{"id":27060,"date":"2025-06-20T08:24:10","date_gmt":"2025-06-20T11:24:10","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/o-tempo-e-finito-e-seu-tempo-de-atuacao-e-finito\/"},"modified":"2025-06-20T08:24:10","modified_gmt":"2025-06-20T11:24:10","slug":"o-tempo-e-finito-e-seu-tempo-de-atuacao-e-finito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-tempo-e-finito-e-seu-tempo-de-atuacao-e-finito\/","title":{"rendered":"\u2018O tempo \u00e9 finito e seu tempo de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 finito\u2019"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Quando a pandemia paralisou completamente a ind\u00fastria da m\u00fasica ao vivo em 2020, <strong>Bruce Springsteen<\/strong> se viu em casa com muito tempo livre. Ele decidiu aproveitar bem esse tempo mergulhando em seu imenso acervo de m\u00fasicas in\u00e9ditas, resgatando sete \u00e1lbuns completos que havia engavetado entre 1983 e 2018, e reunindo-os em <em><strong>Tracks II: The Lost Albums<\/strong><\/em>, que conta com impressionantes 74 m\u00fasicas que a maioria dos f\u00e3s mais dedicados nunca ouviu.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea olhar para eles como um grupo, s\u00e3o meio que g\u00eaneros nos quais eu ainda n\u00e3o tinha mergulhado completamente\u201d, diz <strong>Springsteen<\/strong> por <em>Zoom<\/em> de sua casa em Wellington, na Fl\u00f3rida, observando que os \u00e1lbuns exploram desde Western swing at\u00e9 pop dos anos 1960 inspirado em <strong>Burt Bacharach<\/strong>. \u201cEles eram todos meio que pe\u00e7as fora do lugar, e o que voc\u00ea faz com isso? Eu n\u00e3o sabia. Ent\u00e3o foi assim que acabamos resolvendo o problema.\u201d<\/p>\n<p>Uma alta porcentagem dessas m\u00fasicas foi gravada nos anos 1990, frequentemente vistos como um per\u00edodo perdido para <strong>Springsteen<\/strong>, j\u00e1 que ele lan\u00e7ou apenas um \u00e1lbum de est\u00fadio \u2014 <em><strong>The Ghost of Tom Joad<\/strong><\/em>, de 1995 \u2014 entre 1992 e 2002. \u201cIsso foi por uma variedade de raz\u00f5es\u201d, diz <strong>Springsteen<\/strong>, que est\u00e1 em turn\u00ea pela Europa neste ver\u00e3o, e conversou conosco antes de seus coment\u00e1rios contra <strong>Trump<\/strong> na noite de abertura da turn\u00ea gerarem um tenso bate-boca com o ex-presidente. (<strong>Springsteen<\/strong> preferiu n\u00e3o comentar sobre o epis\u00f3dio.)<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>\u201cNossos filhos eram muito pequenos exatamente naquele momento. E eu tamb\u00e9m n\u00e3o tinha nenhum interesse, de fato, em trabalhar com a banda. Eu me sentia esgotado com tudo aquilo, naquele ponto espec\u00edfico no tempo. Mas eu estava trabalhando em m\u00fasica o tempo todo. S\u00f3 n\u00e3o estava lan\u00e7ando.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Em uma entrevista abrangente \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em>, <strong>Springsteen<\/strong> mergulha fundo em <em><strong>Tracks II: The Lost Albums<\/strong><\/em>, explica por que nunca ficou satisfeito com <em><strong>Born In The U.S.A.<\/strong><\/em> (1984), revela que j\u00e1 tem um novo \u00e1lbum pronto para o pr\u00f3ximo ano, solta uma revela\u00e7\u00e3o sobre as lend\u00e1rias fitas de <em><strong>Electric Nebraska<\/strong><\/em>, e explica por que ainda acredita nos Estados Unidos.<\/p>\n<figure class=\"image\"><canvas class=\"lt-highlighter__canvas\" height=\"16\" style=\"display: none; top: 0px !important; left: 148px !important;\" width=\"95\"\/><figcaption data-gramm=\"false\" data-lt-tmp-id=\"lt-919475\" spellcheck=\"false\">Bruce Springsteen (Foto: Sergione Infuso\/Corbis via Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>O box come\u00e7a com <em>L.A. Garage Sessions \u201983<\/em>. Ningu\u00e9m sabia que voc\u00ea havia gravado um \u00e1lbum inteiro entre <em>Nebraska<\/em> e <em>Born in the U.S.A.<\/em><\/strong><br \/>Eu gostei da grava\u00e7\u00e3o e da experi\u00eancia de Nebraska, e achei que poderia continuar nessa linha com uma pequena se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica, ainda bem lo-fi, e um novo grupo de m\u00fasicas. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o sabia exatamente para onde estava indo com Born in the U.S.A.. Eu tinha metade do \u00e1lbum, mas n\u00e3o tinha a outra metade. Ent\u00e3o foi apenas um disco que aconteceu no meio desses dois.<\/p>\n<p><strong>Antes de <em>Nebraska<\/em>, voc\u00ea nunca havia gravado um \u00e1lbum fora de um est\u00fadio. Deve ter sido algo muito libertador.