{"id":19339,"date":"2025-05-10T07:29:37","date_gmt":"2025-05-10T10:29:37","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/o-que-ex-militar-israelense-pensa-sobre-a-contraofensiva-em-gaza\/"},"modified":"2025-05-10T07:29:37","modified_gmt":"2025-05-10T10:29:37","slug":"o-que-ex-militar-israelense-pensa-sobre-a-contraofensiva-em-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/o-que-ex-militar-israelense-pensa-sobre-a-contraofensiva-em-gaza\/","title":{"rendered":"O que ex-militar israelense pensa sobre a contraofensiva em Gaza"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div id=\"hd80s9wa1h892edh8192\">\n<p>Na sala da casa do israelense Ronen Regev, h\u00e1 uma ampla prateleira encostada na parede. Em uma das estantes, se destaca o retrato de um soldado, rosto firme, tra\u00e7os fortes e olhar para o infinito. Ao lado da foto, duas longas balas de fuzil est\u00e3o perfiladas, em p\u00e9. Uma \u00e0 esquerda, outra \u00e0 direita. <\/p>\n<p><strong>+ Leia mais not\u00edcias de Mundo em Oeste<\/strong><\/p>\n<p>A montagem decorativa homenageia o irm\u00e3o de Ronen, Haim Ben-Yona e Wilmush, heroi de guerra, morto aos 22 anos, na \u00e1rea do Canal de Suez durante opera\u00e7\u00e3o especial, em 1969. Haim era considerado uma refer\u00eancia em sua unidade.<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-captioned=\"\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DJPKJkStGPr\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);\"\/>\n<p>O retrato e as balas se eternizaram naquela prateleira. H\u00e1 anos permanecem l\u00e1. S\u00e3o levados nas mudan\u00e7as de casa e recolocados em seu local de moradia. Mais do que o luto, simbolizam a luta, a solidariedade, a busca de um sentido.<\/p>\n<p>Demonstram que Haim, de alguma maneira, deixou um exemplo que permanecer\u00e1 para sempre com a fam\u00edlia. Em forma de dor, mas tamb\u00e9m de orgulho e de amor.<br \/>A isso tudo, d\u00e1-se o nome de saudade.<\/p>\n<p>Ronen convive h\u00e1 d\u00e9cadas com esta \u201ccicatriz\u201d, j\u00e1 transformada numa companheira doce e triste. At\u00e9 hoje ele realiza cerim\u00f4nias de Yizkor (prece especial para os mortos) para o irm\u00e3o. Ele est\u00e1 angustiado com a atual guerra. Sentiu na pele a dor que pode resultar do sacrif\u00edcio por um objetivo, pela identidade de uma na\u00e7\u00e3o. O 7 de outubro o abalou. Tem feito desabafos constantes pela liberta\u00e7\u00e3o dos ref\u00e9ns.<\/p>\n<p>Homem \u00edntegro e generoso pai de fam\u00edlia, Ronen ama a paz. Faz trilhas, com a mulher, com a m\u00e3e, com os filhos e os netos, \u00e0s margens do Rio Yahiam. Encanta-se com a beleza do p\u00f4r do sol na praia. Fotografa detalhes das flores em passeios. Emociona-se ao reencontrar paisagens da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mesmo assim, ele tem-se mostrado cansado. Ele, que tamb\u00e9m foi um militar fiel, bravo e abnegado, sentiu que, nestes mais de cinquenta anos desde sua perda, a situa\u00e7\u00e3o de Israel continua tensa. Apesar dos bosques e das trilhas. <\/p>\n<p>O que parecia uma calmaria at\u00e9 estranha se mostrou uma ilus\u00e3o no momento em que o Hamas realizou as brutalidades de 7 de outubro.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, todos conhecem a hist\u00f3ria e o labirinto do qual Israel agora busca sair. Depois de 579 dias e cerca de 1,2 mil pessoas mortas no ataque do grupo terrorista, os combates prosseguem. Mais de 600 militares israelenses morreram, assim como milhares do lado palestino, grande parte do Hamas.<\/p>\n<p>Envolvido em acusa\u00e7\u00f5es e pressionado, o primeiro-ministro <strong>Benjamin Netanyahu<\/strong> \u2013 outro que perdeu um irm\u00e3o em combate nos anos 1970 \u2013 determinou a amplia\u00e7\u00e3o da incurs\u00e3o. Isso diante do impasse para a continuidade do cessar-fogo do in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p>Ronen, ent\u00e3o, n\u00e3o conteve seu desabafo. E conclamou, demonstrando o rep\u00fadio ao atual governo, que os soldados n\u00e3o mais obedecessem \u00e0s ordens do governo para intensificar os combates em Gaza.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca imaginei que chegaria ao ponto de escrever um <em>post<\/em> como este, mas infelizmente a realidade desses dias loucos exige isso\u201d, declarou Ronen, nas redes sociais.<br \/>\u201cVenho, por meio deste, fazer um apelo a todos aqueles que receberam a 8\u00aa Ordem, que \u00e9 a favor da \u2018expans\u00e3o da luta em Gaza\u2019 \u2013 para que se recusem a cumprir.