{"id":20018,"date":"2025-05-13T10:52:52","date_gmt":"2025-05-13T13:52:52","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/os-caminhos-da-comida\/"},"modified":"2025-05-13T10:52:52","modified_gmt":"2025-05-13T13:52:52","slug":"os-caminhos-da-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/os-caminhos-da-comida\/","title":{"rendered":"Os caminhos da comida"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">Eu n\u00e3o perderia, por nada, a oportunidade de conhecer o estudo que resultou no relat\u00f3rio \u201cOs caminhos da comida: o papel do planejamento urbano na transforma\u00e7\u00e3o do sistema alimentar\u201d. O cen\u00e1rio de inseguran\u00e7a alimentar e o acesso a alimentos saud\u00e1veis \u00e9 real. Por isso, divulgar a iniciativa apresentada recentemente no Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o do documento ao lado de outros atores, virou prioridade. O trabalho deve contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de alimenta\u00e7\u00e3o. A apresenta\u00e7\u00e3o reuniu uma seleta plateia que incluiu autoridades, t\u00e9cnicos, representantes de classe e pessoas interessadas no assunto, entre elas, a chef Manu Buffara.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A ideia de abordar o tema no planejamento urbano foi dos t\u00e9cnicos Pedro Portugal Sorrentino e Elizandra Fl\u00e1via Ara\u00fajo de Oliveira, a Elis, ambos do instituto curitibano. Para compensar o meu atraso no dia, voltei \u00e0 sede com lambrequim polon\u00eas, que fica escondida ao final de uma ruazinha que lembra uma vila praiana &#8211; uma das duas entradas da institui\u00e7\u00e3o, na divisa nebulosa entre Juvev\u00ea e Cabral. Fui recebida pelos dois na \u201csala redonda\u201d (a sede tem v\u00e1rios ambientes), e constatei mais uma vez: a iniciativa n\u00e3o foge \u00e0 regra da institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por planos e projetos sustent\u00e1veis que tornaram a cidade conhecida internacionalmente e uma refer\u00eancia em inova\u00e7\u00e3o urbana.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Sorrentino nem se lembra exatamente como tomou conhecimento de um estudo feito pelo Instituto Escolhas para S\u00e3o Paulo, mas a decis\u00e3o de tentar fazer algo semelhante em Curitiba e subsidiar o Plano Diretor da cidade, que passar\u00e1 por uma revis\u00e3o neste ano, veio imediatamente. A institui\u00e7\u00e3o paulista virou parceira em um formato diferente do que costumam atuar, pois haveria a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores daqui. Depois, veio o convencimento interno de que era um assunto de interesse do Ippuc &#8211; esse senhor maduro, que est\u00e1 pr\u00f3ximo de comemorar seu anivers\u00e1rio de 60 anos, em dezembro de 2025.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Com a aprova\u00e7\u00e3o da proposta e formaliza\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o, os t\u00e9cnicos idealizaram e realizaram a empreitada que contou com a colabora\u00e7\u00e3o da Secretaria Municipal de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (SMSAN) da Prefeitura de Curitiba. Desde o momento do convencimento interno, viabiliza\u00e7\u00e3o da parceria, forma\u00e7\u00e3o de equipe e execu\u00e7\u00e3o foram dois anos. \u201cAlguns dias a gente achava que nunca chegaria ao fim. Foi bem trabalhoso, cada base de dados consultada tinha informa\u00e7\u00f5es que abriram frentes diferentes&#8221;, contaram os t\u00e9cnicos, satisfeitos com o resultado alcan\u00e7ado e com a repercuss\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">A nossa rela\u00e7\u00e3o com a comida<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Pensei em como \u201cos caminhos da comida\u201d come\u00e7am em casa. A conversa em torno do assunto ficou bem evidente. Perguntei \u00e0 Elis, que \u00e9 nutricionista, como foi atra\u00edda para a profiss\u00e3o. Nem pestanejou: falou no quintal comprido; da m\u00e3e cuidando da horta; da av\u00f3 fazendo compotas e geleias, entre outras coisas; e das galinhas ciscando no terreno. Enquanto ela falava, lembrava da minha pr\u00f3pria casa, era igualzinha: planta\u00e7\u00e3o; bichos soltos; mesa cheia de farinha, a massa sendo sovada, secando ou fermentando; fog\u00e3o fumegando e comida boa sempre.