\" data-start=\"736\">A primeira vez que entrevistei <strong>Ozzy<\/strong> profissionalmente foi quando eu era editor da revista <em data-end=\"836\" data-start=\"826\">Revolver<\/em>. Aconteceu no escrit\u00f3rio da Sony Music, em Nova York, e eu estava nervoso, mas <strong>Ozzy<\/strong> me deixou \u00e0 vontade. Respondeu minhas perguntas sobre seu novo \u00e1lbum na \u00e9poca, <strong><em data-end=\"1008\" data-start=\"1000\">Scream<\/em><\/strong> (2010), e tamb\u00e9m sobre <strong>Randy Rhoads<\/strong>, o saudoso guitarrista com quem coescreveu dois de seus melhores \u00e1lbuns: <strong><em data-end=\"1135\" data-start=\"1118\">Blizzard of Ozz<\/em><\/strong> e <strong><em data-end=\"1157\" data-start=\"1138\">Diary of a Madman<\/em><\/strong>. Conversamos por uns 45 minutos, que passaram voando. Consegui manter o lado f\u00e3 sob controle, mas cerca de meia hora depois da entrevista, caiu a ficha: \u201cEu acabei de entrevistar o <strong>Ozzy Osbourne<\/strong>!\u201d<\/p>\n<p data-end=\"1786\" data-start=\"1356\">O verdadeiro trabalho come\u00e7ou quando dei play na fita cassete e precisei decifrar os famosos resmungos indecifr\u00e1veis do <strong>Ozzy<\/strong>. Mas, ao fazer isso, percebi que ele havia feito pequenas piadas e retomado brincadeiras que eu nem tinha notado ao vivo, e o texto ficou ainda mais divertido e interessante. Isso me deu uma no\u00e7\u00e3o melhor da personalidade dele e me preparou para ouvir com ainda mais aten\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima vez que fal\u00e1ssemos.<\/p>\n<p data-end=\"2877\" data-start=\"1788\">Com o tempo, aprendi que a melhor forma de entrevistar <strong>Ozzy<\/strong> era fazer perguntas claras e diretas, e depois deix\u00e1-lo falar. Muitas vezes, ele me surpreendia com seu humor afiado (como quando, ao saber que ele era fascinado pela Segunda Guerra Mundial, perguntei sobre o suposto microp\u00eanis de <strong>Hitler<\/strong> \u2014 e ele transformou isso numa reflex\u00e3o mais profunda sobre a vida sexual fracassada do <strong>F\u00fchrer<\/strong>). Ele tamb\u00e9m n\u00e3o tinha problema em dizer quando n\u00e3o gostava de uma pergunta (afirmava que o <strong>Black Sabbath<\/strong> n\u00e3o era uma banda de heavy metal, porque esse r\u00f3tulo inclu\u00eda grupos como o <strong>Poison<\/strong>), ou quando simplesmente n\u00e3o tinha uma resposta pra dar. Por exemplo, perguntei a todos os quatro membros do <strong>Sabbath<\/strong>, em algum momento, o que havia inspirado minha m\u00fasica favorita deles, a faixa de abertura do cl\u00e1ssico <strong><em data-end=\"2595\" data-start=\"2587\">Vol. 4<\/em><\/strong>, <strong>\u201cWheels of Confusion\u201d<\/strong>, mas nenhum, incluindo <strong>Ozzy<\/strong>, tinha lembran\u00e7a espec\u00edfica. Ainda assim, \u00e9 uma das pe\u00e7as mais emocionantes de heavy metal esmagador que j\u00e1 ouvi. Por outro lado, todos se lembravam claramente \u2014 e com detalhes hil\u00e1rios \u2014 das aventuras com drogas daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p data-end=\"578\" data-start=\"0\">Independentemente da situa\u00e7\u00e3o, <strong>Ozzy<\/strong> sempre foi sincero e gentil em todas as vezes em que conversamos. Em 2016, sua empres\u00e1ria e esposa, <strong>Sharon<\/strong>, convidou cordialmente minha esposa e eu para visit\u00e1-los no camarim antes de um show monumental do <strong>Black Sabbath<\/strong> em Chicago, durante a turn\u00ea <strong><em data-end=\"293\" data-start=\"284\">The End<\/em><\/strong>. Vimos <strong>Ozzy<\/strong> aquecer a voz, ele me mostrou uma ficha de p\u00f4quer do <strong>Lemmy Kilmister<\/strong> que carregava consigo para se lembrar do falecido vocalista do <strong>Mot\u00f6rhead<\/strong> \u2014 seu grande amigo \u2014, e ainda recomendou a minha esposa, que canta \u00f3pera, um soro que usava para manter as cordas vocais em forma.