{"id":25478,"date":"2025-06-07T21:28:08","date_gmt":"2025-06-08T00:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/era-trump-coloca-em-xeque-papel-das-organizacoes-internacionais\/"},"modified":"2025-06-07T21:28:08","modified_gmt":"2025-06-08T00:28:08","slug":"era-trump-coloca-em-xeque-papel-das-organizacoes-internacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/era-trump-coloca-em-xeque-papel-das-organizacoes-internacionais\/","title":{"rendered":"Era Trump coloca em xeque papel das organiza\u00e7\u00f5es internacionais"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) foram criadas para enfrentar crises globais que pa\u00edses sozinhos n\u00e3o conseguiriam dar conta \u2014 como pandemias, guerras, colapsos econ\u00f4micos. Por muito tempo, tais institui\u00e7\u00f5es funcionaram como uma esp\u00e9cie de \u201c\u00e1rbitras\u201d das grandes quest\u00f5es do planeta. Mas esse cen\u00e1rio, ao que tudo indica, est\u00e1 come\u00e7ando a mudar.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Burocracia, lentid\u00e3o e decis\u00f5es consideradas cada vez mais distantes da realidade dos pa\u00edses-membros fizeram crescer as cr\u00edticas da sociedade contra essas institui\u00e7\u00f5es \u2014 cr\u00edticas que ganharam novo f\u00f4lego com a ascens\u00e3o de l\u00edderes como Donald Trump, que desafiam abertamente o antigo consenso internacional. O que antes era visto como pilar da ordem internacional, agora, para muitos, passou a ser considerado um obst\u00e1culo aos interesses nacionais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A OMS \u00e9 um caso emblem\u00e1tico desse novo momento. Criada para liderar respostas globais em sa\u00fade, a entidade passou a ser alvo de cr\u00edticas especialmente durante a pandemia de Covid-19, sendo acusada de lentid\u00e3o, arbitrariedade e excesso de influ\u00eancia pol\u00edtica \u2014 principalmente por parte da China. Com a volta de Trump ao poder, os Estados Unidos anunciaram a sa\u00edda da OMS, desencadeando quase um efeito domin\u00f3: a Argentina de Javier Milei seguiu a mesma trilha e uniu for\u00e7as com Washington para propor a cria\u00e7\u00e3o de uma nova organiza\u00e7\u00e3o internacional de sa\u00fade, prometendo mais &#8220;transpar\u00eancia e menos burocracia&#8221;. O gesto de ambos os pa\u00edses escancarou o quanto a legitimidade das institui\u00e7\u00f5es internacionais est\u00e1 em xeque neste momento. Os americanos eram os maiores financiadores da OMS \u2013 que, sem a verba de Washington, j\u00e1 anunciou medidas de conten\u00e7\u00e3o, incluindo a redu\u00e7\u00e3o de seu or\u00e7amento para o per\u00edodo de 2026-2027 em cerca de 21%.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A ONU tamb\u00e9m atravessa sua pior crise em anos. Sob o governo Trump, a entidade sofreu atrasos e cortes dr\u00e1sticos nos repasses dos Estados Unidos, levando \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o, nesta semana, de que quase sete mil cargos ser\u00e3o eliminados a partir de janeiro de 2026. Mas o abalo vai al\u00e9m das finan\u00e7as: a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 alvo de cr\u00edticas severas de Israel, que acusa a ONU de adotar posi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao grupo terrorista Hamas em atos p\u00fablicos e vota\u00e7\u00f5es recentes. Investiga\u00e7\u00f5es israelenses tamb\u00e9m revelaram que a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA) empregava terroristas ligados aos ataques do dia 7 de outubro de 2023, que resultou em um grande massacre de civis em Israel. Essa combina\u00e7\u00e3o de cortes, pol\u00eamicas e aparente dificuldade de se manter neutra nas quest\u00f5es internacionais intensificou a crise de confian\u00e7a em torno das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No com\u00e9rcio internacional, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) enfrenta paralisia desde que os EUA, sob Trump, bloquearam a nomea\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes para o \u00f3rg\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. Os americanos afirmam que o sistema serve apenas para beneficiar a China e n\u00e3o responde \u00e0s disputas do com\u00e9rcio digital e de propriedade intelectual. O resultado desta medida tem sido uma OMC cada vez menos relevante como \u00e1rbitra de disputas entre grandes pot\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Nem mesmo a Otan est\u00e1 escapando desta atual crise de credibilidade. Os Estados Unidos, sob Trump, t\u00eam exigido que aliados europeus aumentem seus gastos militares, deixando claro que n\u00e3o pretendem mais arcar sozinhos com a conta da seguran\u00e7a coletiva. Em 2024, apenas um ter\u00e7o dos membros da alian\u00e7a atingiu a meta m\u00ednima de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) destinados \u00e0 defesa. As cobran\u00e7as p\u00fablicas dos americanos acabam expondo para potenciais advers\u00e1rios o desequil\u00edbrio interno que vive a alian\u00e7a ocidental e alimentam debates sobre a sua real efetividade e unidade frente a eventuais conflitos.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">&#8220;Reinven\u00e7\u00e3o&#8221;, n\u00e3o o &#8220;fim&#8221;: o que dizem os especialistas<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No centro desse debate est\u00e1 a pergunta: ainda precisamos dessas organiza\u00e7\u00f5es para resolver os problemas do mundo? Ou chegou a hora de rever \u2014 ou reinventar \u2014 o modelo de governan\u00e7a global?<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo,<\/strong> Marcello Marin, mestre em Governan\u00e7a Corporativa, disse que a \u201crelev\u00e2ncia dessas organiza\u00e7\u00f5es continua enorme\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cO que acontece \u00e9 que elas est\u00e3o enfrentando um mundo mais fragmentado, com pot\u00eancias questionando as regras do jogo. Mas perder o sentido? Ainda n\u00e3o. O problema est\u00e1 mais na governan\u00e7a e na capacidade de se adaptar, n\u00e3o na necessidade de exist\u00eancia delas\u201d, afirmou Marin.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Eduardo Galv\u00e3o, professor de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Ibmec e diretor da consultoria global Burson, afirma que as d\u00favidas que pairam sobre essas organiza\u00e7\u00f5es hoje dizem mais respeito \u00e0 sua efic\u00e1cia diante dos desafios atuais do que \u00e0 necessidade de existirem ou n\u00e3o. De acordo com o professor, a sociedade vive atualmente um \u201cper\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o, em que o modelo multilateral constru\u00eddo no s\u00e9culo 20 vem sendo testado por realidades, lideran\u00e7as e interesses do s\u00e9culo 21\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">\u201cO que est\u00e1 em xeque \u00e9 a efic\u00e1cia dessas institui\u00e7\u00f5es, que parecem cada vez mais distantes das demandas concretas das na\u00e7\u00f5es\u201d, ponderou em entrevista \u00e0 <strong>Gazeta do Povo.<\/strong> \u201cQuando grandes pa\u00edses cortam recursos, saem de \u00f3rg\u00e3os ou bloqueiam decis\u00f5es, eles exp\u00f5em um sistema que parou no tempo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Segundo Galv\u00e3o, ainda que a pandemia de Covid-19 e os recentes conflitos globais n\u00e3o sejam culpa dessas institui\u00e7\u00f5es internacionais, expuseram suas limita\u00e7\u00f5es diante de desafios cada vez mais complexos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cHoje, o mundo precisa de estruturas mais \u00e1geis, mais inclusivas e mais orientadas para resultados. O surgimento de novos f\u00f3runs, alian\u00e7as por tema e redes horizontais \u00e9 um sinal claro de que o multilateralismo est\u00e1 migrando para formas mais l\u00edquidas\u201d, analisa o professor.