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Fiz a mesma pergunta ao Sorrentino, que \u00e9 arquiteto. \u201cEscutava meu pai falar que era preciso valorizar a comida. Olhava para o arroz no meu prato e pensava em quem havia plantado, imaginava a terra, a semente germinando, a colheita e em quem havia preparado o que eu comeria\u201d, isso me marcou. Essa rela\u00e7\u00e3o que temos com a comida na inf\u00e2ncia \u00e9 determinante. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, caiu no seu colo um estudo de um professor da faculdade sobre os sistemas alimentares e a produ\u00e7\u00e3o nas cidades. Quando entrou no Ippuc, conheceu a Elis e viu que o interesse de ambos era comum, tema do mestrado dela &#8211; pol\u00edticas urbanas e de agricultura em Curitiba desde a \u00e9poca colonial at\u00e9 hoje. Assim, foi natural pensar em agricultura urbana e a rela\u00e7\u00e3o com o planejamento, trazendo o tema da academia para uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Eu chamo isso de sincronicidade, algo marca tua vida, mesmo sem que voc\u00ea saiba: voc\u00ea estuda, est\u00e1 preparado, e, de repente, o milagre acontece, surge uma oportunidade, o que n\u00e3o quer dizer um caminho r\u00e1pido e simples.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Objetivo<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O objetivo do trabalho que elaboraram \u00e9 servir de subs\u00eddio para o enfrentamento de quest\u00f5es atuais e urgentes como a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos, a inseguran\u00e7a alimentar, a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, a integra\u00e7\u00e3o metropolitana e o enfrentamento da emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Os desafios v\u00e3o desde a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, com um tr\u00e1fego de cargas na regi\u00e3o que impacta a mobilidade e o sistema vi\u00e1rio at\u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos significativos, como o feij\u00e3o. O relat\u00f3rio mostra que existe uma queda expressiva no n\u00famero de estabelecimentos agropecu\u00e1rios da agricultura familiar e o envelhecimento dos produtores.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Al\u00e9m disso, o desperd\u00edcio de alimentos, presente em todas as etapas da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 outro problema, al\u00e9m de a cultura alimentar contempor\u00e2nea facilitar o consumo de alimentos ultraprocessados. Sorrentino explica: &#8220;Tem desperd\u00edcio no transporte, na comercializa\u00e7\u00e3o, no consumo, no ambiente dom\u00e9stico, do res\u00edduo org\u00e2nico que poderia ser aproveitado, o que acaba impactando na inseguran\u00e7a alimentar&#8221;. Os pesquisadores tinham o panorama te\u00f3rico, mas os dados levantados mostram que a din\u00e2mica \u00e9 mais impactante. \u201cTemos o privil\u00e9gio de existirem muitos produtores pr\u00f3ximos \u00e0 cidade, s\u00f3 que aos poucos isso est\u00e1 mudando. A cada Censo Demogr\u00e1fico, vemos a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o rural, e a\u00ed entram as pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, afirma Elis.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">N\u00fameros<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">De acordo com os dados do relat\u00f3rio, o Brasil apresenta 70,3% da popula\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a alimentar. Em Curitiba e sua regi\u00e3o metropolitana, esses n\u00fameros s\u00e3o de 80,9% e 79,6%, respectivamente, excluindo a sub-regi\u00e3o do Litoral. A inseguran\u00e7a alimentar leve, associada \u00e0 dificuldade de manter uma alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade ou \u00e0 incerteza sobre o acesso futuro aos alimentos, afeta 15,4% da popula\u00e7\u00e3o curitibana. Casos de inseguran\u00e7a alimentar moderada e grave afetam 3,8% da popula\u00e7\u00e3o aqui, ou seja, mais de 70 mil pessoas. Mesmo assim, Curitiba se destaca por possuir 190 hortas urbanas, sendo 85 escolares, 53 comunit\u00e1rias e 522 institucionais, que beneficiam cerca de 48 mil pessoas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">De acordo com a Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (EBIA), h\u00e1 quatro n\u00edveis: seguran\u00e7a alimentar (acesso pleno e regular de alimentos); inseguran\u00e7a alimentar leve (preocupa\u00e7\u00e3o ou incerteza quanto ao acesso aos alimentos no futuro); inseguran\u00e7a alimentar moderada (redu\u00e7\u00e3o quantitativa no consumo de alimentos) e inseguran\u00e7a alimentar grave (fome).