{"id":20908,"date":"2025-05-16T17:21:52","date_gmt":"2025-05-16T20:21:52","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/pesquisa-mostra-que-faltam-equipes-completas-24-horas-em-maternidades\/"},"modified":"2025-05-16T17:21:52","modified_gmt":"2025-05-16T20:21:52","slug":"pesquisa-mostra-que-faltam-equipes-completas-24-horas-em-maternidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/pesquisa-mostra-que-faltam-equipes-completas-24-horas-em-maternidades\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que faltam equipes completas 24 horas em maternidades"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Quase 70% das maternidades do Brasil registraram pelo menos uma morte materna em 2020 e 2021 e apenas 54% dessas tinham equipes completas, com obstetra, anestesista e enfermeira obst\u00e9trica, trabalhando durante as 24 horas do dia.<\/strong> Os dados in\u00e9ditos fazem parte da Pesquisa Nascer no Brasil 2, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz &#8211; Fiocruz, o maior levantamento sobre parto e nascimento do pa\u00eds, e est\u00e1 em fase final de compila\u00e7\u00e3o dos resultados.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1642972&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p><strong>A aus\u00eancia de profissionais especializados \u00e9 ainda maior nas unidades de pequeno porte: <\/strong>apenas um em cada quatro\u00a0hospitais que realizam menos de mil partos por ano, e registraram \u00f3bitos, tinham equipe completa dispon\u00edvel 24 horas. Mas mesmo entre aqueles que realizam mais de 3 mil partos por ano, a propor\u00e7\u00e3o foi de apenas 62%.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Ou seja, n\u00f3s temos um tremendo d\u00e9ficit de profissionais qualificados nas maternidades para atender as mulheres que t\u00eam parto nesse pa\u00eds&#8221;, alerta a coordenadora da pesquisa, Maria do Carmo Leal.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m da falta de profissionais, quase <strong>40% das maternidades que registraram ao menos um \u00f3bito n\u00e3o tinham UTI materna e neonatal<\/strong>, propor\u00e7\u00e3o que sobe para 61,7% no caso dos hospitais de menor porte. Por outro lado, a grande maioria das unidades tinha no m\u00ednimo 90% dos equipamentos e dos medicamentos preconizados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita com uma amostra de 391 hospitais que representa estatisticamente as cerca de 4 mil unidades que realizam partos no Brasil. Maria do Carmo Leal apresentou o recorte sobre a estrutura das maternidades brasileiras em um debate nesta quinta-feira, no 62\u00ba Congresso de Ginecologia e Obstetr\u00edcia. Especialistas discutiam se a abertura de mais maternidades ajudaria a diminuir as taxas de mortes maternas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora da Fiocruz, n\u00e3o h\u00e1 uma resposta \u00fanica para todo o Brasil, j\u00e1 que as diferentes regi\u00f5es t\u00eam realidades distintas. No entanto, os dados da pesquisa, segundo Maria do Carmo,<strong>\u00a0mostram que a abertura de pequenos hospitais sem estrutura pode ter efeito contr\u00e1rio ao desejado.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A dist\u00e2ncia [at\u00e9 o hospital] agrava a situa\u00e7\u00e3o das mulheres, mas n\u00e3o \u00e9 indo para uma maternidade pequena dessas que ela vai se salvar. Talvez, a gente tenha que ter polos regionais realmente de qualidade, com condi\u00e7\u00e3o de atendimento de verdade e, nos lugares pequenos, grupos de enfermeiras obstetras muito bem qualificadas para identificar riscos e saber encaminhar&#8221;.<\/p>\n<h2>Taxas altas<\/h2>\n<p><strong>A morte materna ocorre quando a pessoa morre durante a gravidez, o parto ou em at\u00e9 42 dias ap\u00f3s o t\u00e9rmino da gesta\u00e7\u00e3o. <\/strong>Em 2024, considerando dados preliminares oficiais, o Brasil registrou 1.184 \u00f3bitos maternos declarados, perfazendo uma raz\u00e3o de mortalidade materna de 52,3 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.