{"id":25991,"date":"2025-06-11T11:37:44","date_gmt":"2025-06-11T14:37:44","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/o-legado-de-um-revolucionario-do-avant-funk\/"},"modified":"2025-06-11T11:37:44","modified_gmt":"2025-06-11T14:37:44","slug":"o-legado-de-um-revolucionario-do-avant-funk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-legado-de-um-revolucionario-do-avant-funk\/","title":{"rendered":"o legado de um revolucion\u00e1rio do Avant-Funk"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Obrigado pela festa, mas <strong>Sly<\/strong> nunca p\u00f4de ficar. <strong>Sly Stone<\/strong> sempre foi o homem-mist\u00e9rio definitivo da m\u00fasica americana, um g\u00eanio vision\u00e1rio que transformou o mundo com alguns dos sons mais inovadores das d\u00e9cadas de 1960 e 1970. Com o <strong>Sly &amp; the Family Stone<\/strong>, ele fundiu funk, soul e acid rock em um som ut\u00f3pico pr\u00f3prio, em sucessos como \u201c<strong>Family Affair<\/strong>\u201d e \u201c<strong>Everyday People<\/strong>\u201d. Ainda assim, permaneceu uma figura elusiva, praticamente desaparecendo nos anos 1970. Quando morreu nesta segunda-feira, 9, pareceu estranho saber que tinha \u201capenas\u201d 82 anos \u2014 ele parecia ainda mais velho, como se j\u00e1 tivesse sobrevivido a si mesmo por d\u00e9cadas. Mas sua m\u00fasica ainda soa t\u00e3o ousadamente futurista e influente como sempre, e \u00e9 por isso que o mundo continua sentindo essa perda.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m nunca soou como ele. <strong>Sly<\/strong> sabia escrever m\u00fasicas inspiradoras sobre uni\u00e3o \u2014 hinos como \u201c<strong>I Want to Take You Higher<\/strong>\u201d, que transformavam multid\u00f5es ao vivo em tribos euf\u00f3ricas, ou sucessos animadores como \u201c<strong>Stand!<\/strong>\u201d e \u201c<strong>Everybody Is a Star<\/strong>\u201d, que podem te alcan\u00e7ar em um momento solit\u00e1rio e fazer voc\u00ea sentir que o resto da sua vida \u00e9 uma chance de se elevar ao desafio que a can\u00e7\u00e3o prop\u00f5e.<\/p>\n<p>Mas isso sempre vinha acompanhado do senso de trai\u00e7\u00e3o e raiva das ruas. \u201c<strong>Everybody Is a Star<\/strong>\u201d soa como uma can\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 esperan\u00e7a humana, radiante em cada detalhe sonoro, com <strong>Sly<\/strong> cantando \u201c<em>Shine, shine, shine!<\/em>\u201d Mas tamb\u00e9m traz a pergunta estranha: \u201cJ\u00e1 tentou pegar uma estrela cadente? Ela s\u00f3 para quando chega ao ch\u00e3o.\u201d <strong>Sly Stone<\/strong> queria te lembrar que voc\u00ea era a estrela de esperan\u00e7a no c\u00e9u \u2014 mas tamb\u00e9m podia ser a estrela que despenca at\u00e9 virar uma cratera.<\/p>\n<p>Todas as suas contradi\u00e7\u00f5es se encontram em sua maior m\u00fasica, o estouro de funk de 1970 \u201c<strong>Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)<\/strong>\u201d, com o ataque de estocadas mais feroz entre baixo e guitarra j\u00e1 feito. O refr\u00e3o parece alegre \u00e0 primeira ouvida: \u201cObrigado por me deixar ser eu mesmo de novo!\u201d Mas quanto mais se ouve, mais se percebe o medo e a raiva. Para <strong>Sly<\/strong>, com toda sua fama e fortuna, tudo se resumia a isso: olhando para o diabo. Sorrindo para a arma dele. Os dedos come\u00e7am a tremer. Come\u00e7o a correr. \u00c9 um haicai da morte, ainda mais assustador por ser cantado como um grito de festa. As balas come\u00e7am a perseguir. Come\u00e7o a parar. Come\u00e7amos a lutar. Eu estava por cima. A batida continua girando, mas sem resolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 vit\u00f3ria na batalha de <strong>Sly<\/strong> com o diabo \u2014 apenas o triunfo tempor\u00e1rio de ainda n\u00e3o ter sido derrotado.