<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A pesquisa Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (Vigitel), realizada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2023, e publicada no relat\u00f3rio do Ippuc, mostra que somente 25% das pessoas com 18 anos ou mais de idade em Curitiba consomem cinco ou mais por\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de frutas ou hortali\u00e7as. Al\u00e9m disso, grupos de menor renda domiciliar per capita tendem, percentualmente, a consumir uma quantidade quatro vezes mais de ultraprocessados que os de maior renda e a m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada ao aumento da obesidade e doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Outro tema importante abordado no documento \u00e9 a quest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos (org\u00e2nico, seco e rejeitos). A mat\u00e9ria org\u00e2nica, por exemplo, gera um custo estimado em R$38,7 milh\u00f5es anuais para destina\u00e7\u00e3o em aterros sanit\u00e1rios. \u201cEsse valor poderia ser reduzido se redirecionado a outros servi\u00e7os, como, por exemplo, programas de compostagem&#8221;, explicam os pesquisadores. Parte dos res\u00edduos org\u00e2nicos deve-se ao desperd\u00edcio de alimentos: quase \u2155 de todo alimento que \u00e9 produzido no mundo \u00e9 desperdi\u00e7ado. Redirecionar esses res\u00edduos para programas de compostagem poderia reduzir esse custo.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Dez itens a serem seguidos<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Os pesquisadores nem imaginavam a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que teriam em m\u00e3os, nem a repercuss\u00e3o como a que tiveram, \u201cficamos muito satisfeitos&#8221;, diz Elis. A presen\u00e7a de autoridades, prefeito inclusive, alto escal\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es, como do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, Fam\u00edlia e Combate \u00e0 Fome (MDS), apoiando e reconhecendo o trabalho \u00e9 um alento.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Na conclus\u00e3o, apresentaram dez sugest\u00f5es para os gestores p\u00fablicos dos munic\u00edpios da Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, do Litoral e da capital poderem avaliar as poss\u00edveis a\u00e7\u00f5es que cabem no sistema alimentar local considerando as desigualdades territoriais. O relat\u00f3rio indica que essas cidades t\u00eam potencial significativo para avan\u00e7ar na transi\u00e7\u00e3o para sistemas alimentares mais sustent\u00e1veis e saud\u00e1veis. Entre as propostas est\u00e3o: criar incentivos \u00e0 pr\u00e1tica agr\u00edcola nos zoneamentos urbanos; incentivar a agricultura urbana; incentivar estabelecimentos comerciais dedicados \u00e0 venda de alimentos saud\u00e1veis; criar \u201czonas de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e qualidade de vida\u201d em \u00e1reas estrat\u00e9gicas; melhorar a infraestrutura de transporte e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Plano Diretor<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">O Plano Diretor \u00e9 obrigat\u00f3rio para cidades com mais de 20 mil habitantes e deve ser revisado a cada 10 anos, por meio de audi\u00eancias p\u00fablicas e consulta popular, \u00e9 uma maneira de integrar o sistema alimentar ao planejamento urbano. Trata-se de uma ferramenta que orienta o desenvolvimento da cidade, que define como o espa\u00e7o urbano deve crescer e se organizar, considerando a habita\u00e7\u00e3o, o transporte, o meio ambiente, a infraestrutura e o uso do solo, garantindo que o crescimento aconte\u00e7a de forma ordenada para melhorar a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o. A revis\u00e3o do Plano Diretor de Curitiba, que