{"id":22735,"date":"2025-05-24T04:40:12","date_gmt":"2025-05-24T07:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/nao-negocio-meu-corpo-eu-exponho-reflete-jonathan-guilherme-sobre-atuacao-em-o-riso-e-a-faca\/"},"modified":"2025-05-24T04:40:12","modified_gmt":"2025-05-24T07:40:12","slug":"nao-negocio-meu-corpo-eu-exponho-reflete-jonathan-guilherme-sobre-atuacao-em-o-riso-e-a-faca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/nao-negocio-meu-corpo-eu-exponho-reflete-jonathan-guilherme-sobre-atuacao-em-o-riso-e-a-faca\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o negocio meu corpo, eu exponho&#8217;, reflete Jonathan Guilherme sobre atua\u00e7\u00e3o em O Riso e a Faca"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O cinema brasileiro marcou presen\u00e7a na 78\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de Cannes com <em><strong>O Riso e a Faca<\/strong><\/em> (<em><strong>I Only Rest In The Storm<\/strong><\/em>), longa-metragem dirigido pelo portugu\u00eas <strong>Pedro Pinho<\/strong> (<em><strong>Djon \u00c1frica<\/strong><\/em>) exibido na prestigiada mostra Un Certain Regard.<\/p>\n<p>A coprodu\u00e7\u00e3o internacional entre Portugal, Brasil, Rom\u00eania e Fran\u00e7a conta com a participa\u00e7\u00e3o de 31 profissionais brasileiros, entre eles a produtora <strong>Tatiana Leite<\/strong>, o diretor de fotografia <strong>Ivo Lopes Ara\u00fajo<\/strong>, o antrop\u00f3logo <strong>Renato Sztutman<\/strong>, a montadora <strong>Karen Akerman<\/strong>, o editor de som <strong>Pablo Lamar<\/strong> e o ator <strong>Jonathan Guilherme<\/strong>.<\/p>\n<h4><strong>Qual \u00e9 a hist\u00f3ria de\u00a0<em>O Riso e a Faca<\/em>?<\/strong><\/h4>\n<p>Inspirado na can\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima de <strong>Tom Z\u00e9<\/strong>, o filme teve sua estreia mundial em Cannes e narra a trajet\u00f3ria de S\u00e9rgio, um engenheiro ambiental portugu\u00eas que, ao trabalhar em um projeto rodovi\u00e1rio entre a selva e o deserto, se envolve afetivamente com dois habitantes locais: Di\u00e1ra e Gui.<\/p>\n<p>O papel de Gui \u00e9 interpretado pelo brasileiro <strong>Jonathan Guilherme<\/strong>, ex-atleta de v\u00f4lei que hoje atua como poeta e ator em Barcelona, ao lado do portugu\u00eas <strong>S\u00e9rgio Coragem<\/strong> e da cabo-verdiana <strong>Cleo Di\u00e1ra<\/strong>. A produ\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 assinada pela Bubbles Project, com distribui\u00e7\u00e3o nacional da Vitrine Filmes.<\/p>\n<p><em><strong>Rolling Stone Brasil<\/strong><\/em> conversou com o ator <strong>Jonathan Guilherme<\/strong> sobre sua estreia no cinema, como sua trajet\u00f3ria pessoal influenciou a constru\u00e7\u00e3o de Gui, al\u00e9m de refletir sobre as experi\u00eancias vividas durante as filmagens na \u00c1frica. Confira a seguir:<\/p>\n<h4><strong>Trajet\u00f3ria at\u00e9 o cinema<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Jonathan Guilherme<\/strong> narra sua trajet\u00f3ria como uma travessia intensa e corajosa: &#8220;<em>Esse salto foi um salto \u00e1rduo, duro, mas alto, bem alto<\/em>&#8220;. Natural de Ara\u00e7atuba, interior de S\u00e3o Paulo, ele relembra o desafio de deixar sua cidade natal, sua fam\u00edlia e amigos, e at\u00e9 o V\u00f4lei Futuro, equipe onde jogou profissionalmente, mas que j\u00e1 n\u00e3o existe. &#8220;<em>Para ser e chegar aonde estou agora, eu tive que sair de l\u00e1<\/em>&#8220;, conta.<\/p>\n<p>A poesia foi essencial nesse processo de transforma\u00e7\u00e3o. &#8220;<em>Foi o que me manteve vivo nos dias em que tive fome de comida, de sentimento e de alguma esperan\u00e7a, de uma Deusa que me salvasse.