<\/p>\n<p>A taxa est\u00e1 abaixo do limite m\u00e1ximo preconizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, que \u00e9 de 70 a cada 100 mil. Mas <strong>o Brasil precisa reduzi-la a 20 at\u00e9 2030, para cumprir esse item dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas,<\/strong> e tamb\u00e9m combater as equidades.<\/p>\n<h2>Desigualdade<\/h2>\n<p>Em outro debate sobre o mesmo tema no Congresso de Ginecologia e Obstetr\u00edcia, a professora da Universidade de S\u00e3o Paulo Rossana Pulcinelli destacou as grandes diferen\u00e7as entre as taxas de mortalidades, de acordo com a cor ou ra\u00e7a. <strong>No ano passado, 65% das mulheres que morreram nessas circunst\u00e2ncias eram negras e 30% brancas.<\/strong> As propor\u00e7\u00f5es s\u00e3o divergentes da representa\u00e7\u00e3o desses grupos na popula\u00e7\u00e3o feminina brasileira, que \u00e9 composta por 55% de mulheres negras e 43% de brancas.<\/p>\n<p>Rossana Pulcinelli elenca a falta de acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade qualificados, desigualdade socioecon\u00f4mica e de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e o o silenciamento das dores das mulheres negras como causas da disparidade.<\/p>\n<p>&#8220;E tem a quest\u00e3o da demora n\u00e9? A demora na decis\u00e3o de buscar o cuidado, relacionada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e culturais. A dist\u00e2ncia, condi\u00e7\u00e3o e o custo do transporte at\u00e9 o hospital e a\u00ed ela chega, muitas vezes j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de cuidado. Mas mesmo que ela chegue com condi\u00e7\u00f5es, n\u00f3s ainda temos a demora em dar esses cuidados de forma adequada&#8221;, complementa a professora, que tamb\u00e9m coordena o Observat\u00f3rio Obst\u00e9trico Brasileiro.<\/p>\n<p>A Coordenadora-Geral de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade das Mulheres do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Renata Reis, afirmou que a Rede Alyne, nova estrat\u00e9gia de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o, parto e puerp\u00e9rio do Sistema \u00danico de Sa\u00fade,\u00a0tem o objetivo de superar essas iniquidades. As estrat\u00e9gias incluem a expans\u00e3o de servi\u00e7os, com qualifica\u00e7\u00e3o, e o aumento no valor repassado pelo Governo Federal para financiar uma parte dos atendimentos feitos por estados e munic\u00edpios.<\/p>\n<p>&#8220;Saber quais s\u00e3o as necessidades de cada mulher perpassa por reconhecer o seu pertencimento \u00e9tnico-racial autodeclarado, suas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, os seus modos de viver e de trabalho, o seu conjunto de cren\u00e7as e valores culturais, espirituais, a sua comunidade, respeitar e agir ativamente, proativamente, para reduzir as iniquidades que est\u00e1 nas nossas m\u00e3os enquanto profissionais de sa\u00fade reduzir&#8221;, destacou.<\/p>\n<p>Recentemente, o Governo Federal tamb\u00e9m anunciou a inclus\u00e3o do c\u00e1lcio no pr\u00e9-natal de rotina, com o objetivo de reduzir as complica\u00e7\u00f5es por hipertens\u00e3o arterial, que s\u00e3o as principais causas de morte materna. Renata Reis afirmou, durante o Congresso, que o Minist\u00e9rio tamb\u00e9m avalia a inclus\u00e3o do \u00e1cido acetilsalic\u00edlico (AAS), tamb\u00e9m usado para controlar a press\u00e3o, durante a gravidez. Como essa \u00e9 uma prescri\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 prevista na bula, apesar de ser amparada por evid\u00eancias cient\u00edficas, a pasta pediu a avalia\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional de\u00a0Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2025-05\/pesquisa-mostra-que-faltam-equipes-completas-24-horas-em-maternidades\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 70% das maternidades do Brasil registraram pelo menos uma morte materna em 2020 e 2021 e apenas 54% dessas tinham equipes completas, com obstetra, anestesista e enfermeira obst\u00e9trica, trabalhando durante as 24 horas do dia. 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