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"580\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/ozzy-kory-embed.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>The beginning of \u2018The End\u2019: Backstage do show do Black Sabbath em Chicago, 2016 &#8211; Cortesia do Kory Grow<\/figcaption><\/figure>\n<p data-end=\"786\" data-start=\"0\">Quando o entrevistei nos bastidores de um show em Allentown, na Pensilv\u00e2nia, dois anos depois \u2014 quando ele iniciava sua turn\u00ea de despedida como artista solo \u2014, ele me mostrou uma foto de seu amado cachorro, <strong>Rocky<\/strong>, que tinha medo de viajar com ele, al\u00e9m de alguns rabiscos de caveiras que fazia para controlar os pr\u00f3prios nervos. Na \u00e9poca, ele insistia que ainda faria alguns shows aqui e ali depois da turn\u00ea, mas uma infec\u00e7\u00e3o por estafilococos e uma queda no meio da noite encerraram sua carreira nos palcos mais cedo do que o esperado. Ele me contou sobre a infec\u00e7\u00e3o com sua t\u00edpica franqueza (disse que o polegar estava \u201cdo tamanho de uma porra de l\u00e2mpada\u201d) e depois descreveu com detalhes v\u00edvidos o quanto a queda tinha sido horr\u00edvel. Foi ent\u00e3o que revelou o diagn\u00f3stico de Parkinson.<\/p>\n<p data-end=\"1437\" data-start=\"788\">Foi dif\u00edcil para mim ouvir como ele soava fragilizado quando passamos a conversar por telefone depois disso, especialmente porque eu percebia como sua mente seguia afiada e como ele ainda se empolgava ao falar sobre gravar novas m\u00fasicas, como nos excelentes \u00e1lbuns <strong><em data-end=\"1068\" data-start=\"1054\">Ordinary Man<\/em><\/strong> e <strong><em data-end=\"1089\" data-start=\"1071\">Patient Number 9<\/em><\/strong>, mesmo com o corpo lhe pregando pe\u00e7as. Mas, depois de desabafar um pouco (e eu sempre fazia quest\u00e3o de demonstrar compaix\u00e3o pela sua situa\u00e7\u00e3o), ele se animava. Ainda conseguia descrever com detalhes sess\u00f5es de fotos para capas de disco e falava com entusiasmo sobre uma nova m\u00fasica que havia gravado com um de seus melhores amigos, <strong>Billy Morrison<\/strong>.<\/p>\n<p data-end=\"2375\" data-start=\"1439\">Por isso foi incr\u00edvel ver como ele se sentiu revigorado em 2022, ap\u00f3s cantar uma \u00fanica m\u00fasica ao lado de <strong>Tony Iommi<\/strong>, mais de meio s\u00e9culo depois de formarem o <strong>Black Sabbath<\/strong>. \u201cNunca acho que vou vencer\u201d, ele me disse naquela ocasi\u00e3o. Mas, naquela noite, ele se sentiu um vencedor. Foi a\u00ed que percebi o que tornava <strong>Ozzy<\/strong> verdadeiramente especial: seu esp\u00edrito de azar\u00e3o. Ele me contou uma longa hist\u00f3ria sobre como se arrependeu de ter agido como um idiota na frente de <strong>Eric Clapton<\/strong> e o quanto se sentiu honrado por <strong>Clapton<\/strong> ter topado tocar em seu \u00e1lbum, <strong>Ozzy<\/strong> n\u00e3o achava estar no mesmo n\u00edvel, embora estivesse. Essa humildade foi o que fez com que eu, e tantos outros, torcessem por ele \u2014 fosse como artista ou como o pai atrapalhado da televis\u00e3o \u2014 por mais de meio s\u00e9culo. Mas, por mais que quisesse voltar aos palcos, <strong>Ozzy<\/strong> ainda faria apenas mais uma apresenta\u00e7\u00e3o especial, e depois disso, seu show de despedida <strong><em data-end=\"2374\" data-start=\"2351\">Back to the Beginning<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p