{"id":17540,"date":"2025-05-03T01:55:29","date_gmt":"2025-05-03T04:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/glenn-hughes-desafia-a-logica-e-sua-propria-idade-com-show-no-bangers-open-air\/"},"modified":"2025-05-03T01:55:29","modified_gmt":"2025-05-03T04:55:29","slug":"glenn-hughes-desafia-a-logica-e-sua-propria-idade-com-show-no-bangers-open-air","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/glenn-hughes-desafia-a-logica-e-sua-propria-idade-com-show-no-bangers-open-air\/","title":{"rendered":"Glenn Hughes desafia a l\u00f3gica e sua pr\u00f3pria idade com show no Bangers Open Air"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Glenn Hughes<\/strong> \u00e9 daqueles artistas dignos do apelo \u201ctraz o CPF\u201d. Desde sua primeira viagem ao Brasil, em 1998, o lend\u00e1rio m\u00fasico ingl\u00eas sempre incluiu o pa\u00eds em sua rota. N\u00e3o \u00e0 toa chega \u00e0 sua d\u00e9cima primeira visita, como uma das principais atra\u00e7\u00f5es do festival paulistano <strong>Bangers Open Air<\/strong> na sexta-feira, 2, com data para voltar: em novembro, realiza uma sequ\u00eancia de apresenta\u00e7\u00f5es em Porto Alegre (11\/11), Belo Horizonte (13\/11), Rio de Janeiro (14\/11), novamente em S\u00e3o Paulo (16\/11) e Curitiba (18\/11).<\/p>\n<p>E h\u00e1 motivo para o p\u00fablico seguir comparecendo, o que justifica a s\u00e9rie de retornos: Hughes d\u00e1 um verdadeiro show diante do microfone. