{"id":20047,"date":"2025-05-13T13:32:36","date_gmt":"2025-05-13T16:32:36","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/pesadelo-tropical-romance-funde-faroeste-barroco-e-critica-a-violencia-colonial\/"},"modified":"2025-05-13T13:32:36","modified_gmt":"2025-05-13T16:32:36","slug":"pesadelo-tropical-romance-funde-faroeste-barroco-e-critica-a-violencia-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/pesadelo-tropical-romance-funde-faroeste-barroco-e-critica-a-violencia-colonial\/","title":{"rendered":"&#8220;Pesadelo Tropical&#8221;: romance funde faroeste, barroco e cr\u00edtica \u00e0 viol\u00eancia colonial"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"texto\">\n<p><strong>Marcos Vin\u00edcius Almeida<\/strong>, jornalista, escritor e mestre em Literatura pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), \u00e9 o autor de &#8220;Pesadelo Tropical&#8221; (224 p\u00e1gs, editora Aboio), romance que reinventa o Brasil Col\u00f4nia como um territ\u00f3rio p\u00f3s-apocal\u00edptico, onde mercen\u00e1rios, justiceiros e ind\u00edgenas disputam espa\u00e7o em uma narrativa que lembra um &#8220;faroeste barroco&#8221;. Desenvolvido ao longo de sete anos \u2014 incluindo dois com bolsa da FAPESP \u2014, o livro parte da lenda mineira de Janu\u00e1rio Garcia Leal, o Sete Orelhas, para explorar a viol\u00eancia como matriz da forma\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O escritor se considera mineiro de cria\u00e7\u00e3o (Lumin\u00e1rias) e paulista de nascimento (Tabo\u00e3o da Serra). Foi premiado duas vezes no Pr\u00eamio UFES de Literatura (2010 e 2015). Seus trabalhos foram publicados em revistas e jornais, como Ilustr\u00edssima, da Folha de S. Paulo, O Globo, Brasil de Fato, Suplemento Liter\u00e1rio de Minas Gerais e Revista Cult.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem um livro de contos &#8220;Paisagem Interior&#8221; (Penalux, 2017), que antecedeu sua incurs\u00e3o no romance hist\u00f3rico experimental. Atualmente, trabalha em uma obra autobiogr\u00e1fica sobre traumas de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Faroeste barroco em Brasil Col\u00f4nia p\u00f3s-apocal\u00edptico\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cPesadelo Tropical\u201d<\/strong> mistura documentos reais, folclore e inven\u00e7\u00e3o para revelar as cicatrizes de um pa\u00eds nascido do exterm\u00ednio. &#8220;Para os nativos, a Col\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 o Novo Mundo: \u00e9 o amanhecer depois do Apocalipse&#8221;, afirma o autor na abertura da obra, que questiona narrativas euroc\u00eantricas sobre o passado brasileiro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O processo criativo foi marcado por intensa pesquisa hist\u00f3rica e liter\u00e1ria. Durante seu mestrado na PUC-SP (2016-2018), Almeida descobriu que a hist\u00f3ria do Sete Orelhas, originalmente publicada como folhetim em 1832 por Joaquim Norberto, foi um dos primeiros textos ficcionais da literatura brasileira. &#8220;Fiquei espantado ao perceber como a fic\u00e7\u00e3o havia se tornado &#8216;hist\u00f3ria&#8217; \u2014 em S\u00e3o Bento Abade (MG), h\u00e1 tr\u00eas monumentos ao Janu\u00e1rio Garcia, figura que talvez nunca tenha existido como a imaginamos&#8221;, revela o autor, que cresceu ouvindo vers\u00f5es da lenda em Lumin\u00e1rias (MG).