data-end=\"2439\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"2377\">Algumas semanas atr\u00e1s, assisti \u00e0 transmiss\u00e3o completa do <strong><em data-end=\"80\" data-start=\"57\">Back to the Beginning<\/em><\/strong>. Por mais que eu tivesse adorado a ideia de viajar at\u00e9 Birmingham para ver o show ao vivo, o evento estava marcado para o dia seguinte \u00e0 data prevista para o nascimento da minha filha. Por sorte, ela chegou um pouquinho antes, ent\u00e3o conseguimos assistir \u00e0s 10 horas de transmiss\u00e3o juntos, em fam\u00edlia, marcando o primeiro \u201cshow\u201d da vida dela.<\/p>\n<p data-end=\"732\" data-start=\"0\">Ver <strong>Ozzy<\/strong> em seu trono, com apar\u00eancia fr\u00e1gil mas soando forte, foi algo emocionante para mim. Havia algo de revelador na forma como ele cantou <strong><em data-end=\"167\" data-start=\"142\">&#8220;Mama, I\u2019m Coming Home&#8221;<\/em><\/strong>, com aquela voz quebrada que me tocou profundamente. Foi uma demonstra\u00e7\u00e3o comovente de sua humanidade, puro <strong>Ozzy<\/strong>, lutando para dar conta, exatamente como fez da \u00faltima vez em que nos encontramos. Ele estava determinado a vencer. Assisti a essa performance repetidas vezes no meu iPad durante as mamadas noturnas ao longo das \u00faltimas semanas (mantinha a transmiss\u00e3o ativa rebobinando o v\u00eddeo todo dia), e rev\u00ea-la tantas vezes me emocionava de novo e de novo, porque eu sabia \u2014 pelas nossas conversas \u2014 o quanto era importante para ele se despedir da maneira certa.<\/p>\n<p data-end=\"1340\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\" data-start=\"734\">Na ind\u00fastria da m\u00fasica, voc\u00ea ouve com frequ\u00eancia aquele velho ditado: \u201cNunca conhe\u00e7a seus \u00eddolos\u201d, porque eles v\u00e3o te decepcionar. Mas <strong>Ozzy<\/strong> nunca me decepcionou, principalmente porque pude ver de perto o quanto ele se esfor\u00e7ava para dar certo. No fim das contas, ele era incapaz de ser qualquer coisa que n\u00e3o fosse <strong>Ozzy Osbourne<\/strong>. \u201cMinha vida foi simplesmente inacredit\u00e1vel\u201d, ele me disse uma vez. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o conseguiria escrever a minha hist\u00f3ria; voc\u00ea n\u00e3o conseguiria me inventar\u201d. E ele tinha raz\u00e3o. Me senti apenas sortudo por ele ter escolhido passar tantas horas da vida dele me contando suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p><em>Este artigo foi originalmente publicado pela Rolling Stone EUA, por Kory Grow, no dia 23 de julho de 2025, e pode ser conferido aqui.<\/em><\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Como foram os \u00faltimos dias de Ozzy Osbourne<\/strong><\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: As homenagens de Rock in Rio e Medina a Ozzy Osbourne, sua 1\u00aa atra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Ap\u00f3s cr\u00edticas dos f\u00e3s, Iron Maiden homenageia Ozzy Osbourne nas redes<\/strong><\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: A curiosa homenagem da PETA ao \u2018mordedor de morcegos\u2019 Ozzy Osbourne<\/strong><\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Como Ozzy Osbourne ganhou o apelido de &#8216;Pr\u00edncipe\u00a0das\u00a0Trevas&#8217;?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/ozzy-e-eu-como-conheci-o-verdadeiro-ozzy-osbourne\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era um dia escaldante em Londres, em agosto de 2022, quando encontrei Ozzy Osbournepessoalmente pela \u00faltima vez, em um hotel elegante pr\u00f3ximo ao Hyde Park. 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