<\/strong><br \/>Eu estava bem menos inibido, ent\u00e3o era muito mais experimental. Quando voc\u00ea vai ao est\u00fadio, est\u00e1 toda a banda l\u00e1, todos os produtores tamb\u00e9m. \u00c9 um ambiente muito formal, e eu descobri que isso tendia a me tornar conservador em certos aspectos. E ent\u00e3o Nebraska realmente rompeu esse teto \u2014 eu introduzi um elemento de risco que antes n\u00e3o fazia parte do meu processo de grava\u00e7\u00e3o. Quis continuar com isso, continuar sentindo essa liberdade no est\u00fadio, e por isso comecei a gravar em casa com mais frequ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea diz no encarte que \u201cn\u00e3o estava satisfeito\u201d com Born in the U.S.A. e que ele \u201cn\u00e3o se conectou\u201d como os outros \u00e1lbuns. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>Foi um disco que lancei. Ele se tornou o disco que fiz, n\u00e3o necessariamente o disco que eu queria fazer. Eu queria pegar Nebraska e fazer um \u00e1lbum completo que tivesse um pouco daquela mesma sensa\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea ouve \u201cMy Hometown\u201d e \u201cBorn in the U.S.A.\u201d, elas eram meio que os dois extremos que eu pretendia. E o resto era\u2026 s\u00f3 o que eu tinha na \u00e9poca. Eram as m\u00fasicas que escrevi. Eram as m\u00fasicas que gravei.<\/p>\n<p>Do conceito \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi necessariamente o disco que eu tinha planejado na minha cabe\u00e7a \u2014 mas \u00e9 assim que a criatividade funciona. Voc\u00ea entra no est\u00fadio com uma ideia. E nem sempre \u00e9 com essa ideia que voc\u00ea sai. Ent\u00e3o essa foi apenas a situa\u00e7\u00e3o pessoal daquele disco para mim.<\/p>\n<p><strong>Fico um pouco surpreso em ouvir isso. Sempre entendi <em>Born in the U.S.A.<\/em> como relatos de v\u00e1rias pessoas deixadas para tr\u00e1s pelos EUA de Ronald Reagan. Como ouvinte, ele parecia coeso.<\/strong><br \/>Acho que sim, para muita gente tamb\u00e9m. Suponho que talvez eu estivesse procurando algo mais sombrio. Mas, fora isso, os temas de Nebraska est\u00e3o l\u00e1 \u2014 em \u201cDownbound Train\u201d, por exemplo \u2014 est\u00e3o presentes, apenas um pouco disfar\u00e7ados como m\u00fasica pop.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea sentiu alguma press\u00e3o da gravadora, depois de \u201cHungry Heart\u201d, para criar m\u00fasicas menos como Nebraska e mais voltadas para o r\u00e1dio?<\/strong><br \/>N\u00e3o, eu tive sorte no meu relacionamento com a Sony durante todos esses anos. Nunca recebi nenhuma press\u00e3o para fazer algo que n\u00e3o fosse exatamente o que eu queria fazer.<\/p>\n<p><strong>\u201cThe Klansman\u201d \u00e9 uma m\u00fasica arrepiante. Est\u00e1 na mesma linha de \u201cJohnny 99\u201d, onde voc\u00ea escreve do ponto de vista de algu\u00e9m realmente vilanesco.<\/strong><br \/>Eu fa\u00e7o isso de vez em quando. Esse foi o caso de Nebraska. E essa foi uma escolha particularmente arriscada. Eu estou cantando na voz de um membro da Ku Klux Klan. A m\u00fasica \u00e9 sobre como o \u00f3dio e a toxicidade s\u00e3o passados de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Queria falar rapidamente sobre seus \u00e1lbuns <em>Human Touch<\/em> e <em>Lucky Town<\/em>. Quando voc\u00ea foi inclu\u00eddo no Hall da Fama em 1998, disse: \u201cTentei escrever m\u00fasicas felizes no come\u00e7o dos anos 1990, e n\u00e3o funcionou. O p\u00fablico n\u00e3o gostou.\u201d Pode explicar o que quis dizer com isso?<\/strong><br \/>Nos sites de f\u00e3s, em geral, Human Touch \u00e9 um disco que n\u00e3o recebe muito respeito, embora eu realmente goste bastante dele, e ele tenha algumas \u00f3timas m\u00fasicas como \u201cRoll of the Dice\u201d, \u201cHuman Touch\u201d e \u201cReal World\u201d. Acho que as pessoas tiveram algumas reservas quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o \u2014 talvez elas estivessem certas, talvez n\u00e3o. Eu n\u00e3o sei, mas \u00e9 o que \u00e9.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu estava meio que tirando sarro disso. Na verdade, Lucky Town saiu praticamente do jeito que eu queria, e acho que \u00e9 um disco \u00f3timo. Mas eu estava brincando com a forma como ele foi percebido pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>E acho que o fato de ter sido gravado sem a E Street Band tamb\u00e9m influenciou muito na percep\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s, ent\u00e3o isso tamb\u00e9m teve impacto. Os discos n\u00e3o foram bem programados, eu diria.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 um \u00e1lbum inteiro em Tracks II constru\u00eddo em torno de loops de bateria. O que te atraiu nesse som?<\/strong><br \/>\u201cStreets of Philadelphia\u201d. Eu montei um pequeno loop de bateria para essa m\u00fasica. Gostei de como funcionava. Ele interagia com os sintetizadores, que era um instrumento com o qual eu estava come\u00e7ando a compor. E ent\u00e3o, o passo natural depois disso foi dizer: \u201cBom, vou tentar criar um \u00e1lbum inteiro com esse som b\u00e1sico de sintetizadores e loops de bateria.