<\/em>&#8220;<br \/>Sua entrada no cinema aconteceu quase como um acaso po\u00e9tico: ele foi descoberto pelo diretor <strong>Pedro Pinho<\/strong> atrav\u00e9s do Instagram, participou do casting com a ajuda de uma amiga fot\u00f3grafa italiana e, pouco tempo depois, estava embarcando para Lisboa para um laborat\u00f3rio com os outros protagonistas, S\u00e9rgio Coragem e Cleo Di\u00e1ra. &#8220;<em>Lembro desses dias como dias de ver\u00e3o<\/em>&#8220;, relembra, antes de seguir para a Guin\u00e9-Bissau, onde viveu e gravou o filme por cerca de cinco meses.<\/p>\n<h4><strong>O atleta e o poeta em Gui<\/strong><\/h4>\n<p>Para compor Gui, seu personagem em <em><strong>O Riso e a Faca<\/strong><\/em>, <strong>Jonathan<\/strong> confessa que reuniu elementos essenciais de suas duas identidades mais marcantes: a de atleta e a de poeta. Do v\u00f4lei, trouxe &#8220;<em>a disciplina, o psicol\u00f3gico, o nunca desistir<\/em>&#8220;, uma resist\u00eancia fundamental para sobreviver \u00e0s camadas do caos e do neocolonialismo que o filme aborda: &#8220;<em>Meu eu atleta em algum momento foi o meu eu mais forte<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>J\u00e1 da poesia, ele carregou para o personagem o dom\u00ednio das palavras e da express\u00e3o: &#8220;<em>Eu gosto muito da voz do meu eu-poeta. Consigo identificar quando estou vendo o filme, quando o \u2018eu poeta\u2019 est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o, atuando e fazendo o trabalho dele. E foi o que mais eu trouxe pro Gui<\/em>&#8220;.<\/p>\n<h4><strong>A experi\u00eancia no set<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Jonathan<\/strong> descreve a viv\u00eancia de filmar na Guin\u00e9-Bissau e Portugal, ao lado de uma equipe diversa, como uma experi\u00eancia &#8220;<em>linda, reveladora, interessante, intrigante e muito amorosa<\/em>&#8220;. A emo\u00e7\u00e3o \u00e9 tanta que, mesmo em Cannes, ao dar a entrevista, ele confessa:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>Facilmente eu posso me emocionar, eu posso chorar se eu for pensar na equipe, nas pessoas que eu conheci naquele pa\u00eds, nas amizades que eu fiz, nos lugares que eu passei, na festa de 1\u00ba de maio l\u00e1 em Varela. Meu Deus, o que foi aquilo, inenarr\u00e1vel&#8221;.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>Momento &#8220;Tom Z\u00e9&#8221;<\/strong><\/h4>\n<p>Questionado sobre o momento mais \u201cTom Z\u00e9\u201d das filmagens, aquele em que o caos se transforma em poesia, <strong>Jonathan<\/strong> relembra uma cena marcante com o colega <strong>S\u00e9rgio Coragem<\/strong>: &#8220;<em>Foi uma conversa nossa sobre as v\u00e1rias possibilidades de amar\u2026 n\u00f3s dois usamos nossas pr\u00f3prias vidas, visceralmente, para compor aquela cena<\/em>&#8220;. Para ele, naquele ambiente ca\u00f3tico, conseguiram trazer \u00e0 tona &#8220;<em>a poesia de amar<\/em>&#8220;, tornando a experi\u00eancia inesquec\u00edvel.<\/p>\n<h4><strong>O Baob\u00e1<\/strong><\/h4>\n<p>Entre as experi\u00eancias mais hil\u00e1rias, <strong>Jonathan<\/strong> destaca os dias em que dividiu a casa com a atriz <strong>Cleo Di\u00e1ra<\/strong>, em Bissau: &#8220;<em>Dias ensolarados, bonitos, de riso, de abra\u00e7os e muitos momentos hil\u00e1rios, muita conex\u00e3o tamb\u00e9m<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Mas o momento mais surreal foi o abra\u00e7o coletivo em um Baob\u00e1: &#8220;<em>Baob\u00e1, \u00e1rvore da vida. Aquela \u00e1rvore que eu li na B\u00edblia\u2026 Me faz at\u00e9 dar risada isso\u2026 Porque \u00e9 lindo. \u00c9 louco. \u00c9 lindo.<\/em>&#8221;\u00a0Ele considera esse encontro como um ciclo que se abre e outro que se fecha:<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><em>Esse nosso encontro ancestral foi algo que eu acredito que possa ser explicado de maneira surreal, porque a gente se ama, a gente se entende\u2026 Ela \u00e9 minha irm\u00e3 de vida, ela \u00e9 minha m\u00e3e no cinema&#8221;.