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Almeida reconstruiu a trajet\u00f3ria amb\u00edgua da gangue dos Garcia, grupo criminoso que atuou na Comarca do Rio das Mortes no s\u00e9culo XVIII. O enredo segue quatro mercen\u00e1rios da Coroa Portuguesa em miss\u00e3o para unir-se aos Guaicurus e destruir um ref\u00fagio de p\u00e1rias liderado pelo Sete Orelhas. &#8220;Juntei hist\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o para investigar como as lendas viram &#8216;fatos&#8217;\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O esfolamento \u2014 motivo central da vingan\u00e7a do Sete Orelhas \u2014 \u00e9 explorado como s\u00edmbolo da viol\u00eancia colonial. Almeida rastreou o tema desde Ov\u00eddio (nas Metamorfoses) at\u00e9 relatos bandeirantes, mostrando como a crueldade se repete na hist\u00f3ria. &#8220;A fazenda Tira Couro, em S\u00e3o Bento Abade, talvez leve o nome em &#8216;homenagem&#8217; a esse crime&#8221;, observa. O romance incorpora fotografias, mapas e refer\u00eancias art\u00edsticas para criar uma narrativa fragmentada, onde passado e presente se confundem em um Brasil &#8220;amaldi\u00e7oado por Deus&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As influ\u00eancias do romance s\u00e3o t\u00e3o diversas quanto sua estrutura inovadora. Almeida mescla refer\u00eancias ao faroeste de Cormac McCarthy (Meridiano de Sangue), \u00e0 filosofia de Walter Benjamin e ao mito grego de Apolo e M\u00e1rsias (das Metamorfoses de Ov\u00eddio), no qual um s\u00e1tiro \u00e9 esfolado vivo \u2014 cena que ecoa no crime que motiva a vingan\u00e7a do Sete Orelhas. &#8220;Investiguei o esfolamento desde os astecas at\u00e9 os bandeirantes, passando por m\u00e1rtires crist\u00e3os. A fazenda Tira Couro, em S\u00e3o Bento Abade, pode ter seu nome ligado a esses eventos brutais&#8221;, explica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Com uma narrativa n\u00e3o linear que incorpora fotografias, mapas e intertextos, \u201cPesadelo Tropical\u201d desafia conven\u00e7\u00f5es ao alternar entre o s\u00e9culo XIX e reflex\u00f5es contempor\u00e2neas sobre a mem\u00f3ria. &#8220;Queria mostrar como o passado \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o t\u00e3o aberta quanto o futuro&#8221;, afirma Almeida, que usou parte da bolsa da FAPESP para pesquisar em arquivos e locais ligados \u00e0 lenda.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><u><strong>FICHA T\u00c9CNICA<\/strong><\/u><br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Autor:<\/strong> Marcos Vin\u00edcius Almeida<\/p>\n<p><strong>Editora:<\/strong> Aboio<br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Categoria:<\/strong> Romance<br \/>&#13;<br \/>\n<strong>ISBN: <\/strong>978-65-980578-3-1<br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Formato:<\/strong> 14\u00d71,2 \u00d721 cm<br \/>&#13;<br \/>\n<strong>P\u00e1ginas: <\/strong>224<br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Ano:<\/strong> 2023<br \/>&#13;<br \/>\nAdquira \u201cPesadelo Tropical\u201d pela no site da Editora Aboio: https:\/\/aboio.com.br\/loja\/produto\/pesadelo-tropical-marcos-vinicius-almeida\/?srsltid=AfmBOoqTT_Lb1gI2HUjVnTvYeo3TgmLfPq624cDJ1Q4w5vLCi4cFr6af<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async defer crossorigin=\"anonymous\" src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&#038;version=v12.0&#038;appId=&#038;autoLogAppEvents=1\" nonce=\"ou0fI1lo\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.bs9.com.br\/variedades\/pesadelo-tropical-romance-funde-faroeste-barroco-e-critica-a\/31652\/\">BS9<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcos Vin\u00edcius Almeida, jornalista, escritor e mestre em Literatura pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP), \u00e9 o autor de &#8220;Pesadelo Tropical&#8221; (224 p\u00e1gs, editora Aboio), romance que reinventa o Brasil Col\u00f4nia como um territ\u00f3rio p\u00f3s-apocal\u00edptico, onde mercen\u00e1rios, justiceiros e ind\u00edgenas disputam espa\u00e7o em uma narrativa que lembra um &#8220;faroeste barroco&#8221;. 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