\u201d E foi isso que eu fiz.<\/p>\n<p><strong>Como os loops foram criados?<\/strong><br \/>Alguns eu criei sozinho, e outros vinham de CDs que meu engenheiro trouxe. A gente escutava juntos, e eu dizia: \u201cEsse \u00e9 legal\u201d ou \u201cEsse aqui \u00e9 bacana. Vamos tentar esse. Deixa eu tentar compor em cima disso.\u201d<\/p>\n<p><strong>Os f\u00e3s j\u00e1 chamaram esse de seu \u201c\u00e1lbum hip hop\u201d, mas isso n\u00e3o \u00e9 exatamente verdade.<\/strong><br \/>Sim, n\u00e3o \u00e9 isso. Eu usei loops de bateria, mas acho que quando as pessoas ouviram os loops, imediatamente associaram ao hip-hop. Mas n\u00e3o. \u00c9 basicamente um disco que usa loops e sintetizadores.<\/p>\n<p><strong>Como os loops de bateria mudaram seu processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>Loops de bateria t\u00eam algo hipn\u00f3tico, eu acho. Ent\u00e3o, muita m\u00fasica desse disco tem essa vibe \u2014 bem sonhadora. A combina\u00e7\u00e3o dos sintetizadores com os loops gerou um som meio escuro, et\u00e9reo. E tem bastante disso nesse \u00e1lbum.<\/p>\n<p><strong>Por que o disco n\u00e3o foi lan\u00e7ado?<\/strong><br \/>O Bob Clearmountain mixou. Eu tinha o \u00e1lbum em casa. Estava no processo de montar a ordem das faixas. Mas nunca consegui encontrar a sequ\u00eancia certa, e fiquei&#8230; Eu tenho essa conversa cont\u00ednua com meus f\u00e3s h\u00e1 50 anos, e tento respeit\u00e1-la o m\u00e1ximo poss\u00edvel. E uma das formas de respeitar isso \u00e9 mantendo o contexto da conversa aberto. Ent\u00e3o eu pensava: \u201cBom, n\u00e3o sei&#8230;\u201d. Depois de tr\u00eas discos sobre relacionamentos e considerando a natureza desse \u00e1lbum, pensei: \u201cSer\u00e1 que isso est\u00e1 fechado demais nesse momento? \u00c9 a hora certa?\u201d<br \/>Muitos dos meus lan\u00e7amentos dependem de timing, e esse foi um dos casos em que, para o bem ou para o mal, achei que o momento n\u00e3o era o certo.<\/p>\n<p><strong>Boa parte das letras \u00e9 bem sombria, o que \u00e9 interessante, porque era um momento feliz na sua vida.<\/strong><br \/>Sim, essas coisas nem sempre andam juntas. As pessoas tendem a achar que compositores est\u00e3o sempre escrevendo de forma autobiogr\u00e1fica. Mas, no meu caso, isso geralmente n\u00e3o \u00e9 o ponto. Eu vou para geografias completamente diferentes na minha cabe\u00e7a. \u00c0s vezes encontro uma veia criativa que gosto, e fico nela por um tempo.<\/p>\n<p><strong>O \u00e1lbum Somewhere North of Nashville foi feito ao mesmo tempo que The Ghost of Tom Joad. Como isso funcionava?<\/strong><br \/>Eu gravava ele \u00e0 tarde com frequ\u00eancia, e o Tom Joad, com seu material mais sombrio, eu gravava \u00e0 noite, achando que ambos fariam parte do mesmo disco.<\/p>\n<p><strong>Quando percebeu que precisava lan\u00e7ar apenas um?<\/strong><br \/>Bem, se voc\u00ea ouvir \u201cRepo Man\u201d, ela n\u00e3o encaixa bem com \u201cStraight Time\u201d. Ent\u00e3o ficou claro bem r\u00e1pido que eu estava fazendo dois \u00e1lbuns. E quando tentei juntar tudo, para um disco duplo ou \u00fanico, simplesmente n\u00e3o funcionava. Ent\u00e3o cortei o material e mantive o que soava coeso \u2014 que foi o The Ghost of Tom Joad.<\/p>\n<p><strong>Marty Rifkin est\u00e1 incr\u00edvel nesse disco.<\/strong><br \/>Marty Rifkin \u00e9 um baita guitarrista de pedal steel, um dos melhores do pa\u00eds. Ele tocou comigo na turn\u00ea do Seeger Sessions. Ele est\u00e1 fant\u00e1stico nesse \u00e1lbum. Um recurso secreto, mesmo. \u00c9 um m\u00fasico incr\u00edvel, um cara maravilhoso \u2014 e realmente brilha em Somewhere North of Nashville.<\/p>\n<p><strong>Muito dessa m\u00fasica foi feita nos anos 90, mas quase n\u00e3o se ouvem sons \u201cnoventistas\u201d nesses \u00e1lbuns. Muitos dos seus contempor\u00e2neos incorporaram grunge ou alternativo. Voc\u00ea nunca seguiu essas tend\u00eancias.<\/strong><br \/>Acredito que voc\u00ea \u00e9 quem voc\u00ea \u00e9. E correr atr\u00e1s de tend\u00eancias, pelo menos para mim, nunca combinou com quem eu sou. Eu trabalho de dentro pra fora, n\u00e3o de fora pra dentro. E acho que \u00e9 isso que d\u00e1 intensidade e pessoalidade \u00e0 minha m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Isso faz com que a m\u00fasica n\u00e3o fique presa no tempo.<\/strong><br \/>Voc\u00ea pode tocar \u201cRacing in the Street\u201d ao lado de algo do Tom Joad ou de qualquer coisa que escrevi desde ent\u00e3o, e ela vai se encaixar. Sempre quis escrever sobre temas atemporais: fam\u00edlia, trabalho, espiritualidade, amor, sexo&#8230; coisas que fazem parte da vida das pessoas. E esse \u00e9 o caminho que sigo at\u00e9 hoje. Como eu disse: de dentro pra fora.<\/p>\n<p><strong>O que te atraiu nos sons de mariachi em Inyo?