{"id":23176,"date":"2025-05-26T10:35:57","date_gmt":"2025-05-26T13:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/2a-temporada-de-the-last-of-us-termina-com-confusao-e-um-gancho-falso\/"},"modified":"2025-05-26T10:35:57","modified_gmt":"2025-05-26T13:35:57","slug":"2a-temporada-de-the-last-of-us-termina-com-confusao-e-um-gancho-falso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/2a-temporada-de-the-last-of-us-termina-com-confusao-e-um-gancho-falso\/","title":{"rendered":"2\u00aa temporada de The Last of Us termina com confus\u00e3o e um gancho falso"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>De certa forma, chamar isto de final da segunda temporada de <em><strong>The Last of Us<\/strong><\/em> parece uma defini\u00e7\u00e3o inadequada. Sim, \u00e9 o \u00faltimo epis\u00f3dio que teremos este ano \u2014 ou possivelmente, segundo o co-criador <strong>Neil Druckmann<\/strong>, por mais de um ano. Mas n\u00e3o soa, de modo algum, como uma conclus\u00e3o de qualquer coisa, exceto deste per\u00edodo no qual <strong>Ellie<\/strong> era a principal personagem do ponto de vista da s\u00e9rie. H\u00e1 um gancho bobo, onde parece que <strong>Abby<\/strong> atirou e matou <strong>Ellie<\/strong> \u2014 um caso cl\u00e1ssico do que roteiristas de TV chamam de \u201c<em>schmuckbait<\/em>\u201d (isca para trouxa), em que apenas algu\u00e9m que n\u00e3o entende nada de narrativa ou televis\u00e3o acreditaria no que aparentemente acabou de acontecer \u2014 e ent\u00e3o a hist\u00f3ria volta no tempo para o dia em que <strong>Ellie<\/strong> e <strong>Dina<\/strong> chegaram a Seattle, mas agora estamos acompanhando <strong>Abby<\/strong> como integrante da <strong>WLF<\/strong>(*). A temporada n\u00e3o termina propriamente; ela simplesmente para, de maneira abrupta e um tanto confusa.<\/p>\n<p><em>(*) Quando reencontramos Abby no est\u00e1dio, ela est\u00e1 segurando um exemplar de Cidade de Ladr\u00f5es, o romance de David Benioff, co-criador de Game of Thrones, sobre dois jovens russos que, durante a Segunda Guerra Mundial, s\u00e3o enviados atr\u00e1s das linhas inimigas em uma miss\u00e3o in\u00fatil. Parece apropriado, mesmo que eles estivessem procurando ovos (a pedido de um oficial militar que queria um bolo para o casamento da filha) e n\u00e3o vingan\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o risco inerente de dividir o material de origem em v\u00e1rios filmes ou temporadas de TV. Quando d\u00e1 certo, temos os dois filmes recentes de <em><strong>Duna<\/strong><\/em>, onde parecia que <strong>Denis Villeneuve<\/strong> precisava realmente de todo aquele tempo para abordar adequadamente o material importante do livro. Quando n\u00e3o d\u00e1, como no final da s\u00e9rie original de filmes de <em><strong>Jogos Vorazes<\/strong><\/em>, pode parecer apenas uma explora\u00e7\u00e3o descarada, esticada at\u00e9 o ponto de agradar apenas aos f\u00e3s mais obstinados. (E nem sempre eles.)<\/p>\n<p>Com apenas sete epis\u00f3dios, em compara\u00e7\u00e3o com os nove da primeira temporada, esta leva de <em><strong>The Last of Us<\/strong><\/em> n\u00e3o parece exatamente esticada, mas incompleta. Sim, dramas serializados s\u00e3o constru\u00eddos para que as hist\u00f3rias transbordem de uma temporada para outra. Mas, geralmente, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o clara de arco de personagem e\/ou narrativa em cada temporada \u2014 seja ele resolvido completamente dentro dela, ou chegue a um ponto de virada importante ao final. N\u00e3o \u00e9 o caso aqui. S\u00e3o quatro epis\u00f3dios (descontados os cap\u00edtulos de abertura e o flashback do <strong>Joel<\/strong>) de <strong>Ellie<\/strong> buscando vingan\u00e7a contra <strong>Abby<\/strong>, com v\u00e1rias pessoas sugerindo por que isso pode ser uma m\u00e1 ideia, tudo culminando em um <em>bang<\/em> literal e ent\u00e3o na mudan\u00e7a de perspectiva. Parece que estamos recebendo apenas metade da hist\u00f3ria \u2014 porque \u00e9 exatamente isso \u2014, sem saber quanto tempo levar\u00e1 at\u00e9 que a outra metade chegue. \u00c9 uma maneira profundamente insatisfat\u00f3ria de come\u00e7ar um hiato prolongado, independentemente dos problemas que j\u00e1 existissem antes.