{"id":26555,"date":"2025-06-16T00:35:13","date_gmt":"2025-06-16T03:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/deep-purple-surpreende-sem-surpreender-ao-fechar-o-12o-best-of-blues-and-rock\/"},"modified":"2025-06-16T00:35:13","modified_gmt":"2025-06-16T03:35:13","slug":"deep-purple-surpreende-sem-surpreender-ao-fechar-o-12o-best-of-blues-and-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/deep-purple-surpreende-sem-surpreender-ao-fechar-o-12o-best-of-blues-and-rock\/","title":{"rendered":"Deep Purple \u2018surpreende sem surpreender\u2019 ao fechar o 12\u00ba Best of Blues and Rock"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Soa absurdo, mas aconteceu: quando a organiza\u00e7\u00e3o do <strong>Best of Blues and Rock<\/strong> anunciou o <strong>Deep Purple<\/strong> como uma das atra\u00e7\u00f5es para sua 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o, teve quem reclamasse. O argumento principal \u00e9: esses caras v\u00eam ao Brasil com frequ\u00eancia. Verdade. Azar de artista que n\u00e3o nos visita. O quinteto ingl\u00eas reconhece o carinho e interesse do p\u00fablico nacional e at\u00e9 emenda viagens para c\u00e1, pois estiveram conosco tamb\u00e9m em 2023 (como parte do festival Monsters of Rock e eventos relacionados) e 2024 (para tocar no Rock in Rio e em data solo na capital paulista).<\/p>\n<p>O Brasil, diga-se, \u00e9 o s\u00e9timo pa\u00eds que mais contou com shows do Purple. Est\u00e1 atr\u00e1s apenas de Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Jap\u00e3o. S\u00e3o mais de 70 apresenta\u00e7\u00f5es distribu\u00eddas em 34 anos, pois a primeira visita ocorreu em 1991. Nosso pa\u00eds tem tanta moral que receber\u00e1 uma das tr\u00eas \u00fanicas apresenta\u00e7\u00f5es do Purple agendadas para este ano. O motivo? Al\u00e9m de curtir merecidas f\u00e9rias, os veteranos do hard rock trabalham em um novo \u00e1lbum, com lan\u00e7amento pensado para 2026.<\/p>\n<figure class=\"image\"><figcaption>O vocalista Ian Gillan, do Deep Purple, em show no Best of Blues and Rock 2025 &#8211; Foto: Ellen Artie @ellenartie<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sim: estes senhores n\u00e3o querem parar. Quatro dos cinco integrantes t\u00eam mais de 75 anos (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o guitarrista rec\u00e9m-integrado e 100% hard rocker <strong>Simon McBride<\/strong>), mas sentem \u2014 e sabem \u2014 que ainda t\u00eam muito a oferecer. Num ritmo de trabalho de dar inveja a qualquer garot\u00e3o, eles fizeram 65 shows por todo o planeta em 2024. Em m\u00e9dia, uma apresenta\u00e7\u00e3o a cada 5 dias. Considere as longas viagens nesses intervalos junto \u00e0 idade avan\u00e7ada e fique t\u00e3o impressionado como eu.<\/p>\n<p>Nada disso, ali\u00e1s, afeta o espet\u00e1culo. Com mais de 55 anos de carreira, o Deep Purple ainda entrega uma performance digna de nota. Fecharam o domingo, 15, quarto e \u00faltimo dia de Best of Blues and Rock, no Parque Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo, com um passeio formid\u00e1vel por seus grandes cl\u00e1ssicos e por can\u00e7\u00f5es que talvez merecessem mais aten\u00e7\u00e3o em meio ao p\u00fablico geral.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Deep Purple em show no Best of Blues and Rock 2025\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/06\/deep-purple-best-of-blues-and-rock-2025-foto-ellen-artie.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Deep Purple em show no Best of Blues and Rock 2025 &#8211; Foto: Ellen Artie @ellenartie<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para ainda conseguir entregar uma apresenta\u00e7\u00e3o consistente, claro, alguns membros do quinteto precisaram ajustar suas interpreta\u00e7\u00f5es. <strong>Ian Gillan<\/strong>, que completa 80 anos em agosto, soube encaixar sua voz \u00e0 realidade atual como rar\u00edssimos cantores na hist\u00f3ria n\u00e3o apenas do rock, mas da m\u00fasica como um todo. Ainda arrisca alguns agudos, mas no geral adequa a interpreta\u00e7\u00e3o ao que consegue oferecer. N\u00e3o deixa a desejar em momento algum. <strong>Ian Paice<\/strong>, que chega aos 77 no fim deste m\u00eas, na maior parte do tempo nem precisa de seguir por atalhos musicais na bateria. Nem parece que, al\u00e9m da idade avan\u00e7ada, sofreu em 2016 um mini-AVC \u2014 para contextualiza\u00e7\u00e3o, mesmo problema de sa\u00fade que pareceu ter afetado um pouco mais gravemente <strong>Nicko McBrain<\/strong>, colega de instrumento do <strong>Iron Maiden<\/strong>. Assisti-lo tocar \u00e9 um privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>Os tamb\u00e9m septuagen\u00e1rios <strong>Roger Glover<\/strong>, baixista, e <strong>Don Airey<\/strong>, tecladista, t\u00eam menor exig\u00eancia f\u00edsica, logo, continuam incr\u00edveis praticamente sem adapta\u00e7\u00e3o. Glover, ali\u00e1s, confere toda a consist\u00eancia sonora \u00e0 m\u00e1quina roxa. Airey, al\u00e9m de um gigante nas teclas, \u00e9 o carisma em pessoa: toca sorrindo e faz quest\u00e3o de transformar seus momentos solo em divers\u00e3o. Toca a intro de <strong>\u201cMr. Crowley\u201d<\/strong> que ele gravou com <strong>Ozzy Osbourne<\/strong>, executa <strong>\u201cAquarela do Brasil\u201d<\/strong>, deixa uma nota soando por quase um minuto enquanto coloca cerveja no copo \u2014 em vez de vinho na ta\u00e7a, como na apresenta\u00e7\u00e3o de 2024.