{"id":21055,"date":"2025-05-17T08:33:36","date_gmt":"2025-05-17T11:33:36","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/quando-a-fe-entra-na-mesa-do-dialogo-global\/"},"modified":"2025-05-17T08:33:36","modified_gmt":"2025-05-17T11:33:36","slug":"quando-a-fe-entra-na-mesa-do-dialogo-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/quando-a-fe-entra-na-mesa-do-dialogo-global\/","title":{"rendered":"Quando a F\u00e9 entra na mesa do di\u00e1logo global"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Entre os dias 14 e 17 de maio, Jean Regina e eu estivemos participando do Summit Of Nations 2025, em Assun\u00e7\u00e3o, no Paraguai, para tratar da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o no mundo. Participamos como palestrantes e debatedores nos f\u00f3runs sobre a \u00c1frica, \u00c1sia, Am\u00e9rica e Europa, bem como na Plen\u00e1ria sobre a liberdade religiosa de todas as confiss\u00f5es religiosas. Entre os temas que tratamos, respondemos tr\u00eas questionamentos importantes, os quais compartilhamos com os nossos leitores de nossa coluna aqui na Gazeta do Povo:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>Como defender a liberdade religiosa em contextos hostis?<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Primeiramente, precisamos fortalecer os marcos legais que garantem a liberdade religiosa. No Brasil, por exemplo, a Constitui\u00e7\u00e3o assegura esse direito nos artigos 5.\u00ba e 19.\u00ba. Al\u00e9m disso, o C\u00f3digo Civil Brasileiro garante que as organiza\u00e7\u00f5es religiosas possuem liberdades de cria\u00e7\u00e3o, funcionamento e organiza\u00e7\u00e3o interna, art. 44, \u00a7 1.\u00ba. A cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os governamentais espec\u00edficos, encarregados de pol\u00edticas p\u00fablicas de promo\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa e do fen\u00f4meno religioso em si, como uma secretaria especializada no governo, tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para implementar pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes, inclusive campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, para informar o p\u00fablico sobre a realidade da persegui\u00e7\u00e3o religiosa no mundo e, inclusive, no Brasil.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Outra a\u00e7\u00e3o importante \u00e9 o fortalecimento das igrejas e demais templos religiosos, especialmente em um Estado laico, para que eles desempenhem o papel que o Estado n\u00e3o pode fazer: o de suporte espiritual e humanit\u00e1rio aos religiosos perseguidos, inclusive os crist\u00e3os, que muitas vezes s\u00e3o esquecidos.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>A\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e engajamento comunit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Ainda, a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e o engajamento das comunidades s\u00e3o medidas importantes, pois cada um pode contribuir de diversas formas, como:<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Doa\u00e7\u00f5es: apoiar financeiramente projetos que auxiliam comunidades perseguidas.<br \/>Voluntariado: engajar-se em atividades das organiza\u00e7\u00f5es, oferecendo tempo e habilidades.<br \/>Ora\u00e7\u00e3o: participar de redes de ora\u00e7\u00e3o em favor dos perseguidos.<br \/>Educa\u00e7\u00e3o: promover eventos e discuss\u00f5es sobre liberdade religiosa em escolas, igrejas e comunidades.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Por fim, n\u00e3o podemos esquecer a necessidade da coopera\u00e7\u00e3o internacional. A colabora\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es internacionais, governos e entidades civis \u00e9 crucial. A <em>Portas Abertas<\/em> e a <em>ACN<\/em>, por exemplo, frequentemente trabalham em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es para maximizar o impacto de suas a\u00e7\u00f5es e pressionar por mudan\u00e7as pol\u00edticas em pa\u00edses onde a persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 mais intensa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Combater a persegui\u00e7\u00e3o religiosa requer um esfor\u00e7o conjunto, envolvendo desde a\u00e7\u00f5es individuais at\u00e9 pol\u00edticas governamentais e coopera\u00e7\u00e3o internacional. Ao nos informarmos, engajarmos e apoiarmos essas causas, contribu\u00edmos para um mundo mais justo e respeitoso \u00e0 liberdade de cren\u00e7a e \u00e0 liberdade religiosa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>O que o cristianismo pode oferecer ao debate sobre a paz, a justi\u00e7a e a verdade?