{"id":25595,"date":"2025-06-09T06:05:47","date_gmt":"2025-06-09T09:05:47","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/a-juventude-que-grita-por-presenca\/"},"modified":"2025-06-09T06:05:47","modified_gmt":"2025-06-09T09:05:47","slug":"a-juventude-que-grita-por-presenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-juventude-que-grita-por-presenca\/","title":{"rendered":"A juventude que grita por presen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A adolesc\u00eancia brasileira, como aponta a contundente pesquisa do Instituto Papo de Homem com apoio do Pacto Global da ONU, est\u00e1 \u00e0 deriva. V\u00edtima da aus\u00eancia de refer\u00eancias, mergulhada em solid\u00e3o afetiva e contaminada por conte\u00fados t\u00f3xicos, nossa juventude vive uma silenciosa trag\u00e9dia moral. Um em cada cinco meninos entre 13 e 17 anos se declara viciado em pornografia. Outros tantos admitem depend\u00eancia de games. E mais de 14% t\u00eam em influenciadores digitais as suas principais refer\u00eancias masculinas. Esses dados, mais do que n\u00fameros, s\u00e3o clamores. Clamores por afeto, por autoridade moral e, sobretudo, por presen\u00e7a. Tudo isso fica muito claro em excelente reportagem da jornalista Renata Cafardo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Vivemos uma profunda crise de identidade masculina. A figura do pai \u2014 n\u00e3o no sentido biol\u00f3gico, mas simb\u00f3lico \u2014 est\u00e1 ausente ou fragilizada. Mais de 60% dos jovens entrevistados dizem conviver com poucos ou nenhum homem que considerem um bom exemplo de masculinidade. E talvez o dado mais alarmante: metade dos adolescentes n\u00e3o sabe dizer se \u00e9 amada por seu pai. O que poderia ser um alicerce tornou-se uma aus\u00eancia. O que deveria formar, corrige mal. O que foi feito para proteger, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender a causa. A desestrutura\u00e7\u00e3o familiar, somada \u00e0 omiss\u00e3o educacional e ao avan\u00e7o das tecnologias digitais como substitutos da conviv\u00eancia, criou uma gera\u00e7\u00e3o hipersens\u00edvel e hiper conectada, por\u00e9m emocionalmente \u00f3rf\u00e3. E uma crian\u00e7a ou adolescente emocionalmente \u00f3rf\u00e3o \u2014 ainda que viva com seus pais \u2014 est\u00e1 muito mais vulner\u00e1vel \u00e0s distor\u00e7\u00f5es do mundo adulto travestidas de entretenimento.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A s\u00e9rie \u201cAdolesc\u00eancia\u201d, da Netflix, que narra a hist\u00f3ria de um garoto de 13 anos que comete um crime b\u00e1rbaro na escola, escancarou a urg\u00eancia de um debate que h\u00e1 muito precisa ser feito: o que estamos formando? Que tipo de homem emerge dessa juventude desprovida de b\u00fassolas morais?<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A pornografia, nesse contexto, ocupa um papel central. Em artigo anterior, denunciei o poder destrutivo desse v\u00edcio \u2014 que n\u00e3o \u00e9 apenas um consumo inofensivo, como muitos insistem em afirmar, mas uma escola de desumaniza\u00e7\u00e3o. A pornografia ensina a brutaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es, distorce o olhar sobre o outro, mata a ternura e anestesia a capacidade de amar. Um adolescente viciado em pornografia n\u00e3o apenas consome imagens, mas vai sendo, pouco a pouco, deformado por elas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O v\u00edcio digital, somado \u00e0 aus\u00eancia paterna e \u00e0 invisibilidade da autoridade moral dentro de casa, tem consequ\u00eancias vis\u00edveis: aumento da viol\u00eancia, apatia escolar, impulsividade e uma crescente sensa\u00e7\u00e3o de vazio. E o que \u00e9 mais grave: muitos desses meninos n\u00e3o veem sa\u00edda. O futuro lhes parece um lugar sem sentido. Da\u00ed o fasc\u00ednio por figuras artificiais, como os influenciadores digitais, que oferecem respostas f\u00e1ceis a perguntas dif\u00edceis.