<\/p>\n<p><strong>Family Stone<\/strong> era seu ideal de banda como uma comunidade aut\u00f4noma, unindo m\u00fasicos de ra\u00e7as diferentes, g\u00eaneros diferentes, alguns amigos, alguns parentes \u2014 todos com uma voz. Sua <strong>Family Stone<\/strong> criou o modelo para in\u00fameros coletivos musicais: <strong>Native Tongues<\/strong>, <strong>Prince and the Revolution<\/strong>, <strong>Afrika Bambaataa<\/strong> e a <strong>Zulu Nation<\/strong>, <strong>Wu-Tang Clan<\/strong>, <strong>OutKast<\/strong> e a <strong>Dungeon Family<\/strong>, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>\u201cO conceito por tr\u00e1s do <strong>Sly &amp; the Family Stone<\/strong>\u201d, disse ele \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> em 1970, \u201cera dar chance de todo mundo suar. Quero dizer\u2026 se havia algo pra se alegrar, todo mundo se alegrava. Se havia muito dinheiro a ganhar, qualquer um podia ganhar. Se havia muitas m\u00fasicas a cantar, todo mundo cantava. \u00c9 assim que \u00e9 agora. E, se tivermos algo a sofrer ou uma cruz a carregar \u2014 n\u00f3s carregamos juntos.\u201d<\/p>\n<p>Alguns dos integrantes eram cantores virtuosos, outros s\u00f3 preenchiam uma linha ou duas, mas sempre havia aquele esp\u00edrito tribal ut\u00f3pico. Sua banda era uma mistura vision\u00e1ria do funk colaborativo de <strong>James Brown<\/strong>\/<strong>Stax<\/strong>\/<strong>Muscle Shoals<\/strong> com a improvisa\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica das bandas hippies da cena acid rock de San Francisco, onde ele conquistou seus primeiros seguidores. Como ele mesmo dizia no t\u00edtulo do primeiro disco: era uma <em><strong>A Whole New Thing<\/strong><\/em> \u2014 um som radicalmente democr\u00e1tico onde todo mundo era estrela.<\/p>\n<p>O carisma duro de <strong>Sly<\/strong> fez dele uma figura \u00fanica na cultura pop dos anos 70 \u2014 distante, cool, inalcan\u00e7\u00e1vel, escondido atr\u00e1s de um sorriso que brilhava como vidro \u00e0 prova de balas. Ele aparecia em programas como a sitcom <em><strong>Good Times<\/strong><\/em>, ambientada em um conjunto habitacional de Chicago, onde a adolescente descolada Thelma tinha p\u00f4steres de <strong>Sly<\/strong> e <strong>Stevie Wonder<\/strong> no quarto \u2014 quase como g\u00eameos anjo-bom\/anjo-mau. Um comediante da <strong>BET<\/strong> fazia uma rotina hil\u00e1ria sobre crescer nos anos 70 e ver <strong>Soul Train<\/strong>: \u201cQuando crian\u00e7a, eu n\u00e3o sabia o que era droga. S\u00f3 sabia que tinha algo errado com o <strong>Sly<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Essas contradi\u00e7\u00f5es estavam sempre embutidas em sua m\u00fasica. \u201c<strong>If It Were Left Up to Me<\/strong>\u201d \u00e9 uma de suas joias mais sarc\u00e1sticas e engra\u00e7adas \u2014 um funk r\u00e1pido de 1973, cheio de promessas c\u00ednicas e jogos de palavras, terminando com um ir\u00f4nico \u201c<em>Cha-cha-cha!<\/em>\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 \u201c<strong>Que Sera Sera<\/strong>\u201d, tamb\u00e9m de 1973, pega o velho cl\u00e1ssico otimista de <strong>Doris Day<\/strong> e transforma em um lamento arrastado, cheio de medo, um aviso de que o destino est\u00e1 contra voc\u00ea. \u201c<strong>Que Sera Sera<\/strong>\u201d ganhou nova vida em 1989 como o encerramento perfeito de <strong>Heathers<\/strong>, com <strong>Winona Ryder<\/strong> desfilando pela escola coberta de fuligem e cinzas. Quando <strong>Shannen Doherty<\/strong> diz \u201cvoc\u00ea est\u00e1 horr\u00edvel\u201d, <strong>Winona<\/strong> responde com um sorriso: \u201cAcabei de voltar.