<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O cristianismo oferece ao debate sobre paz, justi\u00e7a e verdade algo que nenhuma ideologia ou constru\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica consegue sustentar de forma plena: a exist\u00eancia de verdades morais absolutas, universais e acess\u00edveis \u00e0 raz\u00e3o humana. Esses princ\u00edpios, expressos no que chamamos de direito natural, s\u00e3o reconhec\u00edveis por todas as culturas ao longo da hist\u00f3ria \u2014 e encontram express\u00e3o objetiva no Dec\u00e1logo, os Dez Mandamentos, que estruturam n\u00e3o apenas a f\u00e9 judaico-crist\u00e3, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Foi o cristianismo tamb\u00e9m que reconheceu, primeiramente, que a dignidade \u00e9 atributo indissoci\u00e1vel da vida humana, ou seja, todo ser humano tem que ter uma vida digna pelo simples fato de ser. E a origem do metavetor de todos os direitos, a dignidade da pessoa humana, \u00e9 o cristianismo. Importante lembrar que a f\u00e9 crist\u00e3 prop\u00f5e uma vis\u00e3o integral do ser humano: corpo, alma e esp\u00edrito \u2014 e que essa concep\u00e7\u00e3o integral \u00e9 condi\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca do ato de sermos humanos, que, ali\u00e1s, de fato, por enquanto, \u00e9 a \u00fanica coisa que somos em ato, isto porque fomos criados por Deus e d\u2019Ele recebemos o <em>Imago Dei<\/em>. Em tempos de relativismo moral e confus\u00e3o antropol\u00f3gica, o cristianismo resgata o fundamento da justi\u00e7a n\u00e3o como simples retribui\u00e7\u00e3o legal, mas como reordena\u00e7\u00e3o do mundo a partir do amor sacrificial e da verdade objetiva. N\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a sem ordem, e a ordem faz parte da revela\u00e7\u00e3o geral de Deus ao homem.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">O cristianismo entende que paz, justi\u00e7a e verdade n\u00e3o s\u00e3o apenas categorias pol\u00edticas ou consensos tempor\u00e1rios. Elas t\u00eam raiz ontol\u00f3gica: derivam do pr\u00f3prio Deus, Criador e Legislador supremo. A paz verdadeira exige reconcilia\u00e7\u00e3o com Deus e com o pr\u00f3ximo por meio de seu Filho, Jesus de Nazar\u00e9; a justi\u00e7a verdadeira requer o respeito \u00e0 ordem moral objetiva; e a verdade, por sua vez, \u00e9 o reconhecimento da realidade tal como ela \u00e9 \u2014 e n\u00e3o como gostar\u00edamos que fosse.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O direito natural afirma, por exemplo, que tirar a vida de um inocente \u00e9 sempre injusto; que honrar pai e m\u00e3e \u00e9 sempre virtuoso; que as liberdades de consci\u00eancia e cren\u00e7a s\u00e3o inalien\u00e1veis. Esses princ\u00edpios n\u00e3o s\u00e3o valores negoci\u00e1veis, porque n\u00e3o foram inventados por culturas ou legisladores \u2014 foram descobertos pela raz\u00e3o e confirmados pela f\u00e9. Eles antecedem o Estado e resistem \u00e0s modas ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Quando organiza\u00e7\u00f5es como a Portas Abertas, a ACN, o IBDR e o Parlamento y F\u00e9 denunciam persegui\u00e7\u00f5es religiosas, o fazem n\u00e3o apenas por solidariedade, mas por reconhecimento de que o direito de crer e de viver coerentemente com a pr\u00f3pria f\u00e9 \u00e9 um absoluto moral \u2014 viol\u00e1-lo \u00e9 uma injusti\u00e7a em qualquer lugar, contra qualquer pessoa.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Portanto, o cristianismo oferece \u00e0 humanidade um eixo moral fixo num mundo em turbul\u00eancia. Ele recorda que n\u00e3o pode haver paz sem justi\u00e7a, nem justi\u00e7a sem verdade, nem verdade sem refer\u00eancia ao bem objetivo e transcendente. E que a paz verdadeira n\u00e3o \u00e9 fruto da imposi\u00e7\u00e3o do mais forte, mas da convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es \u00e0 verdade do amor, na Pessoa do Filho do Homem, Jesus Cristo.