<\/strong><br \/>A gente tem uma fazenda desde o come\u00e7o dos anos 90, e eu estava escrevendo algumas m\u00fasicas ambientadas no M\u00e9xico. Um assistente meu que me ajudava com pesquisas disse: \u201cTem um charro que se mudou para New Jersey, ele mora no apartamento acima do meu.\u201d<br \/>Eu disse: \u201cS\u00e9rio?\u201d Ele respondeu: \u201cSim. Uma garota de New Jersey foi ao M\u00e9xico, conheceu o campe\u00e3o nacional de charros de 1994 e trouxe ele de volta pra c\u00e1. \u00c9 um dos cavaleiros e la\u00e7adores mais incr\u00edveis que j\u00e1 vi.\u201d<\/p>\n<p>Eu disse: \u201cTraz ele aqui pra casa.\u201d Ele veio, e acabou trabalhando na fazenda comigo por cinco anos. Nos ensinou a montar, a la\u00e7ar, a fazer truques com corda. Um cara incr\u00edvel.<br \/>Nos nossos eventos de colheita, ele dizia: \u201cConhe\u00e7o uma banda mariachi sensacional.\u201d E eu dizia: \u201cTraz pra c\u00e1.\u201d E ele trazia essas bandas incr\u00edveis que tocavam nas festas. Acabei me apaixonando por esse som assim. E tinha algumas m\u00fasicas que achei que combinariam bem com isso \u2014 e foi assim que elas entraram no disco.<\/p>\n<p><strong>Qu\u00e3o perto esse disco chegou de ser lan\u00e7ado?<\/strong><br \/>Nem tanto. Eu at\u00e9 lancei Devils &amp; Dust [com algumas m\u00fasicas desse per\u00edodo], mas ainda tinha bastante material guardado. Sabia que as m\u00fasicas eram boas. Mais uma vez, era uma quest\u00e3o de timing. Ent\u00e3o ficaram no ba\u00fa at\u00e9 que, na pandemia, tive tempo para reunir tudo.<\/p>\n<p><strong>Em Perfect World, h\u00e1 v\u00e1rias m\u00fasicas que voc\u00ea comp\u00f4s com Joe Grushecky. Ele \u00e9 um dos poucos compositores com quem voc\u00ea j\u00e1 colaborou. O que te atraiu nele?<\/strong><br \/>Sempre gostei das m\u00fasicas dele e sentia que t\u00ednhamos algo em comum nas ra\u00edzes \u2014 ambos vindo da classe trabalhadora, e ele escrevia muito sobre isso. E o Joe tamb\u00e9m era muito persistente. Ele me mandava letras direto. Acho que a maioria delas eu compus para ele gravar, e produzi o \u00e1lbum dele (American Babylon).<br \/>Ele me mandava as letras, eu escrevia a m\u00fasica e devolvia. Viramos grandes amigos, como ainda somos. N\u00e3o escrevemos muito juntos, mas quando acontece, \u00e9 sempre divertido. Em geral, eu n\u00e3o componho com outras pessoas.<\/p>\n<p><strong>Ao fim da turn\u00ea de reuni\u00e3o da E Street Band, voc\u00eas j\u00e1 estavam tocando m\u00fasicas novas \u2014 \u201cAmerican Skin\u201d, \u201cLand of Hope and Dreams\u201d, e algumas com o Joe, como \u201cCode of Silence\u201d. Voc\u00ea planejava um novo \u00e1lbum com a banda por volta de 2000?<\/strong><br \/>Depois da turn\u00ea de reuni\u00e3o, minha ideia era: \u201cOk, agora precisamos fazer um disco se formos continuar.\u201d<br \/>Fui ao est\u00fadio com \u201cAmerican Skin\u201d, \u201cLand of Hope and Dreams\u201d, e outras, e gravamos algumas coisas \u2014 mas simplesmente n\u00e3o estava bom. A equipe de produ\u00e7\u00e3o com quem trabalhei por muitos anos j\u00e1 tinha cumprido seu ciclo. Era hora de algu\u00e9m novo, com ideias frescas e um som mais atual para aquele momento.<\/p>\n<p>Esse cara foi o Brendan O\u2019Brien \u2014 um produtor tremendo, \u00f3timo sujeito. Tive \u00f3timos momentos com ele, e ele foi essencial para nos dar nosso som moderno. Depois tamb\u00e9m trabalhei com o Ron Aniello \u2014 outro produtor excelente. Quando comecei a trabalhar com Brendan, as m\u00fasicas vieram, e The Rising nasceu disso. Depois vieram Magic e Working on a Dream. Ele tamb\u00e9m me ajudou a finalizar Devils &amp; Dust.<\/p>\n<p><strong>Diferente dos outros, Perfect World n\u00e3o era um \u00e1lbum completo na \u00e9poca.<\/strong><br \/>Sim, esse foi o \u00fanico que eu n\u00e3o concebi como um disco. Eram s\u00f3 m\u00fasicas que eu tinha \u2014 sem saber onde iam parar. Quando pensei nesse projeto, pensei: \u201cTem bastante coisa aqui, mas n\u00e3o tem rock. E sei que tem f\u00e3s meus que curtem rock.\u201d Ent\u00e3o pensei: \u201cTalvez eu devesse montar algo com isso.\u201d Peguei esse grupo de m\u00fasicas e montei o disco com esse material.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se arrepende de n\u00e3o ter lan\u00e7ado esses \u00e1lbuns nos anos 1990?<\/strong><br \/>Na verdade, \u00e9 divertido lan\u00e7ar tudo junto nesse projeto porque \u00e9 incomum \u2014 e, honestamente, acho que esse \u00e9 o contexto certo pra eles. Ent\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o me arrependo.<\/p>\n<p><strong>Em algum momento nos anos 1990 voc\u00ea come\u00e7ou a duvidar de si mesmo, achando que sua carreira estava escapando?