\u201d Uma frase totalmente <strong>Sly<\/strong> \u2014 por isso \u00e9 apropriado que <strong>Heathers<\/strong> tenha feito de \u201c<strong>Que Sera Sera<\/strong>\u201d o hit mais pr\u00f3ximo de um retorno que ele teve nos anos 1980 ou 1990.<\/p>\n<p><strong>Sly Stone<\/strong> nasceu no Texas, mas foi criado em Vallejo, cidade oper\u00e1ria na Bay Area. Aos cinco anos gravou seu primeiro disco com o grupo gospel da fam\u00edlia, <strong>The Stewart Four<\/strong>. J\u00e1 era um prod\u00edgio musical, dominando piano, guitarra, baixo e bateria. Jovem ainda, virou DJ na r\u00e1dio <strong>KSOL<\/strong> (\u201c<strong>Super Soul<\/strong>\u201d), onde cultivou seu gosto ecl\u00e9tico. \u201cTocava <strong>Dylan<\/strong>, <strong>Lord Buckley<\/strong>, os <strong>Beatles<\/strong>. Toda noite testava algo novo\u201d, disse em 1970. \u201cEu realmente n\u00e3o sabia o que estava fazendo. Era tudo por instinto. Se tinha comercial de laxante, eu botava o som de uma descarga. Sen\u00e3o ia ficar chato.\u201d<\/p>\n<p>Mas logo se cansou das limita\u00e7\u00f5es do r\u00e1dio. \u201cNo r\u00e1dio\u201d, ele dizia, \u201cdescobri muitas coisas que eu n\u00e3o gosto. Tipo, acho que n\u00e3o deveria existir \u2018r\u00e1dio black\u2019. S\u00f3 r\u00e1dio. Todo mundo faz parte de tudo.\u201d<\/p>\n<p>Trabalhou como produtor na <strong>Autumn Records<\/strong>, gravadora local, onde produziu o hit dan\u00e7ante \u201c<strong>C\u2019Mon and Swim<\/strong>\u201d de <strong>Bobby Freeman<\/strong>, em 1964. Mas tamb\u00e9m mergulhou no folk rock inovador dos <strong>Beau Brummels<\/strong>, com cl\u00e1ssicos de 1965 como \u201c<strong>Don\u2019t Talk to Strangers<\/strong>\u201d, \u201c<strong>You Tell Me Why<\/strong>\u201d e \u201c<strong>Not Too Long Ago<\/strong>\u201d, j\u00e1 com o tom melanc\u00f3lico que traria para sua pr\u00f3pria banda. Tamb\u00e9m produziu uma das primeiras bandas hippies da Bay Area, o grupo pr\u00e9-<strong>Jefferson Airplane<\/strong> de <strong>Grace Slick<\/strong>, <strong>The Great Society<\/strong>. Para o single de estreia deles \u2014 \u201c<strong>Free Advice<\/strong>\u201d de um lado, \u201c<strong>Somebody to Love<\/strong>\u201d do outro \u2014 <strong>Sly<\/strong> os empurrou por 286 takes.<\/p>\n<p>Mas a li\u00e7\u00e3o mais valiosa na <strong>Autumn<\/strong> foi ver todo mundo sendo passado para tr\u00e1s. Foi sua primeira decep\u00e7\u00e3o no mundo da m\u00fasica \u2014 e ele prometeu que seria a \u00faltima. Nunca mais se envolveu com projetos que n\u00e3o controlava. Come\u00e7ou ent\u00e3o a montar sua pr\u00f3pria banda, inspirado pela cena roqueira livre de lugares como <strong>Family Dog<\/strong> e <strong>Fillmore<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO conceito era conseguir conceber todos os tipos de m\u00fasica\u201d, disse em 1970. \u201cO que fosse contempor\u00e2neo, n\u00e3o necessariamente comercial \u2014 o que fosse relevante no agora. Como hoje, coisas como censura, e a quest\u00e3o entre brancos e negros. Isso est\u00e1 na minha cabe\u00e7a. Ent\u00e3o s\u00f3 queremos performar aquilo que est\u00e1 em nossa mente.