{"id":24357,"date":"2025-06-01T04:37:10","date_gmt":"2025-06-01T07:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/fracasse-fracasse-mais-fracasse-melhor\/"},"modified":"2025-06-01T04:37:10","modified_gmt":"2025-06-01T07:37:10","slug":"fracasse-fracasse-mais-fracasse-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/fracasse-fracasse-mais-fracasse-melhor\/","title":{"rendered":"Fracasse. Fracasse mais. Fracasse melhor"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Caro leitor,<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Vindo de um fracasso recente, \u00e9 natural que eu reflita sobre ele: o fracasso. N\u00e3o com a melancolia de quem desiste, e sim com a curiosidade de quem procura entender o que deu errado \u2013 e qual a sua parcela de culpa no erro. Fracassei, mas tentei. Errei mais do que acertei. Vi o quebra-cabe\u00e7a sobre a mesa e demorei para me dar conta de que a pe\u00e7a que n\u00e3o se encaixava era eu. E tudo bem.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Em pensando no fracasso, me lembrei de um ensaio da escritora Zadie Smith, que fez sucesso no come\u00e7o do s\u00e9culo XXI e hoje sei l\u00e1 por onde anda. Ela fala sobre o fracasso liter\u00e1rio, um fracasso \u00edntimo, no qual \u00e9 muito f\u00e1cil se afogar. Mas \u00e9 facinho adaptar a ideia do \u201cfracasse melhor\u201d a outros campos. No pessoal e no profissional, como diria o Faust\u00e3o, e inclusive no pol\u00edtico, que eu sei que \u00e9 o \u00fanico que o interessa. (Infelizmente).<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Jogo de cintura<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Fracassar melhor n\u00e3o significa evitar o erro. Pelo contr\u00e1rio. Significa tentar, arriscar e, se o fracasso for inevit\u00e1vel (algo que s\u00f3 d\u00e1 para saber <em>a posteriori<\/em>), fracassar com mais estilo. Com mais consci\u00eancia do que o levou ao fracasso. Com mais gra\u00e7a e, aqui e ali, at\u00e9 com certa altivez. Afinal, voc\u00ea ousou, tentou e, por circunst\u00e2ncias sobre as quais nem sempre se tem o controle e raramente se tem o controle <em>total, <\/em>fracassou. Fracassou melhor.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">E, com alguma sorte, aprendeu. Nos fracassos pessoais, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel aprender a humildade de se descobrir extremamente imperfeito. Nos profissionais, temos que engolir a realidade de que o talento muitas vezes n\u00e3o compensa a falta de jogo de cintura. E nos pol\u00edticos&#8230; Bom, nos fracassos pol\u00edticos a gente aprende o que todo mundo sabe: voc\u00ea sempre ser\u00e1 o culpado pelo fracasso alheio e o outro sempre ser\u00e1 o culpado pelo seu fracasso particular.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Fracassar <em>pior<\/em><\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">E, pela segunda vez neste texto, t\u00e1 tudo bem. T\u00e1 tudo certo. Porque fracassar n\u00e3o \u00e9 o problema. O problema \u00e9 desistir. N\u00e3o, n\u00e3o. Minto. O \u00fanico fracasso real \u00e9 insistir no fracasso, empobrecendo o estilo e tirando dele a gra\u00e7a e a poss\u00edvel altivez. Reduzindo a tentativa a uma f\u00f3rmula cujo suposto sucesso \u00e9 supostamente garantido. Em se tratando de fracasso, o pior que pode lhe acontecer \u00e9 n\u00e3o reconhecer que fracassou e, por isso, fracassar <em>pior.<\/em><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Aqui do meu cantinho, este \u00e9 o mundo que vislumbro: um mundo que tem avers\u00e3o ao risco, \u00e0 ousadia e, por consequ\u00eancia, \u00e0 excel\u00eancia. Por medo do fracasso que o obrigar\u00e1 a reconhecer suas limita\u00e7\u00f5es. Inclusive (e aqui ca\u00edmos na pol\u00edtica novamente) a nossa incapacidade de criarmos um sistema pol\u00edtico e econ\u00f4mico <em>perfeito <\/em>e <em>perfeitamente bem-sucedido. <\/em>Capisce?<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Um s\u00f3<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Por isso encerro a carta de hoje com o mesmo conselho que Zadie Smith dava aos escritores de uma gera\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria acomodada e covarde, avessa ao risco e ao fracasso em potencial: fracasse. Fracasse melhor. Fracasse como o sujeito que est\u00e1 escrevendo esta cr\u00f4nica in\u00fatil, na cren\u00e7a infundada de que talvez, apenas talvez, ela toque o cora\u00e7\u00e3o de um leitor. Um s\u00f3.<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o do<br \/>Paulo<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Comunidade no WhasApp<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">N\u00e3o perca mais nenhum texto do Polzonoff. Entre para a comunidade no WhatsApp e receba todas as cr\u00f4nicas no conforto do seu celular. Basta clicar aqui.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/polzonoff\/fracasso\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caro leitor, Vindo de um fracasso recente, \u00e9 natural que eu reflita sobre ele: o fracasso. N\u00e3o com a melancolia de quem desiste, e sim com a curiosidade de quem procura entender o que deu errado \u2013 e qual a sua parcela de culpa no erro. Fracassei, mas tentei. Errei mais do que acertei. Vi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":24358,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24357\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24358"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}