{"id":25136,"date":"2025-06-05T21:13:21","date_gmt":"2025-06-06T00:13:21","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/a-vida-de-chuck-expressa-a-maravilha-que-e-estar-vivo\/"},"modified":"2025-06-05T21:13:21","modified_gmt":"2025-06-06T00:13:21","slug":"a-vida-de-chuck-expressa-a-maravilha-que-e-estar-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-vida-de-chuck-expressa-a-maravilha-que-e-estar-vivo\/","title":{"rendered":"A Vida de Chuck expressa a maravilha que \u00e9 estar vivo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">\u00c9 o fim do mundo como o conhecemos, e <strong>Charles &#8220;Chuck&#8221; Krantz<\/strong> (<strong>Tom Hiddleston<\/strong>) n\u00e3o se sente bem. Do lado de fora do quarto onde esse contador de 39 anos est\u00e1 deitado, h\u00e1 terremotos, buracos e vulc\u00f5es em erup\u00e7\u00e3o na Alemanha. A Calif\u00f3rnia afundou no oceano. As taxas de suic\u00eddio est\u00e3o alt\u00edssimas. Tanto nossa infraestrutura social quanto a internet est\u00e3o \u00e0 beira do colapso. O site de conte\u00fado adulto Pornhub j\u00e1 est\u00e1 offline. Repetimos: Pornhub. Est\u00e1. Offline!<\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">Dentro daquele quarto, no entanto, <strong>Krantz<\/strong> tamb\u00e9m est\u00e1 em processo de morte. Sua esposa (<strong>Q&#8217;orianka Kilcher<\/strong>, de <em>O Novo Mundo<\/em>) e seu filho sentam-se ao seu lado, enquanto um monitor apita e um tumor cerebral o mata lenta e silenciosamente. Este cavalheiro an\u00f4nimo viveu uma vida de desespero silencioso, com a ocasional e impactante exibi\u00e7\u00e3o de dan\u00e7a p\u00fablica que pretende representar como um \u00fanico passo na estrada que voc\u00ea gostaria de ter trilhado pode levar \u00e0 felicidade moment\u00e2nea, da maneira mais leve e pesada. Mas estamos nos precipitando. E dado que a\u00a0adapta\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Mike Flanagan<\/strong> da novela de\u00a0<strong>Stephen King<\/strong>\u00a0se mant\u00e9m fiel \u00e0 estrutura do material de origem ao come\u00e7ar pelo fim, ficaremos aqui por um segundo tamb\u00e9m. <strong>Chuck<\/strong> logo se desfar\u00e1 desta vida mortal. A humanidade como um todo est\u00e1 apenas alguns passos de beb\u00ea atr\u00e1s dele.<\/p>\n<p><iframe title=\"A VIDA DE CHUCK | Trailer Oficial Legendado\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rMD1FqKoJcA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">Mas eis o que \u00e9 isso?! Um outdoor, aparentemente erguido da noite para o dia, com <strong>Krantz<\/strong> sentado \u00e0 sua mesa agradecendo-lhe por &#8220;39 anos incr\u00edveis&#8221;? Al\u00e9m disso, todas as esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e canais de televis\u00e3o locais est\u00e3o transmitindo um an\u00fancio igualmente grato, em homenagem a esse contador de n\u00fameros at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido e in\u00e9dito? Ningu\u00e9m sabia quem era esse <strong>Chuck<\/strong> at\u00e9 ent\u00e3o. Nem <strong>Marty<\/strong> (<strong>Chiwetel Ejiofor<\/strong>), o professor que corajosamente tenta esclarecer os alunos do ensino m\u00e9dio sobre as gl\u00f3rias de <strong>&#8220;Song of Myself&#8221;<\/strong>, de <strong>Walt Whitman<\/strong>. Nem <strong>Gus<\/strong> (<strong>Matthew Lilliard<\/strong>), o vizinho oper\u00e1rio de <strong>Marty<\/strong>, que lamenta a tristeza e a pena de tudo isso. Nem <strong>Sam<\/strong> (<strong>Carl Lumbly<\/strong>), o gentil agente funer\u00e1rio que <strong>Marty<\/strong> conhece em seu \u00faltimo dia na Terra. Ou <strong>Felicia<\/strong> (<strong>Karen Gillian<\/strong>), a sobrecarregada enfermeira do pronto-socorro com quem <strong>Marty<\/strong> foi casado uma vez, e com quem ele passar\u00e1 seus \u00faltimos momentos, antes que a exist\u00eancia de tudo seja apagada em um instante.