<\/p>\n<p>Mesmo que se aceite que a s\u00e9rie precisava contar essa hist\u00f3ria de vingan\u00e7a, n\u00e3o importa o quanto a qu\u00edmica entre <strong>Bella Ramsey<\/strong> e <strong>Pedro Pascal<\/strong> tenha elevado esta s\u00e9rie acima de ser apenas um <em><strong>The Walking Dead<\/strong><\/em> mais inteligente, a execu\u00e7\u00e3o foi inconsistente \u2014 sustentada mais pela intensidade e magnetismo da atua\u00e7\u00e3o de <strong>Ramsey<\/strong> do que por qualquer coisa que tenham dado para <strong>Isabela Merced<\/strong> fazer.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, houve a maneira como a temporada enquadrou a decis\u00e3o de <strong>Ellie<\/strong> e <strong>Dina<\/strong> de permanecerem em Seattle depois que n\u00e3o apenas descobriram que os <strong>Lobos<\/strong> eram muito maiores, mais organizados e perigosos do que haviam presumido, mas tamb\u00e9m souberam que <strong>Dina<\/strong> estava gr\u00e1vida. Se a s\u00e9rie tivesse mostrado uma ou ambas como ambivalentes sobre a ideia de ser m\u00e3e \u2014 seja de forma geral ou especificamente neste mundo quebrado e assustador \u2014, ent\u00e3o a ideia de permanecerem ali faria mais sentido emocional. Seria uma forma de adiar a reflex\u00e3o, ou at\u00e9 mesmo deixar o destino decidir por elas. Mas, desde o momento em que <strong>Dina<\/strong> contou para <strong>Ellie<\/strong>, ficou claro que ambas estavam radiantes com a possibilidade. E, mesmo assim, recusaram-se a partir. S\u00f3 no in\u00edcio do epis\u00f3dio final, depois que <strong>Dina<\/strong> se machuca \u2014 e depois que <strong>Ellie<\/strong> finalmente conta toda a hist\u00f3ria sobre o que <strong>Joel<\/strong> fez, porque <strong>Abby<\/strong> foi atr\u00e1s dele, e que <strong>Ellie<\/strong> j\u00e1 sabia da maior parte disso \u2014 \u00e9 que <strong>Dina<\/strong> finalmente age como algu\u00e9m que se arrepende de ter vindo para c\u00e1 e de ter colocado a si mesma e a gravidez em risco.<\/p>\n<p>Depois disso \u2014 e tamb\u00e9m ap\u00f3s uma longa e implaus\u00edvel explica\u00e7\u00e3o sobre como <strong>Jesse<\/strong> conseguiu rastrear <strong>Ellie<\/strong> e <strong>Dina<\/strong> em um ambiente urbano vasto que ele nunca tinha visitado antes \u2014 nossos her\u00f3is come\u00e7am a planejar como cair fora dali e pegar <strong>Tommy<\/strong> no caminho de volta para casa. <strong>Jesse<\/strong> repreende bastante <strong>Ellie<\/strong> por ser ego\u00edsta. Talvez dev\u00eassemos estar do lado dela \u2014 afinal, ela \u00e9 a protagonista, e ele \u00e9 um cara que mal conhecemos(*) \u2014 mas nada do que ele diz soa injusto ou irrazo\u00e1vel. Em uma realidade como essa, quando <strong>Maria<\/strong> e companhia conseguiram construir um para\u00edso relativo como Jackson, a decis\u00e3o de <strong>Ellie<\/strong> de partir nessa miss\u00e3o louca tem implica\u00e7\u00f5es que v\u00e3o muito al\u00e9m do risco para si mesma e para <strong>Dina<\/strong>.<\/p>\n<p><em>(*) Al\u00e9m do epis\u00f3dio de flashback iluminar o quanto a s\u00e9rie perdeu ao matar Joel, ele tamb\u00e9m destaca o qu\u00e3o decepcionante foi o trabalho da temporada em estabelecer muitos dos novos personagens, como Jesse, e at\u00e9 mesmo Dina. Ela esteve presente a temporada toda, e ele apareceu em mais da metade dela. E, mesmo assim, nenhum dos dois parece t\u00e3o bem desenvolvido nesse tempo quanto o pai de Joel e Gene foram em poucos minutos no epis\u00f3dio passado. Parte disso \u00e9 m\u00e9rito de atores mais experientes, como Tony Dalton e Joe Pantoliano, que conseguem fazer muito com pouco. Mas Young Mazino e Isabela Merced se sa\u00edram bem com o que receberam; s\u00f3 n\u00e3o lhes deram tanto material para explorar quanto aos seus colegas veteranos.