{"id":26235,"date":"2025-06-12T23:20:01","date_gmt":"2025-06-13T02:20:01","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/predio-vazio-e-grito-de-ousadia-do-horror-brasileiro-contra-o-cinema-domesticado\/"},"modified":"2025-06-12T23:20:01","modified_gmt":"2025-06-13T02:20:01","slug":"predio-vazio-e-grito-de-ousadia-do-horror-brasileiro-contra-o-cinema-domesticado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/predio-vazio-e-grito-de-ousadia-do-horror-brasileiro-contra-o-cinema-domesticado\/","title":{"rendered":"Pr\u00e9dio Vazio \u00e9 grito de ousadia do horror brasileiro contra o cinema domesticado"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p data-end=\"672\" data-start=\"172\">Ap\u00f3s evocar cemit\u00e9rios malditos em <em><strong>O Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas<\/strong><\/em> (2020), cruzados hereges em <em><strong>As F\u00e1bulas Negras<\/strong><\/em> (2015) e caranguejos zumbis em <em><strong>Mar Negro<\/strong><\/em>\u00a0(2013), o cineasta <strong>Rodrigo Arag\u00e3o<\/strong> abandona o campo para encarar o concreto.<\/p>\n<p data-end=\"672\" data-start=\"172\">Em <strong><em data-end=\"322\" data-start=\"308\">Pr\u00e9dio Vazio<\/em><\/strong>, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (12), o capixaba estreia no cen\u00e1rio urbano com um terror estilizado, alucinado e surpreendentemente \u00edntimo. Ambientado em um edif\u00edcio \u00e0 beira-mar e quase desabitado em Guarapari, o filme \u00e9 uma ode ao horror de cores berrantes, possess\u00f5es demon\u00edacas e corredores claustrof\u00f3bicos, mas tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria sobre maternidade, abandono e corpos em muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-end=\"1559\" data-start=\"674\">A mudan\u00e7a de cen\u00e1rio n\u00e3o suaviza o estilo de <strong>Arag\u00e3o<\/strong>. Ao contr\u00e1rio: o que vemos aqui \u00e9 a radicaliza\u00e7\u00e3o de uma linguagem que j\u00e1 vinha se afirmando como uma das mais autorais do cinema de g\u00eanero no Brasil desde que o diretor estreou em longas com <em><strong>Mangue Negro<\/strong><\/em>, em 2008.<\/p>\n<p data-end=\"1559\" data-start=\"674\"><strong><em data-end=\"891\" data-start=\"877\">Pr\u00e9dio Vazio<\/em><\/strong> troca o barro e os dentes apodrecidos por neon e canos enferrujados, sem deixar de ser visceral, destacando-o como uma obra rara, que ousa existir em um cen\u00e1rio contempor\u00e2neo cada vez mais pasteurizado, oferecendo uma experi\u00eancia sensorial e ferozmente brasileira, com ecos demon\u00edacos de <strong>Z\u00e9 do Caix\u00e3o<\/strong>. H\u00e1 tamb\u00e9m refer\u00eancias a\u00a0<strong><em data-end=\"1142\" data-start=\"1132\">Suspiria<\/em><\/strong> (1977) nas cores saturadas, a <strong><em data-end=\"1184\" data-start=\"1179\">REC<\/em><\/strong> (2007) no uso do espa\u00e7o confinado, e at\u00e9 <strong><em data-end=\"1239\" data-start=\"1228\">Possess\u00e3o<\/em><\/strong> (1981), na fisicalidade dos corpos ensanguentados em descontrole.\u00a0<\/p>\n<p data-end=\"2327\" data-start=\"1561\">O pr\u00e9dio do t\u00edtulo n\u00e3o est\u00e1 vazio \u00e0 toa. Ele funciona como um espa\u00e7o do del\u00edrio, um limbo de classe m\u00e9dia decadente onde fantasmas do passado ganham carne. A protagonista <strong>Luna<\/strong>, vivida por <strong>Lorena Corr\u00eaa<\/strong> (<em><strong>Silencioso Desespero<\/strong><\/em>), retorna ao edif\u00edcio em busca da m\u00e3e desaparecida ap\u00f3s o \u00faltimo dia de Carnaval. L\u00e1, encontra uma zeladora misteriosa (<strong>Gilda Nomacce<\/strong>, <em><strong>As Boas Maneiras<\/strong><\/em>) e um mal difuso, que transforma o concreto em carne pulsante. <strong>Arag\u00e3o<\/strong> aposta nos efeitos pr\u00e1ticos, sua especialidade, fazendo das sequ\u00eancias de viol\u00eancia um espet\u00e1culo \u00e0 parte: do verniz corporal viscoso \u00e0 coreografia dos dem\u00f4nios, tudo \u00e9 feito com materialidade palp\u00e1vel, sem depender de computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica.