{"id":30327,"date":"2025-07-18T16:12:39","date_gmt":"2025-07-18T19:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/os-3-truques-que-fizeram-os-beatles-se-destacarem-segundo-paul-mccartney\/"},"modified":"2025-07-18T16:12:39","modified_gmt":"2025-07-18T19:12:39","slug":"os-3-truques-que-fizeram-os-beatles-se-destacarem-segundo-paul-mccartney","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/os-3-truques-que-fizeram-os-beatles-se-destacarem-segundo-paul-mccartney\/","title":{"rendered":"Os 3 truques que fizeram os Beatles se destacarem, segundo Paul McCartney"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O que fez os <strong>Beatles<\/strong> atingirem o sucesso? N\u00e3o d\u00e1 para responder a essa pergunta de modo simplificado. Para al\u00e9m do grande talento art\u00edstico, o grupo ingl\u00eas trabalhou duro, surgiu no momento certo, absorveu as influ\u00eancias mais certeiras e, por que n\u00e3o, contaram com um pouquinho de sorte \u2014 algo essencial na vida de qualquer um, pois elementos alheios \u00e0 vontade pr\u00f3pria tamb\u00e9m podem favorecer.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de <strong>Paul McCartney<\/strong>, tr\u00eas pontos espec\u00edficos ajudam a explicar o \u00eaxito comercial de sua banda. Todos eles t\u00eam a ver com diferenciais; pontos que faziam o Fab Four de Liverpool se destacar em meio \u00e0 multid\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"image\"><figcaption>Beatles (E-D): Ringo Starr, Paul McCartney, John Lennon, George Harrison &#8211; Foto: Bettmann \/ Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>O assunto foi abordado em entrevista de 1990 \u00e0 <strong>Guitar Player<\/strong>. Veja a seguir:<\/p>\n<h2><strong>O que fez os Beatles se destacarem<\/strong><\/h2>\n<h3>1) Escolher covers obscuros<\/h3>\n<p>Enquanto desenvolvia suas habilidades como compositores, os Beatles tocavam can\u00e7\u00f5es criadas por outros artistas. Na vis\u00e3o de Paul McCartney, lidar com um repert\u00f3rio menos \u00f3bvio, com m\u00fasicas que passavam despercebidas, ajudou bastante \u2014 al\u00e9m de executarem faixas diferentes de seus \u201cconcorrentes\u201d, eles at\u00e9 deixavam o p\u00fablico na d\u00favida se aquelas obras eram deles pr\u00f3prios.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cTrabalhamos em m\u00fasicas obscuras com os Beatles. Havia um bom motivo tamb\u00e9m: todas as outras bandas conheciam os sucessos. Todo mundo conhecia <strong>\u2018Ain\u2019t That a Shame\u2019<\/strong>. Todo mundo conhecia <strong>\u2018Bo Diddley\u2019<\/strong>, do <strong>Bo Diddley<\/strong>. Mas nem todo mundo conhecia <strong>\u2018Crackin\u2019 Up\u2019<\/strong> [do <strong>Bo Diddley<\/strong>]. Quase ningu\u00e9m conhece <strong>\u2018Crackin\u2019 Up\u2019<\/strong> at\u00e9 hoje \u2014 era s\u00f3 um dos lados B dele que eu adorava. N\u00e3o sei o qu\u00e3o incr\u00edvel \u00e9, mas eu gosto.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Beatles em 1963 (E-D): Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/beatles-1963-foto-hulton-archive-getty-images.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Beatles em 1963 (E-D): Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon e George Harrison &#8211; Foto: Hulton Archive \/ Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com Paul, o fato de serem can\u00e7\u00f5es menos \u00f3bvias fazia at\u00e9 com que ele e seus colegas interpretassem o material com mais vigor. Como n\u00e3o eram as \u201cmesmas m\u00fasicas de sempre\u201d, havia certo frescor.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cCostum\u00e1vamos procurar lados B \u2014 uma jogada inteligente! \u2014 e faixas obscuras de \u00e1lbuns porque se nos envolv\u00eassemos o suficiente para dar algo especial a elas, s\u00f3 por estarmos apaixonados por elas, voc\u00ea as cantava bem. <strong>John<\/strong> [<strong>Lennon<\/strong>], por exemplo, cantou <strong>\u2018Anna\u2019<\/strong> [do <strong>Arthur Alexander<\/strong>], no primeiro \u00e1lbum dos Beatles. Era obscuro, os DJs tocavam nas casas noturnas. Lev\u00e1vamos o disco para casa e aprend\u00edamos m\u00fasicas assim: <strong>\u2018Three Cool Cats\u2019<\/strong> [<strong>Coasters<\/strong>], <strong>\u2018Anna\u2019<\/strong>, <strong>\u2018Thumbin\u2019 a Ride\u2019<\/strong> [<strong>Coasters<\/strong>] \u2014 milh\u00f5es de m\u00fasicas incr\u00edveis.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h3>2) Explorar a limita\u00e7\u00e3o dos equipamentos<\/h3>\n<p>Quando os Beatles estiveram ativos, na d\u00e9cada de 1960, os equipamentos de som ainda eram bem pouco evolu\u00eddos, devido \u00e0 tecnologia que existia no per\u00edodo. Era f\u00e1cil sobrecarregar e at\u00e9 danificar esse tipo de aparelhagem. Acabou por se tornar uma vantagem, pois a banda aumentava volumes e outros controles para obter, naturalmente, uma quantidade satisfat\u00f3ria de distor\u00e7\u00e3o \u2014 inclusive nos viol\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Beatles em est\u00fadio em 1963 (E-D): George Harrison, Paul McCartney, Ringo Starr e John Lennon\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/beatles-1963-estudio-foto-michael-ochs-archives-getty-images.