<\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">\u00c9 assim que\u00a0<strong><em>A Vida de Chuck<\/em><\/strong> imagina que vamos acabar, todos gratos, sussurrando &#8220;foi uma boa corrida&#8221; e sem grandes estrondos clim\u00e1ticos. Mas ei, n\u00e3o se preocupe com o apocalipse \u2014 vamos assistir <strong>Tom Hiddleston<\/strong> dan\u00e7ar! Tanto o conto de <strong>King<\/strong> (de sua cole\u00e7\u00e3o de 2020\u00a0<strong><em>If It Bleeds<\/em><\/strong>) quanto a interpreta\u00e7\u00e3o de <strong>Flanagan<\/strong> do material estabelecem esse homem misterioso como uma esp\u00e9cie de lousa em branco, uma figura de proa na qual todos podem projetar seus pensamentos, sentimentos, alegrias e arrependimentos enquanto enfrentam a extin\u00e7\u00e3o total. Voc\u00ea pode pensar que algum tipo de abordagem quente do tipo\u00a0<strong><em>Show de Truman<\/em><\/strong>\u00a0sobre celebridade instant\u00e2nea tamb\u00e9m o aguarda. Mas ent\u00e3o voltamos para o Ato Dois, que se concentra na excurs\u00e3o de <strong>Chuck<\/strong> a Boston para uma confer\u00eancia. Ele passa por acaso por <strong>Pocket Queen<\/strong> (<strong>Taylor Franck<\/strong>), uma baterista tocando na rua em uma pra\u00e7a do centro da cidade. Uma mulher chamada <strong>Janice<\/strong> (<strong>Annalise Basso<\/strong>, do <em><strong>Expresso do <em>Amanh\u00e3<\/em><\/strong><\/em>) acabou de levar um p\u00e9 na bunda por mensagem de texto. Ela est\u00e1 observando a m\u00fasica da baterista. <strong>Chuck<\/strong> de repente come\u00e7a a dan\u00e7ar improvisadamente. Ele puxa <strong>Janice<\/strong> do meio da multid\u00e3o, e, veja s\u00f3, temos um bom e velho dueto\u00a0em m\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">Nas p\u00e1ginas, a sequ\u00eancia parece boa. Na tela, por\u00e9m, \u00e9 um n\u00famero musical aut\u00eantico, elevado a n\u00edveis de choque e espanto dignos de um filme. Vejam s\u00f3, n\u00e3o somos monstros. Acontece que o astro\u00a0<em>de <strong>Loki<\/strong><\/em><strong\/>\u00e9 um dan\u00e7arino de primeira, assim como <strong>Basso<\/strong>. Est\u00e1 longe de n\u00f3s negar a qualquer um \u2014 inclusive a n\u00f3s mesmos \u2014 o puro prazer de assistir a duas pessoas dan\u00e7ando com tanta gra\u00e7a, eleg\u00e2ncia e o bom e velho sex appeal. <strong>Flanagan<\/strong> n\u00e3o \u00e9 nenhum estranho \u00e0 obra de <strong>King<\/strong>, seja abordando as verdadeiras refer\u00eancias liter\u00e1rias\u00a0do autor ou\u00a0criando suas pr\u00f3prias obras-primas, que t\u00eam uma forte d\u00edvida com o cat\u00e1logo do \u00edcone do terror. Gra\u00e7as a <strong>Hiddleston<\/strong> e <strong>Basso<\/strong>, no entanto, o cineasta pega uma das hist\u00f3rias mais reflexivas e sem sustos de <strong>King<\/strong>, seleciona um incidente bem no meio dela e cria o tipo de sequ\u00eancia independente que est\u00e1 destinada a virar meme para sempre e a acumular bilh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es no YouTube de agora at\u00e9 o fim do mundo. \u00c9 menos um Mestre do Macabro e mais uma extravag\u00e2ncia musical da MGM. <strong><em>A Vida de Chuck<\/em><\/strong> ser\u00e1 para sempre lembrado como o filme que apresenta <em>A Dan\u00e7a de Tom<\/em>. E \u00e9 a\u00ed que reside sua b\u00ean\u00e7\u00e3o e sua maldi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">Porque sem essa sequ\u00eancia&#8230; sejamos honestos: voc\u00ea n\u00e3o tem nada<em>.