\u201d<\/p>\n<p>Quando o mundo ouviu \u201c<strong>Dance to the Music<\/strong>\u201d, ningu\u00e9m conseguiu resistir. Vieram sucessos como \u201c<strong>Everyday People<\/strong>\u201d, \u201c<strong>M\u2019Lady<\/strong>\u201d, \u201c<strong>Stand!<\/strong>\u201d, \u201c<strong>Hot Fun in the Summertime<\/strong>\u201d. <strong>Family<\/strong> foi o destaque de <strong>Woodstock<\/strong>, transformando \u201c<strong>I Want to Take You Higher<\/strong>\u201d em um grande canto hippie. O p\u00fablico sempre queria mais do <strong>Sly<\/strong> \u2014 especialmente por causa das promessas ut\u00f3picas em suas m\u00fasicas.<\/p>\n<p>Mas ele foi o primeiro grande astro a fazer da aus\u00eancia uma assinatura art\u00edstica: atrasava propositalmente, faltava shows, era combativo nas entrevistas. Tamb\u00e9m demorava demais para lan\u00e7ar novos discos \u2014 depois de <em><strong>Stand!<\/strong><\/em>, deixou todo mundo esperando 18 meses por novas m\u00fasicas, for\u00e7ando a gravadora a lan\u00e7ar o <strong>Greatest Hits<\/strong>. (O atraso deu tempo para a <strong>Motown<\/strong> criar o substituto perfeito: os <strong>Jackson 5<\/strong>, com hits parecidos como \u201c<strong>I Want You Back<\/strong>\u201d e \u201c<strong>The Love You Save<\/strong>.\u201d)<\/p>\n<p>Quando finalmente voltou, chocou o mundo com <em><strong>There\u2019s a Riot Goin\u2019 On<\/strong><\/em> \u2014 uma recusa radical em jogar o jogo comercial, com batidas lo-fi e funk experimental. Foi o prot\u00f3tipo de desvios criativos como <em><strong>Kid A<\/strong><\/em>, do <strong>Radiohead<\/strong>, ou <em><strong>In Utero<\/strong><\/em>, do <strong>Nirvana<\/strong> \u2014 e, como esses, vendeu muito. \u201c<strong>Family Affair<\/strong>\u201d \u00e9 o cl\u00e1ssico mais conhecido, com a guitarra blues de <strong>Bobby Womack<\/strong>, em uma hist\u00f3ria de um casal rec\u00e9m-casado se desfazendo. Mas tamb\u00e9m tem joias como \u201c<strong>Spaced Cowboy<\/strong>\u201d, com batidas que lembram <strong>Young Marble Giants<\/strong>, antes de se transformar em um orgulhoso del\u00edrio drogado com i\u00f3dolos ir\u00f4nicos do Velho Oeste. \u201cN\u00e3o posso dizer mais de uma vez, porque penso duas vezes mais r\u00e1pido\u201d, ele rosna. \u201cYodel-ay-hee, yay-hee-hoo!\u201d<\/p>\n<p>O momento mais duro \u00e9 \u201c<strong>Africa Talks to You (The Asphalt Jungle)<\/strong>\u201d, com o refr\u00e3o: \u201cTimberrrr! Todos caem!\u201d Ele disse \u00e0 <em><strong>Rolling Stone<\/strong><\/em> na \u00e9poca: \u201cEscrevi uma m\u00fasica sobre a \u00c1frica porque l\u00e1, os animais s\u00e3o animais. O tigre \u00e9 um tigre, a cobra \u00e9 uma cobra, voc\u00ea sabe o que ela vai fazer. Aqui em Nova York, a selva de asfalto, um tigre ou uma cobra pode aparecer parecendo, uhhh, voc\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>Ele mudou novamente com <em><strong>Fresh<\/strong><\/em>, de 1973 \u2014 seu funk mais animado e otimista, j\u00e1 come\u00e7ando com \u201c<strong>In Time<\/strong>\u201d. \u00c9 alegre e espalhafatoso como <em><strong>Riot<\/strong><\/em> era hostil, mas n\u00e3o menos desafiador. \u201c<strong>Let Me Have It All<\/strong>\u201d \u00e9 a m\u00fasica de amor mais aberta que ele j\u00e1 fez, em ritmo e voz. Mas o \u00e1lbum inteiro paira entre euforia drogada e colapso. \u201c<strong>If You Want Me to Stay<\/strong>\u201d, com sua linha de baixo sonolenta e malandra, avisa que n\u00e3o se pode contar com ele \u2014 especialmente se voc\u00ea comprou ingresso para um show onde ele nem apareceu.