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de bebida \u00e9, ali\u00e1s, uma das duas \u00fanicas diferen\u00e7as do show realizado no ano passado. A outra foi o corte de <strong>\u201cPortable Door\u201d<\/strong>, can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum mais recente, <em><strong>=1<\/strong><\/em> (2024), que acabou representado por outras tr\u00eas faixas: <strong>\u201cA Bit on the Side\u201d<\/strong>, <strong>\u201cLazy Sod\u201d<\/strong> e <strong>\u201cBleeding Obvious\u201d<\/strong>. Foram, junto da ligeiramente pretensiosa <strong>\u201cUncommon Man\u201d<\/strong> \u2014 dedicada ao saudoso tecladista original <strong>Jon Lord<\/strong> \u2014, os momentos de menor engajamento do p\u00fablico.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"O baterista Ian Paice, do Deep Purple, em show no Best of Blues and Rock 2025\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/06\/deep-purple-ian-paice-best-of-blues-and-rock-2025-foto-ellen-artie.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>O baterista Ian Paice, do Deep Purple, em show no Best of Blues and Rock 2025 &#8211; Foto: Ellen Artie @ellenartie<\/figcaption><\/figure>\n<p>De resto, s\u00f3 acertos. A abertura com <strong>\u201cHighway Star\u201d<\/strong> chega a colocar Ian Gillan no limite de sua performance vocal, mas ele se sai bem. Um baita aquecimento antes de executar <strong>\u201cHard Lovin\u2019 Man\u201d<\/strong>, ainda que os berros mais fortes sejam deixados de lado nesta, e <strong>\u201cInto the Fire\u201d<\/strong>, aqui, sim, com execu\u00e7\u00e3o desafiadora e bastante similar \u00e0 vers\u00e3o gravada 55 anos atr\u00e1s, no disco <em><strong>In Rock<\/strong><\/em> (1970).<\/p>\n<p>J\u00e1 no miolo do set, o groove caracter\u00edstico de <strong>\u201cLazy\u201d<\/strong> e a emotiva <strong>\u201cWhen a Blind Man Cries\u201d<\/strong> prepararam o p\u00fablico para um destaque inusitado: <strong>\u201cAnya\u201d<\/strong>, faixa n\u00e3o t\u00e3o conhecida globalmente de <em><strong>The Battle Rages On\u2026<\/strong><\/em>\u00a0(1993) que desde 2022 virou presen\u00e7a garantida no setlist. No Brasil, a can\u00e7\u00e3o virou uma esp\u00e9cie de hit de r\u00e1dio rock, o que justifica a rea\u00e7\u00e3o entusiasmada de quem assistia.<\/p>\n<p>A quadra final, separada por uma breve pausa, foi imbat\u00edvel. A divertida <strong>\u201cSpace Truckin\u2019\u201d<\/strong> e a cl\u00e1ssica <strong>\u201cSmoke on the Water\u201d<\/strong>, com direito a silenciar a banda e jogar para a plateia cantar o refr\u00e3o, encerraram o set regular, enquanto <strong>\u201cHush\u201d<\/strong>, cover de <strong>Joe South<\/strong>, e <strong>\u201cBlack Night\u201d<\/strong>, faixa que se tornou cl\u00e1ssica mesmo sem entrar em um disco originalmente, deram contornos finais n\u00e3o apenas \u00e0 performance irretoc\u00e1vel do Deep Purple, como, tamb\u00e9m, \u00e0 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Best of Blues and Rock. Que venha a realiza\u00e7\u00e3o de 2026.<\/p>\n<p>Repert\u00f3rio:<\/p>\n<ol>\n<li>Highway Star<\/li>\n<li>A Bit on the Side<\/li>\n<li>Hard Lovin\u2019 Man<\/li>\n<li>Into the Fire<\/li>\n<li>Solo de guitarra<\/li>\n<li>Uncommon Man<\/li>\n<li>Lazy Sod<\/li>\n<li>Solo de teclado<\/li>\n<li>Lazy<\/li>\n<li>When a Blind Man Cries<\/li>\n<li>Anya<\/li>\n<li>Solo de teclado<\/li>\n<li>Bleeding Obvious<\/li>\n<li>Space Truckin\u2019<\/li>\n<li>Smoke on the Water<\/li>\n<\/ol>\n<p>Bis:<\/p>\n<ol start=\"16\">\n<li>Green Onions (cover de Booker T. &amp; the MG\u2019s)<\/li>\n<li>Hush (cover de Joe South)<\/li>\n<li>Black Night<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Alice Cooper oferece muito mais do que \u201crock teatral\u201d no Best of Blues and Rock<\/strong><br \/><strong>+++ LEIA MAIS: <\/strong><strong>Dilemas \u00e0 parte, Charlie Brown Jr de Marc\u00e3o e Thiago agrada no Best of Blues and Rock<\/strong><br \/><strong>+++ LEIA MAIS: Som pesado do Black Pantera quebra barreiras no Best of Blues and Rock<br \/>+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram<br \/>+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram<br \/><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/deep-purple-surpreende-sem-surpreender-ao-fechar-o-12-best-of-blues-and-rock\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soa absurdo, mas aconteceu: quando a organiza\u00e7\u00e3o do Best of Blues and Rock anunciou o Deep Purple como uma das atra\u00e7\u00f5es para sua 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o, teve quem reclamasse. 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