<\/strong><br \/>N\u00e3o realmente. Sempre dizia, l\u00e1 nos anos 70, quando estava no meio de grandes processos judiciais: \u201cOk, algu\u00e9m pode tirar seus direitos autorais, seus discos, seu dinheiro \u2014 mas pode me jogar de paraquedas em qualquer lugar dos EUA, ou at\u00e9 do mundo, que eu vou achar o bar mais pr\u00f3ximo e iluminar a noite de algu\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p><strong>Isso est\u00e1 em mim. Nunca se perde.<\/strong><br \/>Nos anos 90 eu entendia isso. Lembro de uma conversa com o Jon Landau, em que eu disse: \u201cEsse disco n\u00e3o foi t\u00e3o bem. Mas, Jon, agora n\u00e3o \u00e9 a nossa hora. \u00c9 a hora de outro.\u201d<br \/>Se voc\u00ea quiser ter uma carreira longa, vai haver per\u00edodos em que \u00e9 sua vez \u2014 e outros em que n\u00e3o \u00e9. E voc\u00ea tem que aceitar isso e seguir em frente, trabalhando.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 sentiu que o sucesso de Born in the U.S.A. ficou grande demais? Foram sete hits. Voc\u00ea estava quase t\u00e3o grande quanto Michael Jackson. O bon\u00e9 vermelho, o jeans, a bandeira \u2014 viraram uma imagem ic\u00f4nica que te acompanha at\u00e9 hoje.<\/strong><br \/>Eu n\u00e3o estava interessado em continuar com aquilo. Fiz na \u00e9poca, mas n\u00e3o queria tentar correr atr\u00e1s daqueles cavalos de novo. Sempre vi como \u201caquilo foi uma coisa \u00fanica\u201d. E voltei imediatamente \u00e0s minhas ra\u00edzes de cantor-compositor com Tunnel of Love.<br \/>Nunca achei que aquilo fosse definir minha carreira \u2014 e, para ser sincero, nem queria. N\u00e3o me preocupava em vender menos, porque nunca estive muito preocupado em vender tanto assim.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o foi s\u00f3 um momento interessante. Desafiador. No geral, curti bastante.<\/strong><br \/>At\u00e9 hoje, se algu\u00e9m quer me imitar, geralmente coloca aquela roupa. Ainda vejo isso nos meus shows \u2014 jovens de 20 e poucos anos com a bandana e a regata. Hoje em dia, \u00e9 at\u00e9 encantador. N\u00e3o me arrependo de nada. Foi uma \u00f3tima experi\u00eancia, mas nunca foi algo que eu considerei uma carreira.<\/p>\n<p>E depois daquilo, n\u00e3o havia como ir ainda mais longe. Voc\u00ea sabiamente nem tentou.<br \/>Minha atitude sempre foi: nunca quis ir maior. Sempre quis ir mais fundo. \u00c9 assim que conduzi minha carreira.<\/p>\n<p>Me fale sobre Faithless. Esse disco realmente surgiu do nada. Ningu\u00e9m sabia que ele existia.<br \/>Foi um disco incomum. Fui chamado para compor algumas m\u00fasicas para um filme de faroeste. Eu estava na Fl\u00f3rida com minha filha e, em duas ou tr\u00eas semanas, escrevi o \u00e1lbum inteiro. Voltei pra casa e gravei tudo em, sei l\u00e1, uma ou duas semanas \u2014 muito r\u00e1pido \u2014 na sala de estar da casa ao lado da minha, que eu estava usando como est\u00fadio tempor\u00e1rio. E foi isso.<\/p>\n<p><strong>Fiquei com o disco guardado, esperando o momento em que talvez o filme sa\u00edsse. Mas isso nunca aconteceu.<\/strong><br \/>Depois de uns 20 anos, pensei: \u201cTalvez eu mesmo devesse lan\u00e7ar isso. Quem sabe ainda vire filme?\u201d Mas achei que esse box era o lugar certo pra ele. A Patti sempre amou esse disco e dizia: \u201cVoc\u00ea tem que lan\u00e7ar isso.\u201d \u00c9 uma sele\u00e7\u00e3o \u00fanica de can\u00e7\u00f5es \u2014 e fico feliz que esteja nesse pacote.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea entrou na mente desses personagens? Leu um roteiro?<\/strong><br \/>Havia um livro, e havia um roteiro.<\/p>\n<p><strong>Imagino que voc\u00ea n\u00e3o queira dizer o nome do diretor, n\u00e9?<\/strong><br \/>Correto.<\/p>\n<p><strong>Vamos falar sobre <em>Twilight Hours<\/em>. Tem muita semelhan\u00e7a com as m\u00fasicas de <em>Western Stars<\/em>, mas ainda assim s\u00e3o distintas.<\/strong><br \/>Bom, se Western Stars pende mais para algo como Jimmy Webb e m\u00fasica country, Twilight Hours se inclina mais para Burt Bacharach e a tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da can\u00e7\u00e3o americana.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea ouvir \u201cSunday Love\u201d, \u201cSeptember Kisses\u201d ou \u201cLate in the Evening\u201d, s\u00e3o m\u00fasicas que voc\u00ea poderia imaginar o Sinatra cantando, ou Andy Williams, Jack Jones, qualquer um dos crooners dos anos 50 e 60. \u00c9 material que eles poderiam ter usado. Tem essa vibe meio Mad Men da m\u00fasica pop. Ent\u00e3o, nesse sentido, ela difere bastante de Western Stars. Mas algumas m\u00fasicas como \u201cHigh Sierra\u201d poderiam facilmente estar em Western Stars, talvez at\u00e9 \u201cSunliner\u201d.<\/p>\n<p>Usei progress\u00f5es de acordes que nunca tinha usado antes, e isso me permitiu explorar estruturas harm\u00f4nicas um pouco mais sofisticadas do que costumo usar na maior parte da minha m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea pensou em lan\u00e7ar Western Stars e Twilight Hours como um \u00e1lbum duplo?