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>Como dialogar com outras cren\u00e7as sem diluir a sua pr\u00f3pria identidade religiosa?<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A liberdade religiosa \u00e9 o eixo de qualquer democracia, e n\u00e3o existe democracia sem di\u00e1logo. Nesse contexto, o di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 importante, pois, afinal de contas, todos s\u00e3o atores e protagonistas em uma comunidade pol\u00edtica democr\u00e1tica. E esse di\u00e1logo s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando cada parte conhece e assume profundamente sua pr\u00f3pria identidade. Dialogar n\u00e3o \u00e9 negociar a f\u00e9, mas testemunh\u00e1-la com caridade e firmeza. O crist\u00e3o n\u00e3o dialoga para esconder a verdade, mas para revel\u00e1-la em amor \u2014 com respeito \u00e0 liberdade do outro, sem renunciar \u00e0s suas convic\u00e7\u00f5es mais profundas, sobretudo \u00e0 de que s\u00f3 existe um caminho para a vida eterna, e ele se chama Jesus.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Nesse sentido, o IBDR tem defendido que a liberdade religiosa n\u00e3o se resume ao direito de culto, mas \u00e9 muito mais do que isso: envolve tamb\u00e9m o direito de express\u00e3o, de organiza\u00e7\u00e3o religiosa, de ensino religioso e de presen\u00e7a no espa\u00e7o p\u00fablico. \u00c9 esse entendimento que permite, por exemplo, que escolas confessionais existam, que igrejas atuem em temas sociais e que o crist\u00e3o se posicione eticamente na pol\u00edtica, na m\u00eddia e na cultura. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice da vida privada, mas o eixo da vida integral de um crente \u2014 e essencial para a comunidade pol\u00edtica e para o pr\u00f3prio Estado, na atua\u00e7\u00e3o conjunta em busca do bem comum.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A laicidade colaborativa, conforme defendida em nossa obra e consagrada na jurisprud\u00eancia do STF, afirma que o Estado n\u00e3o pode impor religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode hostilizar ou silenciar as religi\u00f5es. Isso abre espa\u00e7o para o di\u00e1logo, para a coopera\u00e7\u00e3o m\u00fatua, sem imposi\u00e7\u00f5es e sem censura ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Do ponto de vista teol\u00f3gico, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a ser sal e luz no mundo \u2014 n\u00e3o um camale\u00e3o cultural. Ele se senta \u00e0 mesa com o diferente, mas n\u00e3o para absorver, e sim para influenciar, isto \u00e9, salgar e iluminar. Ele ama, escuta, acolhe, mas tamb\u00e9m anuncia e denuncia. Foi assim com Jesus em seu di\u00e1logo com a samaritana, com Nicodemos, com o centuri\u00e3o romano e at\u00e9 com os fariseus: sempre com firmeza doutrin\u00e1ria, mas nunca com viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Portanto, \u00e9 poss\u00edvel e necess\u00e1rio dialogar com outras cren\u00e7as \u2014 desde que isso n\u00e3o implique em relativizar a pr\u00f3pria f\u00e9. O testemunho coerente, a disposi\u00e7\u00e3o ao aprendizado m\u00fatuo e a certeza de que a verdade n\u00e3o precisa ser imposta, mas anunciada, s\u00e3o as chaves para o di\u00e1logo honesto, frut\u00edfero e duradouro. Afinal, identidade firme \u00e9 o que d\u00e1 valor ao di\u00e1logo, n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Este pode ser o resumo da nossa participa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de denunciarmos as crescentes viola\u00e7\u00f5es contra crist\u00e3os na \u00c1frica, especialmente na Nig\u00e9ria, e na \u00c1sia, especialmente no Paquist\u00e3o. Al\u00e9m disso, demonstramos a import\u00e2ncia de uma laicidade colaborativa para um ambiente de paz, destacando a mudan\u00e7a de paradigma que est\u00e1 em curso nesse momento nos Estados Unidos, a partir do caso <em>Kennedy v. Bremerton School District<\/em>, 597 U.S. 2022.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/cronicas-de-um-estado-laico\/summit-of-nations-quando-fe-entra-mesa-dialogo-global\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 14 e 17 de maio, Jean Regina e eu estivemos participando do Summit Of Nations 2025, em Assun\u00e7\u00e3o, no Paraguai, para tratar da paz e da reconcilia\u00e7\u00e3o no mundo. 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