{"id":24613,"date":"2025-06-03T01:49:40","date_gmt":"2025-06-03T04:49:40","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/a-musica-pop-ficou-mais-burra-o-que-diz-a-ciencia\/"},"modified":"2025-06-03T01:49:40","modified_gmt":"2025-06-03T04:49:40","slug":"a-musica-pop-ficou-mais-burra-o-que-diz-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/a-musica-pop-ficou-mais-burra-o-que-diz-a-ciencia\/","title":{"rendered":"A m\u00fasica pop ficou mais burra? O que diz a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Um estudo publicado no peri\u00f3dico <strong>Scientific Reports<\/strong> tem levantado quest\u00f5es e gerado o seguinte debate no segmento acad\u00eamico ligado \u00e0 m\u00fasica: <span style=\"text-decoration: underline;\">a m\u00fasica pop ficou mais burra<\/span>? \u00c9 uma discuss\u00e3o tamb\u00e9m sentida entre os f\u00e3s como um todo, mas que tem ganhado car\u00e1ter cient\u00edfico.<\/p>\n<p>No artigo assinado por um grupo de pesquisadores \u2014 a saber: <strong>Emilia Parada\u2010Cabaleiro<\/strong>, <strong>Maximilian Mayerl<\/strong>, <strong>Stefan Brandl<\/strong>, <strong>Marcin Skowron<\/strong>, <strong>Markus Schedl<\/strong>, <strong>Elisabeth Lex<\/strong> e <strong>Eva Zangerle<\/strong> \u2014, algumas hip\u00f3teses s\u00e3o sugeridas. Uma das principais \u00e9: os novos g\u00eaneros musicais t\u00eam se mostrado <em>&#8220;menos complexos e mais homog\u00eaneos&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do artigo \u00e9: <strong><em>&#8220;As letras das m\u00fasicas se tornaram mais simples e repetitivas nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas&#8221;<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Os pesquisadores afirmam isso ap\u00f3s terem analisado \u2014 com a ajuda de softwares espec\u00edficos \u2014 as letras de 353.320 m\u00fasicas e um conjunto de dados de aproximadamente 20 mil arquivos MIDI. O material compreende a produ\u00e7\u00e3o musical feita no per\u00edodo entre as d\u00e9cadas de 1970 e 2020.<\/p>\n<p>O estudo explica:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>&#8220;No geral, nossas descobertas sugerem que a democratiza\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o musical e a cria\u00e7\u00e3o de ambientes altamente interconectados para o compartilhamento musical contribu\u00edram para o surgimento de g\u00eaneros novos, menos complexos e mais homog\u00eaneos, enquanto at\u00e9 mesmo g\u00eaneros historicamente mais complexos, como a m\u00fasica cl\u00e1ssica e o jazz, experimentaram um decl\u00ednio em complexidade ao longo do tempo.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Observa\u00e7\u00f5es a respeito das letras tamb\u00e9m foram feitas. Os pesquisadores destacam que as mensagens se tornaram mais &#8220;raivosas&#8221; e &#8220;egoc\u00eantricas&#8221;, al\u00e9m de simplificadas e repetitivas, com o passar dos anos.<\/p>\n<p>Tudo isso recai sobre a mudan\u00e7a na forma do consumo de m\u00fasica, hoje mais relegada ao segundo plano de outras atividades das pessoas. Dessa forma, como reconhecido por Eva Zangerle em entrevista ao <strong>The Guardian<\/strong>, <em>&#8220;os primeiros 10 a 15 segundos s\u00e3o altamente decisivos para mantermos ou pularmos uma can\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em>.<\/p>\n<p>O resumo do artigo cient\u00edfico destaca:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>&#8220;Constatamos que as letras de m\u00fasica pop se tornaram mais simples e f\u00e1ceis de compreender ao longo do tempo: n\u00e3o apenas a complexidade lexical das letras diminui (por exemplo, capturada pela riqueza do vocabul\u00e1rio ou pela legibilidade das letras), mas tamb\u00e9m observamos que a complexidade estrutural (por exemplo, a repetitividade das letras) diminuiu. Al\u00e9m disso, confirmamos an\u00e1lises anteriores que mostram que a emo\u00e7\u00e3o descrita pelas letras se tornou mais negativa e que as letras se tornaram mais pessoais nas \u00faltimas cinco d\u00e9cadas. Por fim, uma compara\u00e7\u00e3o entre a contagem de visualiza\u00e7\u00f5es e a contagem de audi\u00e7\u00f5es de letras mostra que, quando se trata do interesse dos ouvintes por letras, por exemplo, os f\u00e3s de rock apreciam principalmente letras de m\u00fasicas mais antigas; os f\u00e3s de country est\u00e3o mais interessados \u200b\u200bnas letras das novas m\u00fasicas.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h3>Contraponto<\/h3>\n<p>Por outro lado, <strong>Ethan Hein<\/strong>, professor, music\u00f3logo e PhD em educa\u00e7\u00e3o musical pela <strong>Universidade de Nova York<\/strong>, escreveu um artigo de opini\u00e3o no site especializado <strong>MusicRadar<\/strong> em que relativiza alguns dos apontamentos feitos pelo estudo publicado na Scientific Reports.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>&#8220;Talvez isso seja verdade! Mas voc\u00ea tamb\u00e9m pode interpretar o estudo como se dissesse que, \u00e0 medida que as tecnologias de manipula\u00e7\u00e3o e s\u00edntese de \u00e1udio se tornaram mais poderosas, m\u00fasicos de todos os g\u00eaneros concentraram mais seus esfor\u00e7os no som e na produ\u00e7\u00e3o, e menos em novas combina\u00e7\u00f5es de notas.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ethan questiona algum dos m\u00e9todos utilizados pelos pesquisadores, como, por exemplo, levar em considera\u00e7\u00e3o arquivos MIDI \u2014 os quais, segundo ele, s\u00e3o apenas <em>&#8220;partituras para instrumentos digitais&#8221;<\/em> e n\u00e3o necessariamente m\u00fasica de verdade, pois <em>&#8220;n\u00e3o codificam som, exceto da forma mais indireta e abstrata poss\u00edvel&#8221;<\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>Segundo o professor, o escopo utilizado \u2014 m\u00fasica consumida <em>&#8220;predominantemente por homens entre 20 e 30 anos dos <strong>Estados Unidos<\/strong>, <strong>R\u00fassia<\/strong>, <strong>Alemanha <\/strong>e <strong>Reino Unido<\/strong>&#8220;<\/em> \u2014 tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser tomado como verdade absoluta e conclui, sobre a complexidade do tema. Ele afirma:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>&#8220;Seria \u00f3timo se pud\u00e9ssemos entender a m\u00fasica como algo mais objetivo do que apenas vibra\u00e7\u00f5es. Mas a objetividade exige perguntas claras e inequ\u00edvocas que possam ser respondidas com dados claros e inequ\u00edvocos, e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer e responder esse tipo de pergunta sobre m\u00fasica.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Como \u00e9 compor com Taylor Swift? Parceira surpreende ao revelar detalhes<br \/>+++ LEIA MAIS: Charli XCX decreta o fim do \u2018Brat Summer\u2019 e passa o bast\u00e3o<br \/>+++ LEIA MAIS: Billie Eilish \u00e9 nepo baby? 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