<\/strong><br \/>Pensei, sim, e decidi n\u00e3o fazer. Normalmente, quando componho muito de uma vez \u2014 especialmente se estamos falando de 40 m\u00fasicas \u2014 sempre penso: \u201cTalvez isso deva ser um \u00e1lbum duplo.\u201d Mas acabo optando por algo mais compacto e intenso.<\/p>\n<p><strong>\u201cHigh Sierra\u201d \u00e9 uma m\u00fasica impressionante. Pode falar sobre ela?<\/strong><br \/>Provavelmente eu deveria ter colocado em Western Stars de algum jeito, e quase consegui. Fiquei tentando encaixar de um jeito, de outro, e por algum motivo, n\u00e3o aconteceu. Acho que j\u00e1 havia outras m\u00fasicas com o mesmo clima naquele disco. Muitos personagens lidando com o isolamento americano. Tinha \u201cDrive Fast (The Stuntman)\u201d, \u201cWestern Stars\u201d, \u201cTucson Train\u201d, \u201cStones\u201d\u2026<\/p>\n<p>Muitos personagens solit\u00e1rios. Talvez High Sierra tivesse pesado demais a balan\u00e7a nesse sentido, ou achei que seria mais valorizada no contexto de outro disco. \u00c9 uma das minhas m\u00fasicas favoritas do pacote todo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tocou Western Stars inteiro naquele show no seu celeiro para o filme, mas nunca apresentou essas m\u00fasicas ao vivo em p\u00fablico. Pensa em inclu\u00ed-las em algum setlist no futuro?<\/strong><br \/>Se eu fosse fazer isso, provavelmente sairia em turn\u00ea menor, com uma orquestra, tocando esses discos especificamente. Quando saio com a E Street Band, \u00e9 pra fazer um show de rock. Quero entrar no palco, colocar o p\u00e9 no acelerador por tr\u00eas horas, esgotar a mim, a voc\u00ea, e todo mundo num raio de 30 quil\u00f4metros. Ent\u00e3o, tem coisas que se misturam e outras que n\u00e3o, e \u00e9 assim que vejo meu trabalho com a banda.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem sido muito fotografado no set da cinebiografia <em>Deliver Me From Nowhere<\/em>, sobre a cria\u00e7\u00e3o de Nebraska. Como \u00e9 ver um ator te interpretando?<\/strong><br \/>Acho que \u00e9 bem pior para o ator do que pra mim. Jeremy Allen White foi muito, muito tolerante nos dias em que apareci no set. Eu disse a ele: \u201cOlha, qualquer hora que eu estiver no caminho, s\u00f3 me dar um olhar que eu vou embora.\u201d Nos dias em que fui, ele foi maravilhoso comigo ali. E foi divertido. Foi agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Quer dizer, \u00e9 um pouco estranho, porque o filme trata, de certa forma, de alguns dos momentos mais dolorosos da minha vida. Mas foi um projeto incr\u00edvel, e o Jeremy, o Jeremy Strong [que interpreta meu empres\u00e1rio Jon Landau] foram \u00f3timos \u2014 assim como todos os outros atores.Stephen Graham interpreta meu pai, e ele est\u00e1 fora de s\u00e9rie. Todo mundo envolvido no filme foi tremendo.<\/p>\n<p><iframe title=\"Springsteen: Deliver Me From Nowhere | Official Trailer\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oQXdM3J33No?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Ver atores recriando sua inf\u00e2ncia ali, na sua frente, deve ter sido algo bem intenso emocionalmente.<\/strong><br \/>Bom, em algumas cenas eu nem estive presente. Quando era uma cena muito pessoal, preferia ficar em casa para que os atores se sentissem totalmente livres. Se o diretor Scott Cooper quisesse ou precisasse de mim, eu tentava ir. Mas eu estava em turn\u00ea no Canad\u00e1 no primeiro m\u00eas de filmagens, ent\u00e3o estive bastante na estrada naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, um agradecimento ao meu p\u00fablico canadense \u2014 foi a melhor turn\u00ea canadense que j\u00e1 fizemos.<\/p>\n<p><strong>Falando em Nebraska, os f\u00e3s sempre tiveram fasc\u00ednio pela ideia de um Nebraska com banda completa. Isso virou uma esp\u00e9cie de mito.<\/strong><br \/>Bom, posso te dizer agora: esse disco n\u00e3o existe.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rio?<\/strong><br \/>Sim. Tentamos gravar algumas m\u00fasicas com a banda, vers\u00f5es el\u00e9tricas menores de \u201cNebraska\u201d, talvez mais alguma coisa, n\u00e3o tenho certeza. Mas esse disco simplesmente n\u00e3o existe. N\u00e3o h\u00e1 um Nebraska el\u00e9trico al\u00e9m do que tocamos ao vivo.<\/p>\n<p><strong>Max Weinberg e Roy Bittan me disseram que voc\u00eas ensaiaram muitas dessas m\u00fasicas na sala da casa do Roy.<\/strong><br \/>N\u00e3o lembro disso, mas posso te dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada no nosso arquivo que possa ser considerado um Nebraska el\u00e9trico.<\/p>\n<p><em>[Nota do rep\u00f3rter: Cerca de um m\u00eas ap\u00f3s esta entrevista, liguei o celular ap\u00f3s um voo e vi uma liga\u00e7\u00e3o perdida de um n\u00famero desconhecido de Freehold, New Jersey. Tamb\u00e9m havia uma mensagem: \u201cOi, Andy! Aqui \u00e9 o Bruce Springsteen. S\u00f3 queria te avisar: chequei nosso acervo e existe um Nebraska el\u00e9trico, embora n\u00e3o com todas as m\u00fasicas do \u00e1lbum. Um abra\u00e7o, Bruce.