<\/em>\u00a0Antes de <strong>Hiddleston<\/strong> e <strong>Basso<\/strong> se transformarem em <strong>Fred<\/strong> e <strong>Ginger<\/strong>, voc\u00ea \u00e9 submetido a uma leve lamenta\u00e7\u00e3o sobre o que tudo isso significa, por que estamos aqui e o que acontece quando tudo acaba, com excelentes atores se esfor\u00e7ando ao m\u00e1ximo para fazer a filosofia do dormit\u00f3rio parecer profunda. Uma trilha sonora piegas e a narra\u00e7\u00e3o ir\u00f4nica de <strong>Nick Offerman<\/strong>, tirada de corpo e alma da prosa de <strong>King<\/strong>, n\u00e3o ajudam em nada. Mas do outro lado dessa cena do meio do ato, voc\u00ea tem um longo cap\u00edtulo sobre a inf\u00e2ncia de <strong>Chuck<\/strong>, que nos conta como o futuro contador originalmente conseguiu seu ritmo. Envolve seus av\u00f3s, interpretados por\u00a0<strong>Mark Hamill<\/strong>\u00a0e <strong>Mia Sara<\/strong>, ela de\u00a0<strong><em>Curtindo a Vida Adoidado<\/em><\/strong>; um baile da escola; e o jovem <strong>Chuck<\/strong> (<strong>Benjamin Pajak<\/strong>) superando sua timidez para dan\u00e7ar valsa, balan\u00e7ar e fazer moonwalk para conquistar os cora\u00e7\u00f5es dos colegas. J\u00e1 suportamos muitos chav\u00f5es melosos. Agora somos submetidos a um sentimentalismo sub-Spielberg com um toque extra de sentimentalismo. Adeus, boa vontade conquistada.<\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma sala mal-assombrada, na qual nosso her\u00f3i \u00e9 proibido de entrar e que eventualmente oferece ao adolescente <strong>Chuck<\/strong> (<strong>Jacob Tremblay<\/strong>) uma vis\u00e3o do que est\u00e1 por vir. Caso voc\u00ea n\u00e3o tenha percebido a potencial subjetividade daquele primeiro ato \u2014 ou melhor, do \u00faltimo ato que \u00e9 colocado em primeiro lugar \u2014 e de alguma forma esquecido, apesar dos in\u00fameros lembretes do filme de que todos n\u00f3s somos multid\u00f5es, isso refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes mais. No meio da vida, estamos na morte, mas tamb\u00e9m vice-versa, etc.\u00a0<strong><em>A Vida de Chuck<\/em><\/strong> quer que voc\u00ea sinta a pura maravilha de estar vivo, e est\u00e1 disposto a martelar essa ideia beat\u00edfica em voc\u00ea repetidamente, apenas para garantir que voc\u00ea entenda a ess\u00eancia emocional dela. Este \u00e9 o tipo de par\u00e1bola edificante sobre a eleva\u00e7\u00e3o do homem comum que faz voc\u00ea sair do cinema com raiva por ter sido t\u00e3o desajeitadamente manipulado. O sapato macio de <strong>Hiddleston<\/strong> d\u00e1 a voc\u00ea um vislumbre de como o comum pode se tornar extraordin\u00e1rio. O filme que o cerca, no entanto, parece determinado a fazer o extraordin\u00e1rio parecer t\u00e3o simples e banal quanto humanamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\"><em>Artigo publicado em 5 de junho de 2025 na Rolling Stone. Para ler o original em ingl\u00eas, clique aqui.<\/em><\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\"><strong>+++LEIA MAIS: Tom Hiddleston ri de piada sobre Taylor Swift durante premia\u00e7\u00e3o; assista<\/strong><\/p>\n<p class=\"paragraph larva \/\/ lrv-u-line-height-copy lrv-a-font-body-l\"><strong>+++LEIA MAIS: A Vida de Chuck: Tom Hiddleston e Mark Hamill estrelam adapta\u00e7\u00e3o de Stephen King<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/a-vida-de-chuck-expressa-a-maravilha-que-e-estar-vivo\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 o fim do mundo como o conhecemos, e Charles &#8220;Chuck&#8221; Krantz (Tom Hiddleston) n\u00e3o se sente bem. Do lado de fora do quarto onde esse contador de 39 anos est\u00e1 deitado, h\u00e1 terremotos, buracos e vulc\u00f5es em erup\u00e7\u00e3o na Alemanha. A Calif\u00f3rnia afundou no oceano. 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