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Ronen, foi o pr\u00f3prio governo o respons\u00e1vel pelo desastre de 7 de outubro. E agora a gest\u00e3o Netanyahu, para ele, conduz Israel a outro grande desastre.<\/p>\n<p>Este tipo de posi\u00e7\u00e3o, seguida neste momento por uma parcela da popula\u00e7\u00e3o, \u00e9 in\u00e9dito na hist\u00f3ria de Israel. Indica que o pa\u00eds passa por seu momento mais delicado. Mas pensar desta maneira, nada mais \u00e9 do que dar, ainda que involuntariamente, as armas para os inimigos.<\/p>\n<p>Por mais que o governo de Netanyahu seja criticado \u2013 e mesmo que as cr\u00edticas fa\u00e7am sentido para muitos \u2013 a melhor maneira de ir contra ele \u00e9 o retirando por meios democr\u00e1ticos. Isso, at\u00e9 agora, a oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>Mesmo com as passeatas e com os protestos. Benny Gantz, ex-chefe das For\u00e7as Armadas e l\u00edder do Partido da Uni\u00e3o Nacional, de oposi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 anos tenta se eleger, sem sucesso.<br \/>Netanyahu, em alian\u00e7a com partidos ortodoxos, n\u00e3o perde a maioria no Parlamento. <\/p>\n<p>Os opositores n\u00e3o t\u00eam conseguido passar a necess\u00e1ria seguran\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00e3o surge esta figura opositora que aglutine, qualquer iniciativa de boicote ao governo e, mais do que isso, \u00e0s For\u00e7as Armadas, \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 sobreviv\u00eancia de Israel.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">V\u00e1rias frentes militares em Israel<\/h2>\n<p>A guerra em Gaza \u00e9 apenas uma das frentes. H\u00e1 outras maiores, como a do Ir\u00e3, grande apoiador dos grupos terroristas que atacam Israel. Como ficariam as <strong>For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI)<\/strong> diante de um ataque do Ir\u00e3, caso se recusassem a entrar em Gaza?<\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o de uma parte significaria a vulnerabilidade das FDI por inteiro. Um soldado que n\u00e3o aderiu ao boicote teria dificuldades de lutar ao lado de outro que aderiu. E por que este decidiu aderir? Qual crit\u00e9rio adotou para escolher de qual luta ele participa? Se ele se nega a entrar em uma, n\u00e3o estar\u00e1 com o moral enfraquecido para entrar em outra maior?<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo Moshe Dayan, grande general israelense, teve, na condi\u00e7\u00e3o de Ministro da Defesa, de aceitar a decis\u00e3o de David Elazar, chefe do Comando Norte, de penetrar no Gol\u00e3 para conquistar territ\u00f3rios e iniciar um impasse com a S\u00edria at\u00e9 hoje sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dayan, um le\u00e3o pol\u00edtico e sempre com opositores, sabia que uma fissura militar em Israel tendia a ser fatal. Um operador do sistema de defesa n\u00e3o confiar\u00e1 no colega que defendeu a deser\u00e7\u00e3o de soldados. E o Iron Dome, com isso, poder\u00e1 ficar lento para se defender de m\u00edsseis dos houthis, do Hezbollah, do Ir\u00e3, dentro das seis frentes contra as quais Israel luta.<\/p>\n<p><strong>Leia mais: \u201cNetanyahu luta por seu futuro pol\u00edtico\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o dos ref\u00e9ns, pelo que os fatos t\u00eam demonstrado, tem mais rela\u00e7\u00e3o com um cessar-fogo do que com os combates.<\/p>\n<p>Israel depende da uni\u00e3o das FDI, independentemente de quest\u00f5es pol\u00edticas. O pr\u00f3prio Ben-Gurion, por um motivo inverso, o de evitar a guerra, teve de se voltar contra insurgentes que trouxeram armas no navio Altalena, em 1948. Aquela experi\u00eancia mostrou o quanto \u00e9 perigosa uma divis\u00e3o militar em um momento delicado.<\/p>\n<p>As frentes de Israel hoje s\u00e3o muitas. As internas n\u00e3o podem ser mais uma delas. As balas nas prateleiras dos lares simbolizam a dolorosa marca das guerras. Mas, para que elas acabem, Israel precisa continuar a existir.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/mundo\/o-que-um-ex-militar-israelense-pensa-sobre-a-contraofensiva-em-gaza\/\">Revista Oeste<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sala da casa do israelense Ronen Regev, h\u00e1 uma ampla prateleira encostada na parede. Em uma das estantes, se destaca o retrato de um soldado, rosto firme, tra\u00e7os fortes e olhar para o infinito. Ao lado da foto, duas longas balas de fuzil est\u00e3o perfiladas, em p\u00e9. 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