come\u00e7ou em abril, vai at\u00e9 2026 e inclui a participa\u00e7\u00e3o da equipe do Ippuc. Depois, a minuta do projeto de lei \u00e9 submetida \u00e0 C\u00e2mara de Vereadores para an\u00e1lise e aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Desafios<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Terminado o trabalho, a equipe definiu desafios para os pr\u00f3ximos 10 anos, sempre pensando em um horizonte a longo prazo. \u201cCuidar do sistema alimentar e garantir uma alimenta\u00e7\u00e3o adequada da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o priorit\u00e1ria para os pr\u00f3ximos anos, especialmente considerando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, afirma Elis. No cap\u00edtulo final do estudo, s\u00e3o apresentadas recomenda\u00e7\u00f5es para a pol\u00edtica urbana de Curitiba e da Regi\u00e3o Metropolitana e especificamente contemplando o Plano Diretor. Entre elas, destaca-se o uso de instrumentos urban\u00edsticos para cumprir as fun\u00e7\u00f5es sociais da propriedade, moradia e da produ\u00e7\u00e3o alimentar. \u201cPor que alguns terrenos que est\u00e3o ociosos hoje n\u00e3o podem ser pensados tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis?&#8221;, questiona Sorrentino. Essa quest\u00e3o abre a reflex\u00e3o sobre o potencial de aproveitar \u00e1reas urbanas abandonadas ou subutilizadas.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\">A proposta tamb\u00e9m apresenta um levantamento de \u00e1reas degradadas em regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o permanente (APP), pr\u00f3ximas a rios, com potencial de reflorestamento produtivo dessas \u00e1reas introduzindo esp\u00e9cies frut\u00edferas, \u00e1rvores nativas e sistemas agroflorestais, garantindo a prote\u00e7\u00e3o da mata ciliar, enquanto promove a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. \u201cEssa estrat\u00e9gia n\u00e3o \u00e9 apenas para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas tamb\u00e9m para promover o acesso \u00e0 natureza e ao lazer&#8221;, refor\u00e7am. A equipe acredita que h\u00e1 muitos caminhos poss\u00edveis a partir dessa icinicativa e o futuro para a soberania alimentar da regi\u00e3o \u00e9 promissor, especialmente se essas sugest\u00f5es forem incorporadas ao Plano Diretor. Entre os pr\u00f3ximos passos, est\u00e1 a apresenta\u00e7\u00e3o do trabalho aos munic\u00edpios da Regi\u00e3o Metropolitana e a amplia\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo com pesquisadores de universidades e outras institui\u00e7\u00f5es, com o objetivo de aprofundar a an\u00e1lise de dados, ampliar a rede de colaboradores e produzir artigos cient\u00edficos.<br \/>Um conceito que vem ganhando destaque \u00e9 o da &#8220;conex\u00e3o alimentar&#8221;, uma tentativa de articular os diferentes eixos relacionados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, suporte, distribui\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos, refletindo a multiplicidade de caminhos que podem surgir a partir do estudo. Al\u00e9m disso, os pesquisadores querem divulgar essas informa\u00e7\u00f5es para ajudar na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, apoiando a\u00e7\u00f5es do Ippuc e de outras secretarias municipais e estaduais. Eles tamb\u00e9m pensam em outros projetos para aproximar produtores e consumidores, como acontece em S\u00e3o Paulo, e afirmam que est\u00e3o abertos para trabalhar em outras pesquisas, ou demandas que podem ser sugeridas pela comunidade.<br \/>Durante o processo de revis\u00e3o do Plano Diretor, planejam realizar oficinas comunit\u00e1rias para envolver a popula\u00e7\u00e3o, produtores, feirantes, jornalistas, organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es vinculadas ao sistema alimentar da regi\u00e3o, incluindo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paran\u00e1 (IDR), que j\u00e1 tem mapeado v\u00e1rias cadeias produtivas. \u201cQueremos manter um canal aberto para ouvir quem vive o dia a dia do sistema alimentar na regi\u00e3o e contribuir com subs\u00eddios para a constru\u00e7\u00e3o de um planejamento urbano mais inclusivo e condizente com as necessidades desses grupos\u201d, explica Sorrentino.