\u201d]<\/em><\/p>\n<p><strong>F\u00e3s sonham com um show especial antes do lan\u00e7amento do filme, onde voc\u00ea tocaria Nebraska na \u00edntegra \u2014 algo que nunca fez. Isso \u00e9 poss\u00edvel?<\/strong><br \/>Acho improv\u00e1vel que eu fa\u00e7a, mas talvez um dia eu saia para tocar esse disco inteiro. Seria divertido, e os f\u00e3s adorariam. N\u00e3o est\u00e1 fora da mesa.<\/p>\n<p><strong>Na \u00faltima vez que conversamos, voc\u00ea mencionou Only the Strong Survive: Volume 2. Ele est\u00e1 pronto?<\/strong><br \/>Sim, est\u00e1 pronto, finalizado. Faz tempo, na verdade. Mais uma vez, \u00e9 uma quest\u00e3o de timing. Esses discos de covers s\u00e3o projetos que fa\u00e7o por divers\u00e3o, quando n\u00e3o estou escrevendo. Foi algo que curti muito fazer. Amo aquelas m\u00fasicas, amo os cantores originais.<br \/>Ent\u00e3o sim, tenho outro volume, e tamb\u00e9m fiz outras grava\u00e7\u00f5es de covers que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente de soul \u2014 \u00e9 mais um projeto em andamento.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 escrevendo m\u00fasicas agora ou pensando no pr\u00f3ximo disco?<\/strong><br \/>Sim, eu tenho um disco pronto.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 com a E Street Band ou solo?<\/strong><br \/>\u00c9 um disco solo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea pode dizer algo sobre ele?<\/strong><br \/>N\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Acha que sai no ano que vem?<\/strong><br \/>Imagino que saia em 2026, em algum momento.<\/p>\n<p><strong>Fora da Broadway, voc\u00ea n\u00e3o faz uma turn\u00ea solo h\u00e1 19 anos. Acha que pode fazer outra em algum momento?<\/strong><br \/>Bom, a Broadway foram umas 240 apresenta\u00e7\u00f5es ou algo assim. Mas sim, com certeza, vou fazer isso de novo em algum momento. N\u00e3o sei qual ser\u00e1 a m\u00fasica, mas terei bastante material pra escolher, porque tenho feito muitos discos. Mas sim, em algum momento, quero fazer isso.<\/p>\n<p><strong>Essa turn\u00ea de ver\u00e3o na Europa marca o fim da turn\u00ea da E Street Band que come\u00e7ou em 2023?<\/strong><br \/>Sim. Esses pr\u00f3ximos 15 ou 16 shows s\u00e3o o fim oficial da nossa turn\u00ea de 130 datas com a E Street Band. Isso \u00e9 algo debat\u00edvel, sabe? Em vez de fazer uma turn\u00ea de 130 shows direto \u2014 o que fizemos agora porque est\u00e1vamos fora da estrada h\u00e1 seis anos, e eu precisava me reconectar com o p\u00fablico, e tamb\u00e9m foi divertido tocar com a banda\u2026 no futuro, acho que vamos tocar com mais frequ\u00eancia, mas fazer menos datas.<\/p>\n<p><strong>Os f\u00e3s da Austr\u00e1lia est\u00e3o loucos pra te ver por l\u00e1.<\/strong><br \/>Estou fazendo o melhor que posso, neste exato momento, pra conseguir ir pra l\u00e1 \u2014 espero que no ano que vem. E me sinto mal. Pe\u00e7o desculpas aos meus f\u00e3s australianos por n\u00e3o ter ido dessa vez, mas quero que saibam que estamos planejando ir assim que for vi\u00e1vel, provavelmente no ano que vem.<\/p>\n<p><strong>O show que voc\u00ea fez no ver\u00e3o passado em Asbury Park foi inacredit\u00e1vel.<\/strong><br \/>Eu colocaria esse show entre os cinco ou tr\u00eas melhores que j\u00e1 fizemos. De t\u00e3o especial que foi pra mim. Parte disso \u00e9 porque eu estava naquela cidade quando n\u00e3o havia ningu\u00e9m ali, era uma cidade fantasma. Asbury Park foi um completo deserto por uns 30 anos, e eu e os caras est\u00e1vamos l\u00e1. Estar l\u00e1 na sua retomada, vendo aquilo ganhar vida de novo, e ver tudo acontecer naquela praia, numa linda noite de setembro, foi uma das experi\u00eancias mais lindas que j\u00e1 tive no palco.<\/p>\n<p><strong>Vai rolar Tracks III?<\/strong><br \/>Sim. Ainda tem muita m\u00fasica no arquivo, e \u00e9 algo que j\u00e1 finalizei e est\u00e1 pronto pra ser lan\u00e7ado. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de termos tempo pra lan\u00e7ar isso, considerando que tamb\u00e9m tenho v\u00e1rios outros projetos que quero lan\u00e7ar em breve. Mas voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o esperar mais 25 anos pelo pr\u00f3ximo Tracks. Deve sair nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, mais ou menos.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 outros \u00e1lbuns completos e in\u00e9ditos nesse material?<\/strong><br \/>N\u00e3o, nenhum \u00e1lbum completo. \u00c9 tudo m\u00fasica de diferentes fases da minha vida de trabalho \u2014 algumas com a banda, outras n\u00e3o, algumas bem antigas. A essa altura, o acervo n\u00e3o vai estar completamente vazio, mas praticamente. N\u00e3o vai sobrar muito. E isso me anima \u2014 finalmente poder lan\u00e7ar tudo que gravei pros meus f\u00e3s.