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Contudo, Galv\u00e3o ponderou que ainda n\u00e3o se trata do \u201cfim\u201d das institui\u00e7\u00f5es multilaterais tradicionais \u2014 como ONU, Otan, OMS e OMC \u2014, mas de um momento de \u201creinven\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cA nova ordem internacional n\u00e3o est\u00e1 se construindo a partir do abandono das institui\u00e7\u00f5es, mas da sua reconfigura\u00e7\u00e3o. O caso dos Brics ilustra bem essa tend\u00eancia: trata-se de um arranjo mais flex\u00edvel, com menor imposi\u00e7\u00e3o normativa e maior toler\u00e2ncia \u00e0 diversidade pol\u00edtica entre os membros. Mesmo nas institui\u00e7\u00f5es tradicionais, o que pode se tornar irrelevante n\u00e3o \u00e9 o tema \u2014 como sa\u00fade, defesa ou com\u00e9rcio \u2014, mas a incapacidade de se adaptar \u00e0s novas din\u00e2micas do cen\u00e1rio global\u201d, explica Galv\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Para Marin, o cen\u00e1rio de cr\u00edticas constantes e desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es tradicionais pode ter rela\u00e7\u00e3o direta com as limita\u00e7\u00f5es estruturais que elas enfrentam atualmente.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cMuitas vezes o p\u00fablico espera solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas (para os problemas mundiais), mas elas (as organiza\u00e7\u00f5es internacionais) s\u00e3o lentas por natureza \u2014 pois precisam de consenso entre dezenas de pa\u00edses\u201d, lembra. Marin tamb\u00e9m apontou que a politiza\u00e7\u00e3o dos problemas enfrentados por essas institui\u00e7\u00f5es e as falhas reais que elas cometem, como falta de transpar\u00eancia e decis\u00f5es distantes da realidade, est\u00e3o \u201cminando ainda mais a confian\u00e7a\u201d da sociedade nelas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O analista lembrou que, sem o apoio de grandes pot\u00eancias como os Estados Unidos, existe, sim, o risco dessas organiza\u00e7\u00f5es internacionais perderem relev\u00e2ncia ou at\u00e9 desaparecerem.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cOrganiza\u00e7\u00f5es internacionais n\u00e3o t\u00eam for\u00e7a pr\u00f3pria \u2014 elas funcionam porque os pa\u00edses as sustentam, financeiramente e politicamente. Sem o apoio das maiores pot\u00eancias, elas ficam travadas, com menos recursos e autoridade\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Contudo, h\u00e1 tamb\u00e9m a possibilidade de elas resistirem \u00e0 crise que enfrentam e acabarem sob influ\u00eancia de outras pot\u00eancias, que podem ser perigosas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cQuando os EUA se retiram, outros atores podem ocupar esse espa\u00e7o. A China, por exemplo, vem aumentando sua influ\u00eancia em organismos como a OMS e a ONU. Ou seja, a relev\u00e2ncia pode at\u00e9 mudar de m\u00e3os, mas o v\u00e1cuo de poder nunca dura muito.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Novas iniciativas<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Sobre o an\u00fancio feito pelos EUA e Argentina da cria\u00e7\u00e3o de uma entidade internacional de sa\u00fade paralela \u00e0 OMS, Marin define mais como um \u201cgesto pol\u00edtico\u201d de ambos os pa\u00edses do que a apresenta\u00e7\u00e3o de uma alternativa real.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">\u201cPara se criar uma institui\u00e7\u00e3o global de sa\u00fade exige tempo, coordena\u00e7\u00e3o, legitimidade internacional \u2014 algo que nem os EUA nem a Argentina est\u00e3o oferecendo nesse momento. Ent\u00e3o, por enquanto, \u00e9 mais uma forma de dizer \u2018n\u00e3o confiamos na OMS\u2019 do que um plano realista. Mas \u00e9 perigoso, porque mina a coopera\u00e7\u00e3o global em sa\u00fade, num momento em que o mundo deveria estar mais unido, n\u00e3o dividido\u201d, disse.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/mundo\/onu-oms-otan-era-trump-coloca-em-xeque-papel-das-organizacoes-internacionais\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) foram criadas para enfrentar crises globais que pa\u00edses sozinhos n\u00e3o conseguiriam dar conta \u2014 como pandemias, guerras, colapsos econ\u00f4micos. 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