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A cultura digital, por sua vez, n\u00e3o tem compromisso com a forma\u00e7\u00e3o. O algoritmo se alimenta de v\u00edcio, e o v\u00edcio \u00e9 lucrativo. Quanto mais tempo esses meninos passam diante das telas, mais se distanciam da realidade concreta. E quanto mais distantes da realidade, mais fr\u00e1geis se tornam. E quanto mais fr\u00e1geis, mais suscet\u00edveis ao consumo de conte\u00fados destrutivos. Um ciclo perverso que a aus\u00eancia familiar n\u00e3o apenas permite, mas muitas vezes legitima.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">N\u00e3o \u00e9 preciso ser um especialista para perceber que h\u00e1 algo profundamente errado na forma como a sociedade contempor\u00e2nea tem educado os meninos. As escolas hesitam, os pais se omitem e os meios de comunica\u00e7\u00e3o se calam. O resultado? Uma gera\u00e7\u00e3o \u00f3rf\u00e3, ainda que cercada de tecnologia, conforto e acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Mas h\u00e1 caminho. A reconstru\u00e7\u00e3o passa, necessariamente, pela fam\u00edlia. Em artigos anteriores, defendi com convic\u00e7\u00e3o que \u00e9 na fam\u00edlia \u2014 e apenas nela \u2014 que se estabelece a verdadeira forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter. \u00c9 na conviv\u00eancia familiar que se molda o cora\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que muitas fam\u00edlias terceirizaram essa miss\u00e3o. Pais exaustos, m\u00e3es sobrecarregadas, lares sem tempo. A rotina esmaga o di\u00e1logo, e o di\u00e1logo \u00e9 substitu\u00eddo por telas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Reaprender a conviver, reaprender a estar junto. Esse \u00e9 o desafio. Os adolescentes n\u00e3o precisam de perfei\u00e7\u00e3o, mas de presen\u00e7a. Precisam de pais que digam \u201ceu te amo\u201d, de homens que mostrem, pelo exemplo, o que significa ser forte sem ser violento, decidido sem ser opressor, sens\u00edvel sem ser fr\u00e1gil.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Precisamos resgatar o valor da autoridade. Autoridade n\u00e3o como autoritarismo, mas como referencial. Toda crian\u00e7a precisa saber que existe um limite. E que esse limite n\u00e3o \u00e9 uma puni\u00e7\u00e3o, mas um ato de amor. Num mundo onde tudo \u00e9 permitido, o jovem se perde. \u00c9 a ordem que forma. \u00c9 o \u201cn\u00e3o\u201d que protege.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O futuro dos meninos \u2014 e, por extens\u00e3o, da sociedade \u2014 depender\u00e1 da nossa coragem de resgatar os valores perenes. Isso significa dizer n\u00e3o ao relativismo moral, enfrentar a normaliza\u00e7\u00e3o da pornografia, romper com a cultura do \u201cdeixa estar\u201d. Isso significa, sobretudo, voltar para casa. Reconstruir o lar. Reconstruir a autoridade do pai, o afeto da m\u00e3e, o di\u00e1logo com os filhos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A juventude grita por presen\u00e7a. Que n\u00e3o sejamos surdos.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/carlos-alberto-di-franco\/juventude-grita-presenca\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A adolesc\u00eancia brasileira, como aponta a contundente pesquisa do Instituto Papo de Homem com apoio do Pacto Global da ONU, est\u00e1 \u00e0 deriva. V\u00edtima da aus\u00eancia de refer\u00eancias, mergulhada em solid\u00e3o afetiva e contaminada por conte\u00fados t\u00f3xicos, nossa juventude vive uma silenciosa trag\u00e9dia moral. 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