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Beatles em est\u00fadio em 1963 (E-D): George Harrison, Paul McCartney, Ringo Starr e John Lennon &#8211; Foto: Michael Ochs Archives \/ Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ele inicia o relato:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cAs m\u00e1quinas daquela \u00e9poca eram mais f\u00e1ceis de serem danificadas. Voc\u00ea poderia realmente sobrecarregar uma mesa de som. Agora, isso n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. Uma mesa novinha em folha \u00e9 constru\u00edda para idiotas como n\u00f3s pisarem nela. T\u00ednhamos um \u00f3timo truque com viol\u00f5es, como em <strong>\u2018Ob La Di, Ob La Da\u2019<\/strong>. Eu toquei viol\u00e3o nela, uma oitava acima da linha do baixo. Deu um som \u00f3timo \u2014 como quando voc\u00ea tem dois cantores cantando em oitavas, refor\u00e7ando a linha de baixo.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Beatles em est\u00fadio em 1968 (E-D): John Lennon, George Harrison e Paul McCartney\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/beatles-1968-estudio-foto-keystone-features-getty-images.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Beatles em est\u00fadio em 1968 (E-D): John Lennon, George Harrison e Paul McCartney &#8211; Foto: Keystone Features \/ Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em seguida, complementa:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cPedimos para eles gravarem os viol\u00f5es quando o medidor chegava j\u00e1 no vermelho. Os engenheiros de grava\u00e7\u00e3o diziam que ficaria horr\u00edvel, mas n\u00f3s ador\u00e1vamos aquele som que era considerado um \u2018erro\u2019. Ent\u00e3o, gravamos tudo no vermelho. Essas placas antigas distorciam o suficiente, comprimiam e sugavam. Sou um grande f\u00e3 de discos de blues e coisas assim, onde nunca h\u00e1 um momento de som limpo. Nada era limpo. Era sempre um microfone velho e fr\u00e1gil preso em algum lugar perto do guitarrista. Voc\u00ea conseguia ouvir o p\u00e9 dele mais do que algumas coisas.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h3>3) A import\u00e2ncia do baixo<\/h3>\n<p>Soa suspeito que Paul McCartney aponte o baixo como um diferencial, j\u00e1 que era seu instrumento principal nos Beatles. Todavia, seu relato n\u00e3o est\u00e1 equivocado: o instrumento grave exerce gigantesca influ\u00eancia na sonoridade de uma banda de rock, ainda mais quando h\u00e1 influ\u00eancias soul\/R&amp;B, como no caso do Fab Four de Liverpool.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, McCartney apostava em linhas de baixo mais simples, ancoradas na t\u00f4nica, nota principal que tamb\u00e9m rege a guitarra. Com o tempo, ele passou a experimentar mais, seguindo a linha popularizada por <strong>James Jamerson<\/strong>, \u00edcone da Motown que, curiosamente, permaneceu an\u00f4nimo por d\u00e9cadas, j\u00e1 que n\u00e3o era creditado por seus trabalhos pela gravadora.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Paul McCartney com os Beatles em 1966\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/07\/paul-mccartney-beatles-1966-foto-getty-images.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Paul McCartney com os Beatles em 1966 &#8211; Foto: Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Paul comenta:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201cEu realmente n\u00e3o queria tocar baixo, mas comecei a ver algumas coisas interessantes. Uma das primeiras foi na m\u00fasica <strong>\u2018Michelle\u2019<\/strong> [do \u00e1lbum <strong>Rubber Soul<\/strong>]. Tem aquele acorde descendente na parte \u2018words I know that you&#8217;ll understand, Michelle\u2019. Se eu tocasse a nota D\u00f3 [C], depois passasse para Sol [G] e depois para D\u00f3 [C] de novo, aquilo realmente transformava o fraseado. Foi ali que percebi que baixo realmente poderia mudar uma m\u00fasica.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A maior influ\u00eancia do Beatle nesse sentido foi um \u201crival\u201d \u2014 no bom sentido. Ele comenta:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>\u201c<strong>Brian Wilson<\/strong> provou caminhos diferentes em <strong>Pet Sounds<\/strong> [1966], \u00e1lbum dos <strong>Beach Boys<\/strong> muito influente para mim. Se voc\u00ea est\u00e1 em D\u00f3 e toca em Sol \u2014 algo que n\u00e3o seja a t\u00f4nica \u2014, isso cria um pouco de tens\u00e3o. \u00c9 \u00f3timo. Quando voc\u00ea enfim chega a D\u00f3, \u00e9 tipo: \u2018ah, gra\u00e7as a Deus ele chegou a D\u00f3!\u2019. Voc\u00ea pode criar tens\u00e3o com isso. Eu n\u00e3o sabia que era isso que eu estava fazendo; simplesmente soava bem. E isso come\u00e7ou a me deixar muito mais interessado no baixo. N\u00e3o era mais uma quest\u00e3o de ser apenas uma nota grave no fundo.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: O artista que ensinou tudo a Paul McCartney, segundo o pr\u00f3prio<br \/>+++ LEIA MAIS: O que pensa Ringo Starr sobre ter sido tirado do 1\u00ba single dos Beatles<br \/>+++ LEIA MAIS: A grande diferen\u00e7a entre Led Zeppelin e Beatles, segundo Jimmy Page<br \/>+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram<br \/>+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/os-3-truques-que-fizeram-os-beatles-se-destacarem-segundo-paul-mccartney\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que fez os Beatles atingirem o sucesso? N\u00e3o d\u00e1 para responder a essa pergunta de modo simplificado. 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