<\/p>\n<p><strong>Durante a presid\u00eancia do George W. Bush, voc\u00ea escreveu muitas m\u00fasicas sobre a agonia e a loucura daquele per\u00edodo. Voc\u00ea sente vontade de escrever sobre a era pol\u00edtica atual?<\/strong><br \/>Acho que tenho vontade de cantar sobre isso. Mas, at\u00e9 agora, n\u00e3o tive inspira\u00e7\u00e3o pra escrever. Se vou ou n\u00e3o escrever, n\u00e3o sei. Mas, obviamente, estamos vivendo uma trag\u00e9dia americana, e acredito que sairemos disso inteiros. Os EUA n\u00e3o s\u00e3o como outros pa\u00edses que t\u00eam hist\u00f3rias autorit\u00e1rias. Temos uma hist\u00f3ria democr\u00e1tica, e acredito que ela vai ressurgir. Essa n\u00e3o \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que vai desaparecer da noite pro dia, por mais que algu\u00e9m tente subvert\u00ea-la.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea n\u00e3o perdeu a esperan\u00e7a?<\/strong><br \/>N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o. Tem que ter esperan\u00e7a, cara. Eu tenho que ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Na nossa conversa de uns 10 anos atr\u00e1s, voc\u00ea disse que \u201ca luz do trem vindo na sua dire\u00e7\u00e3o faz voc\u00ea focar\u201d. Voc\u00ea sente isso ainda mais agora, com a idade?<\/strong><br \/>Sim. Voc\u00ea percebe que o tempo \u00e9 finito \u2014 e o tempo no palco tamb\u00e9m. E sinto que, se voc\u00ea for ver a banda agora, ver\u00e1 uma banda no auge. Toc\u00e1vamos de um jeito em 1980. Toc\u00e1vamos diferente em 1975. Era uma energia jovem que t\u00ednhamos naquele momento. Mas a profundidade, a resson\u00e2ncia e a experi\u00eancia que acumulamos nesses 50 anos de estrada realmente vieram \u00e0 tona nas nossas apresenta\u00e7\u00f5es. A banda est\u00e1 absolutamente incr\u00edvel no palco agora. Ent\u00e3o \u00e9 muito empolgante tocar com a E Street Band neste momento, e pretendo fazer bastante disso ainda. Mas esse futuro \u00e9 finito.<\/p>\n<p><strong>\u00c0s vezes eu olho pro Max no fim do show e penso: \u201cComo esse homem ainda est\u00e1 de p\u00e9?\u201d<\/strong><br \/>Bom, o Max desenvolveu uma t\u00e9cnica que permite isso, o que \u00e9 incr\u00edvel pra mim. Eu costumo dizer: \u201cOlha, eu pelo menos tenho um tempinho pra respirar entre as m\u00fasicas, porque gosto de manter o show em movimento constante.\u201d O Max n\u00e3o tem isso. Eu digo: \u201cMax, nesses cinco segundos, continua tocando.\u201d Ent\u00e3o ele basicamente toca por tr\u00eas horas seguidas, sem parar. Talvez ele pare por 30 segundos pra beber \u00e1gua duas ou tr\u00eas vezes por noite. O Max \u00e9 um fen\u00f4meno humano, uma b\u00ean\u00e7\u00e3o na minha vida e no meu trabalho.<\/p>\n<p><strong>\u00c0s vezes eu penso na sorte que foi colocar aquele an\u00fancio no Village Voice procurando um baterista e um tecladista \u2014 e a\u00ed apareceram o Max e o Roy.<\/strong><br \/>Pois \u00e9. Eles realmente definiram uma parte enorme do som da banda. Os teclados do Roy Bittan s\u00e3o supercaracter\u00edsticos da E Street Band, assim como a bateria do Max. Voc\u00ea precisa de um pouco de sorte quando est\u00e1 jogando no longo prazo. E eu tive sorte. Aqueles foram dias de sorte.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea gostaria de ser como o Pete Seeger e ainda estar no palco aos 90 anos tocando suas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>Ah, com certeza. Eu conheci o Pete, e ele tinha uma energia enorme. Quando a voz dele come\u00e7ou a falhar, ele simplesmente achou outro jeito de fazer. Acho que era um primo ou algu\u00e9m da fam\u00edlia que tocava com ele. O Pete entendia que o p\u00fablico vinha pra experimentar o esp\u00edrito dele \u2014 e isso continuava fort\u00edssimo.<\/p>\n<p><strong>Ele \u00e9 um \u00f3timo exemplo a seguir.<\/strong><br \/>Com certeza. Assim como o Willie Nelson, e v\u00e1rios dos pais do rock que tocaram at\u00e9 os 80 e poucos anos. Os Rolling Stones s\u00e3o uma grande inspira\u00e7\u00e3o hoje. Acho que os Stones est\u00e3o tocando melhor do que nunca, assim como o Paul McCartney. E o Bob Dylan ainda est\u00e1 na estrada. Esses caras est\u00e3o um pouco \u00e0 minha frente e mostram: \u201cEi, ainda n\u00e3o \u00e9 hora de descansar. Ainda temos muitos quil\u00f4metros pela frente.\u201d<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, n\u00e3o vai haver uma turn\u00ea de despedida?<\/strong><br \/>N\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/bruce-springsteen-o-tempo-e-finito-e-seu-tempo-de-atuacao-e-finito\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a pandemia paralisou completamente a ind\u00fastria da m\u00fasica ao vivo em 2020, Bruce Springsteen se viu em casa com muito tempo livre. 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