<\/p>\n<p data-end=\"2787\" data-start=\"2329\">Os atores mergulham no caos f\u00edsico e emocional exigido por um terror que n\u00e3o d\u00e1 descanso. A presen\u00e7a da veterana <strong>Gilda<\/strong>, reconhecida por muitos como um \u00edcone do cinema de g\u00eanero brasileiro, \u00e9 um acerto absoluto. Ela entra em cena como um furac\u00e3o e imprime camadas \u00e0 figura da zeladora que assombra os corredores, um tipo de espectro urbano, ferido por abandono, cuja performance ressoa entre o grotesco e o pat\u00e9tico \u2014 no bom sentido. Seus olhares e seus trejeitos s\u00e3o de dar frio na espinha. A atriz est\u00e1 no auge da carreira \u2014 ou melhor, jamais deixou de estar.<\/p>\n<p data-end=\"2787\" data-start=\"2329\">Cru enquanto g\u00eanero,\u00a0<em><strong>Pr\u00e9dio Vazio<\/strong><\/em> n\u00e3o \u00e9 do tipo que se esconde atr\u00e1s de met\u00e1foras envergonhadas. Ao contr\u00e1rio do que se v\u00ea em boa parte do cinema de terror dito \u201celevado\u201d, a novidade n\u00e3o tem medo de assumir suas origens. N\u00e3o se desculpa por ser barulhento, sujo ou exagerado. H\u00e1 quem possa dizer que isso o afasta de um lugar mais \u201csofisticado\u201d, mas \u00e9 justamente essa coragem que o aproxima do cora\u00e7\u00e3o do g\u00eanero. O filme soa honesto naquilo que prop\u00f5e: entre um grito e outro, fala de luto, solid\u00e3o e da viol\u00eancia cotidiana de pr\u00e9dios abandonados por fam\u00edlias, pelo Estado e pela pr\u00f3pria f\u00e9.<\/p>\n<p data-end=\"3326\" data-start=\"2789\">Com a nossa cara, <em><strong>Pr\u00e9dio Vazio<\/strong><\/em> \u00e9 um grito de ousadia da produ\u00e7\u00e3o brasileira diante de um cinema cada vez mais domesticado. Essa brasilidade est\u00e1 por todos os lugares e tamb\u00e9m nos detalhes: no peixinho frito e na cervejinha \u00e0 beira-mar, nas carrancas no hall do pr\u00e9dio, na rodovi\u00e1ria feiosa, na reclama\u00e7\u00e3o do motorista de aplicativo etc., <strong>Arag\u00e3o<\/strong> entende que esse reconhecimento de territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 obst\u00e1culo para o terror, mas sua for\u00e7a propulsora.<\/p>\n<p data-end=\"3326\" data-start=\"2789\">Em vez de copiar padr\u00f5es globais, ele os confronta com uma est\u00e9tica e um regionalismo que assumem o barroco tropical como forma de express\u00e3o leg\u00edtima do horror. <strong>Arag\u00e3o<\/strong> n\u00e3o est\u00e1 apenas fazendo terror no Brasil, ele est\u00e1 fazendo terror <em>do<\/em> Brasil. E, com isso, segue expandindo os limites do que o nosso cinema pode ser quando decide n\u00e3o ter medo de assustar.<\/p>\n<p><iframe title=\"PREDIO VAZIO | Teaser\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DBirohw-ZY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong>Pecadores se torna a 6\u00aa maior bilheteria de um filme de terror do cinema<\/p>\n<blockquote class=\"amdb-polls\" contenteditable=\"false\" data-sid=\"\/polls\/14\/embed\/\">\n<p>Qual foi o melhor filme de 2025 at\u00e9 agora? 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