<\/em><\/p>\n<p>Quando o trio parte para encontrar <strong>Tommy<\/strong>, deparamo-nos com outro grande problema estrutural da temporada: sabemos ao mesmo tempo demais e de menos sobre os outros personagens de Seattle. Se <strong>Druckmann<\/strong>, <strong>Mazin<\/strong> e companhia tivessem decidido mostrar as coisas apenas conforme <strong>Ellie<\/strong> as descobrisse \u2014 vendo os <strong>Serafitas<\/strong> apenas quando as mulheres encontrassem seus rastros ou cad\u00e1veres, sem conhecer <strong>Isaac<\/strong> ou quaisquer <strong>Lobos<\/strong> que n\u00e3o cruzassem diretamente o caminho de <strong>Ellie<\/strong> e <strong>Dina<\/strong> \u2014 ent\u00e3o isso pareceria desorientador de um jeito interessante. E faria sentido com o plano de mudar para a perspectiva de <strong>Abby<\/strong> por um tempo. Em vez disso, recebemos um contexto que os protagonistas desta temporada n\u00e3o tinham, mas n\u00e3o o bastante para realmente entender os conflitos entre <strong>Lobos<\/strong> e <strong>Serafitas<\/strong>, ou mesmo dentro das pr\u00f3prias fac\u00e7\u00f5es da <strong>WLF<\/strong>. <strong>Ellie<\/strong> ser capturada pelos <strong>Serafitas<\/strong>, e s\u00f3 ser poupada do esquartejamento porque todos precisam correr para lidar com um ataque das for\u00e7as de <strong>Isaac<\/strong>, seria ainda mais angustiante se soub\u00e9ssemos t\u00e3o pouco quanto ela sobre quem s\u00e3o essas pessoas e por que est\u00e3o fazendo isso com ela.<\/p>\n<p>Enquanto passa novamente pela livraria, <strong>Ellie<\/strong> folheia um exemplar de The Monster at the End of This Book, um livro autoconsciente de <strong>Vila S\u00e9samo<\/strong> em que <strong>Grover<\/strong> est\u00e1 apavorado com o monstro que encontrar\u00e1 na \u00faltima p\u00e1gina, e aliviado ao descobrir que o monstro \u00e9 ele mesmo. <em><strong>The Last of Us<\/strong><\/em> j\u00e1 fez sua vers\u00e3o disso, quando <strong>Joel<\/strong> revelou ser o monstro no final da temporada. Aqui, parece que estamos a caminho de uma sequ\u00eancia. A caminho de resgatar <strong>Tommy<\/strong>, <strong>Ellie<\/strong> descobre onde <strong>Abby<\/strong> est\u00e1 escondida e, mais uma vez, escolhe a vingan\u00e7a em vez da fam\u00edlia. Quando <strong>Ellie<\/strong> chega, <strong>Abby<\/strong> j\u00e1 partiu, mas ela consegue matar dois de seus companheiros \u2014 e fica horrorizada ao perceber que um deles estava muito gr\u00e1vida. <strong>Ellie<\/strong> tenta fazer o parto, seguindo as instru\u00e7\u00f5es da m\u00e3e moribunda, mas isso n\u00e3o \u00e9 <em><strong>The Pitt<\/strong><\/em> (nem <em><strong>Esta\u00e7\u00e3o Onze<\/strong><\/em>, outro drama p\u00f3s-apocal\u00edptico da <strong>Max<\/strong> que teve um epis\u00f3dio memor\u00e1vel centrado em um parto). <strong>Ellie<\/strong> n\u00e3o tem ideia do que est\u00e1 fazendo e falha na tarefa improvisada. Ela se tornou exatamente aquilo que veio a Seattle para punir \u2014 e come\u00e7a a perceber isso.<\/p>\n<p>Talvez, se n\u00e3o fosse pelo gancho flagrantemente falso, isso j\u00e1 seria um arco de personagem suficiente para o ano. Mas o tiroteio \u00e9 irritante, e a mudan\u00e7a de perspectiva n\u00e3o foi executada com a eleg\u00e2ncia necess\u00e1ria, encerrando uma temporada irregular em uma nota bem ruim.<\/p>\n<p><strong>Kaitlyn Dever<\/strong> \u00e9 uma atriz de n\u00edvel mundial, e talvez colocar <strong>Abby<\/strong> no centro da narrativa d\u00ea finalmente a essa trama de vingan\u00e7a a clareza emocional que ela lutou para alcan\u00e7ar at\u00e9 aqui. Mas, funcione ou n\u00e3o, isso ainda vai demorar. E ficamos com este final para refletir at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: The Last of Us, s\u00e9rie de sucesso da HBO, vai ter 3\u00aa temporada?<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/entretenimento\/2-temporada-de-the-last-of-us-termina-com-confusao-e-um-gancho-falso\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De certa forma, chamar isto de final da segunda temporada de The Last of Us parece uma defini\u00e7\u00e3o inadequada. Sim, \u00e9 o \u00faltimo epis\u00f3dio que teremos este ano \u2014 ou possivelmente, segundo o co-criador Neil Druckmann, por mais de um ano. Mas n\u00e3o soa, de modo algum, como uma conclus\u00e3o de qualquer coisa, exceto deste [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":23177,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","footnotes":""},"categories":[51],"tags":[],"class_list":["post-23176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23176\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}