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">Prato Cheio<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Refletindo sobre tudo isso, percebi que n\u00e3o poderia perder a oportunidade de conhecer e divulgar o trabalho dos pesquisadores da Coordena\u00e7\u00e3o de Monitoramento e Pesquisas, do Ippuc, e de parabeniz\u00e1-los. Ainda bem que aceitei o convite. \u2018Consumo consciente demanda acesso a informa\u00e7\u00f5es\u2019 &#8211; n\u00e3o anotei quem disse, mas sei o valor dessa afirma\u00e7\u00e3o. Agora, precisamos acompanhar os desdobramentos da proposta.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">E se voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui e se sentiu impactada como eu, recomendo tamb\u00e9m ouvir dois epis\u00f3dios do podcast Prato Cheio sobre a gentrifica\u00e7\u00e3o alimentar. Vai entender como o conceito, aplicado ao contexto urbano, ajuda a explicar os movimentos do universo da alimenta\u00e7\u00e3o. A equipe do podcast busca compreender como inova\u00e7\u00e3o, gourmetiza\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o resultam na exclus\u00e3o de grupos mais pobres \u2014 pessoas que, de fato, valorizam alimentos ou culturas tradicionais.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">No programa, vai ficar sabendo que a maior respons\u00e1vel pela gentrifica\u00e7\u00e3o alimentar \u00e9 a ind\u00fastria de ultraprocessados, que tem como estrat\u00e9gia desvalorizar os alimentos frescos e saud\u00e1veis. O conceito (gentrifica\u00e7\u00e3o) surgiu na Inglaterra aplicado ao urbanismo referindo-se ao processo de exclus\u00e3o e consequente expuls\u00e3o de moradores de menor poder aquisitivo a partir de uma valoriza\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica de determinadas \u00e1reas que s\u00e3o abandonadas pelo estado.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Os jornalistas do canal O Joio e O Trigo, que produz o podcast, tratam do conceito vinculado \u00e0 comida, de \u201cquando a comida exclui\u201d. Portanto, mais uma prova de que ampliar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis e transform\u00e1-la em pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o trivial. Finalizo com uma sugest\u00e3o: fa\u00e7a (como eu) a matr\u00edcula no curso \u201cPol\u00edticas P\u00fablicas de Alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil: constru\u00e7\u00e3o, desconstru\u00e7\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o\u201d, uma iniciativa de forma\u00e7\u00e3o do Joio que visa ampliar o nosso conhecimento sobre o assunto.<\/p>\n<h2 class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN postParagraph_type-tag-h2__TtFkT\">QUADRO &#8211; Outras iniciativas<\/h2>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>Gastromotiva<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">A Gastromotiva, uma organiza\u00e7\u00e3o que promove a transforma\u00e7\u00e3o social, inclus\u00e3o produtiva e o desenvolvimento comunit\u00e1rio sustent\u00e1vel por meio da gastronomia social, criada pelo chef curitibano David Hertz, tem iniciativas replicadas em v\u00e1rios estados e at\u00e9 no M\u00e9xico. Ele lan\u00e7ou o conceito de gastronomia social, em 2004. A ONG atua por meio de uma gastronomia inclusiva que combate \u00e0 fome e o desperd\u00edcio de alimentos. O foco est\u00e1 na preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, valoriza\u00e7\u00e3o da cultura regional, da diversidade dos alimentos e promo\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o produtiva. Em 2016, a Gastromotiva chegou a Curitiba, as forma\u00e7\u00f5es aconteceram na Universidade Positivo e foram interrompidas durante a pandemia, com o trabalho sendo canalizado para as cozinhas solid\u00e1rias, foram 20 cozinhas apoiadas pela ONG em Curitiba. De acordo com o relat\u00f3rio State of Food Security and Nutrition in the World (SOFI &#8211; Situa\u00e7\u00e3o da Seguran\u00e7a Alimentar e Nutri\u00e7\u00e3o no Mundo), de 2023, publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO),existem 2.3 bilh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar no mundo, no Brasil s\u00e3o mais de 20 milh\u00f5es de pessoas que passaram por inseguran\u00e7a alimentar grave.