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h4><strong>A exposi\u00e7\u00e3o do corpo negro<\/strong><\/h4>\n<p>Sobre a complexa quest\u00e3o da erotiza\u00e7\u00e3o e silenciamento dos corpos negros no audiovisual, <strong>Jonathan<\/strong> \u00e9 direto: &#8220;<em>Eu n\u00e3o negociei, eu n\u00e3o negocio o meu corpo, ele nunca esteve em negocia\u00e7\u00e3o. Eu exponho<\/em>&#8220;. Ele v\u00ea sua participa\u00e7\u00e3o no filme como um ato de exposi\u00e7\u00e3o e voz: &#8220;<em>Eu sinto que eu n\u00e3o fui silenciado, eu sinto que eu tive voz, n\u00e3o pela primeira vez, mas eu sinto que eu tive voz em um lugar que eu nunca tive<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Ele reconhece as ambiguidades dessa experi\u00eancia: &#8220;<em>Fui erotizado, sim, mas eu tamb\u00e9m sinto que eu erotizei, sabe? Ent\u00e3o a\u00ed j\u00e1 \u00e9 uma pergunta que tem duas m\u00e3os que se encontram<\/em>&#8220;. E completa: &#8220;<em>Desde o primeiro momento em que eu decidi participar desse filme, eu tomei tamb\u00e9m a decis\u00e3o de que eu iria me doar. 200%.<\/em>&#8220;<\/p>\n<p><strong>Jonathan<\/strong> acredita que <em><strong>O Riso e a Faca<\/strong><\/em> rompe com o olhar europeu ex\u00f3tico e distanciado sobre a \u00c1frica e seus corpos: &#8220;<em>Eu nunca senti esse olhar do Pedro para mim\u2026 e \u00e9 muito importante para que eu esteja naquele espa\u00e7o, que eu n\u00e3o me sinta visto dessa maneira, porque eu n\u00e3o sou ex\u00f3tico<\/em>&#8220;. Segundo ele, essa sensibilidade est\u00e1 presente tanto no filme quanto na postura do diretor.<\/p>\n<h4><strong>Mem\u00f3rias e aprendizado<\/strong><\/h4>\n<p>Entre as muitas mem\u00f3rias, <strong>Jonathan<\/strong> destaca um sabor que nunca esquecer\u00e1: &#8220;<em>As frutas que eu nunca tinha visto na minha vida. Uma delas \u00e9 o veludo. Meu Deus, que fruta, que suco, que sabor<\/em>&#8220;. Para ele, provar aquela fruta foi como experimentar &#8220;<em>um tecido de veludo que tivesse gosto<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Mas o maior aprendizado foi de ordem pessoal: &#8220;<em>Aprendi que o Jonathan e o Guilherme\u2026 ele vai ser muito grande. O Pedro e o filme me deram a possibilidade de eu me sentir grande, de eu me sentir importante.<\/em>&#8221;\u00a0N\u00e3o apenas pela sua altura de 1,97m, mas no sentido de se perceber &#8220;<em>grande de esp\u00edrito, grande de poesia, grande de amor, grande de gentileza, grande de disciplina<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong>Cleo Di\u00e1ra, de O Riso e a Faca, \u00e9 eleita Melhor Atriz na Mostra Un Certain Regard, em Cannes<\/p>\n<blockquote class=\"amdb-polls\" contenteditable=\"false\" data-sid=\"\/polls\/14\/embed\/\">\n<p>Qual foi o melhor filme de 2025 at\u00e9 agora? Vote no seu favorito!<\/p>\n<ul>\n<li>Baby<\/li>\n<li>Anora<\/li>\n<li>Conclave<\/li>\n<li>Acompanhante Perfeita<\/li>\n<li>Capit\u00e3o Am\u00e9rica: Admir\u00e1vel Mundo Novo<\/li>\n<li>Flow<\/li>\n<li>O Brutalista<\/li>\n<li>Um Completo Desconhecido<\/li>\n<li>Mickey 17<\/li>\n<li>Vit\u00f3ria<\/li>\n<li>Mar\u00e9 Alta<\/li>\n<li>Branca de Neve<\/li>\n<li>Oeste Outra Vez<\/li>\n<li>Um Filme Minecraft<\/li>\n<li>Pecadores<\/li>\n<li>Thunderbolts*<\/li>\n<li>Homem com H<\/li>\n<li>Karat\u00ea Kid: Lendas<\/li>\n<li>Premoni\u00e7\u00e3o 6: La\u00e7os de Sangue<\/li>\n<li>Hurry Up Tomorrow: Al\u00e9m dos Holofotes<\/li>\n<\/ul>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/nao-negocio-meu-corpo-eu-exponho-reflete-jonathan-guilherme-o-riso-e-a-faca-entrevista\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cinema brasileiro marcou presen\u00e7a na 78\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival de Cannes com O Riso e a Faca (I Only Rest In The Storm), longa-metragem dirigido pelo portugu\u00eas Pedro Pinho (Djon \u00c1frica) exibido na prestigiada mostra Un Certain Regard. 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