<\/p>\n<p>Depois de <em><strong>Fresh<\/strong><\/em>, sua m\u00fasica despencou. Vieram os fracassos de retorno como <em><strong>Small Talk<\/strong><\/em>, <em><strong>High on You<\/strong><\/em> e <em><strong>Heard Ya Missed Me<\/strong><strong>, Well I\u2019m Back<\/strong><\/em>, com o falso hino \u201c<strong>Family Again<\/strong>\u201d. Todos ainda roubavam suas ideias \u2014 especialmente <strong>Miles Davis<\/strong> \u2014 mas o pr\u00f3prio <strong>Sly<\/strong> sumiu. Tabloides noticiavam: viciado, falido, vivendo num carro. Os \u00faltimos \u00e1lbuns passaram despercebidos, com t\u00edtulos for\u00e7ados como <em><strong>Back on the Right Track<\/strong><\/em> ou <em><strong>Ain\u2019t But the One Way<\/strong><\/em>, que termina com \u201c<strong>High, Y\u2019All<\/strong>\u201d. Os \u00faltimos momentos de brilho foram ao lado de <strong>George Clinton<\/strong>, seu disc\u00edpulo mais vocal, no <em><strong>The Electric Spanking of War Babies<\/strong><\/em> (1981), disco do <strong>Funkadelic<\/strong>, e no hit \u201c<strong>Hydraulic Pump<\/strong>\u201d (1983), do P-Funk All-Stars \u2014 um pren\u00fancio do techno de Detroit. Mas foi seu \u00faltimo momento de gl\u00f3ria em est\u00fadio.<\/p>\n<p>Quando <strong>Sly Stone<\/strong> morreu em 9 de junho, foi poucos dias ap\u00f3s o 51\u00ba anivers\u00e1rio de seu maior ato de celebridade: casar-se no palco do <strong>Madison Square Garden<\/strong>, em 1974. Aquele casamento foi, em muitos sentidos, sua despedida da vida p\u00fablica. \u201cMorrer jovem \u00e9 dif\u00edcil, mas se vender \u00e9 pior\u201d, ele avisava em \u201c<strong>Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)<\/strong>\u201d, ainda com vinte e poucos anos. O epit\u00e1fio ideal para <strong>Sly<\/strong> \u00e9 que ele conseguiu evitar ambos.<\/p>\n<p>Mas o mundo nunca esqueceu <strong>Sly Stone<\/strong>. O excelente document\u00e1rio de <strong>Questlove<\/strong>, <em><strong>Sly Lives! (The Burden of Black Genius)<\/strong><\/em>, mostrou por qu\u00ea. Seu legado est\u00e1 por toda parte \u2014 at\u00e9 em bandas punk como <strong>Turnstile<\/strong>, que transformaram \u201c<strong>Thank You<\/strong>\u201d em \u201c<strong>T.L.C. (Turnstile Love Connection)<\/strong>\u201d. \u201c<strong>Everyday People<\/strong>\u201d talvez seja a \u00fanica m\u00fasica j\u00e1 regravada por <strong>Tom Jones<\/strong> e <strong>Joan Jett<\/strong>. \u201cPrecisamos viver juntos\u201d, diz a m\u00fasica \u2014 embora seu autor tenha feito quest\u00e3o de viver \u00e0 parte.<\/p>\n<p>Mas ele partiu como um revolucion\u00e1rio musical que n\u00e3o devia nada ao mundo. Cada despedida que precisou dar j\u00e1 estava em \u201c<strong>Thank You<\/strong>\u201d: \u201cCome\u00e7amos a lutar, eu estava por cima.\u201d <strong>Sly Stone<\/strong> definiu essa luta cont\u00ednua em sua m\u00fasica \u2014 e conseguiu transform\u00e1-la em can\u00e7\u00f5es que continuar\u00e3o mudando e desafiando o mundo para sempre. A mensagem na m\u00fasica continua clara como sempre: todo mundo \u00e9 uma estrela.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Vida, carreira e mais: saiba tudo sobre Sly Stone, \u00edcone do pop, funk e soul<\/strong><\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Sly &amp; the Family Stone: As 20 principais m\u00fasicas, segundo Rolling Stone<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/sly-stone-acreditava-que-todo-mundo-e-uma-estrela-o-legado-de-um-revolucionario-do-avant-funk\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Obrigado pela festa, mas Sly nunca p\u00f4de ficar. 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