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>Quebrada Alimentada<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Outras iniciativas evidenciam o problema de inseguran\u00e7a alimentar. A doutora em Hist\u00f3ria Social Adriana Salay \u00e9 coautora do livro &#8220;Fome e assist\u00eancia alimentar na pandemia&#8221;, lan\u00e7ado em 2022 e estudou a fome antes de o assunto virar uma quest\u00e3o priorit\u00e1ria durante a pandemia. Com a diminui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas criou o projeto social Quebrada Alimentada, em parceria com o marido, o cozinheiro Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocot\u00f3. \u201cQuebrada\u201d \u00e9 a periferia da capital paulista, no caso a Vila Medeiros, onde o casal vive e agora tem uma cozinha-escola comunit\u00e1ria para preparar refei\u00e7\u00f5es e dar forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph-innerHtml__Q5vwc\"><strong>Pesquisa de mestrado<\/strong><\/p>\n<p class=\"postParagraph_post-paragraph__juWZN\">Estudos como o do Ippuc e outros evidenciam a fragilidade econ\u00f4mica e social de pessoas de baixa renda, que n\u00e3o conseguem acessar uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas. Uma pesquisa de mestrado do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Planejamento Urbano da Universidade Federal do Paran\u00e1, da arquiteta Marina Sutile de Lima, revelou com detalhes o problema, que inclui inseguran\u00e7a de se caminhar em determinadas regi\u00f5es, a rela\u00e7\u00e3o da escolha dos alimentos pela disponibilidade nas proximidades dos domic\u00edlios, at\u00e9 a falta de tempo para preparo do alimento e a rela\u00e7\u00e3o com a piora dos \u00edndices de sa\u00fade porque a alimenta\u00e7\u00e3o de uma parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o atende as demandas nutricionais. A mat\u00e9ria sobre a pesquisa da arquiteta foi publicada no Jornal Plural. O m\u00f3dulo Seguran\u00e7a Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) Cont\u00ednua divulgado h\u00e1 um ano aponta que dos 4,33 milh\u00f5es de domic\u00edlios particulares permanentes no Paran\u00e1, 17,9% (774 mil) n\u00e3o tinham acesso permanente \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<div class=\"postGallery_post-gallery-container__MWzhX\"><button class=\"postGallery_post-gallery-prev-button__ggPPM\"><svg width=\"40\" height=\"40\" viewbox=\"0 0 40 40\"><rect width=\"40\" height=\"40\" fill=\"none\"\/><g transform=\"translate(11.479 7.858)\"><path d=\"M19.63,28.93l2.72-2.94-10.3-9.56,10.3-9.56L19.63,3.93,6.17,16.43Z\" transform=\"translate(-6.17 -3.93)\" fill=\"#2a2a2a\"\/><\/g><\/svg><\/button><\/p>\n<div class=\"postGallery_post-gallery-slides__jq3ki\" style=\"transform:translateX(-0%)\">\n<div class=\"postGallery_post-gallery-slide-item__6V1PI\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><\/picture><\/div>\n<div class=\"postGallery_post-gallery-slide-item__6V1PI\"><picture class=\"imageDefault_image-container__XGd8_\"><img loading=\"lazy\" alt=\"\" loading=\"lazy\" width=\"752\" height=\"424\" decoding=\"async\" data-nimg=\"1\" class=\"imageDefault_image-item__lU2Dk\" style=\"color:transparent\" src=\"https:\/\/media.gazetadopovo.com.br\/2025\/05\/13093235\/estudo-caminhos-da-comida-03-660x372.jpg.webp\"\/><\/picture><\/div>\n<\/div>\n<p><button class=\"postGallery_post-gallery-next-button__NugeF\"><svg width=\"40\" height=\"40\" viewbox=\"0 0 40 40\"><rect width=\"40\" height=\"40\" fill=\"none\"\/><g transform=\"translate(12.34 7.859)\"><path id=\"Caminho_6843\" d=\"M8.89,28.93,6.17,25.99l10.3-9.56L6.17,6.87,8.89,3.93l13.46,12.5Z\" transform=\"translate(-6.17 -3.93)\" fill=\"#2a2a2a\"\/><\/g><\/svg><\/button><\/div>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vozes\/vosso-blog-de-comida\/os-caminhos-da-comida\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu n\u00e3o perderia, por nada, a oportunidade de conhecer o estudo que resultou no relat\u00f3rio \u201cOs caminhos da comida: o papel do planejamento urbano na transforma\u00e7\u00e3o do sistema alimentar\u201d. O cen\u00e1rio de inseguran\u00e7a alimentar e o acesso a alimentos saud\u00e1veis \u00e9 real. 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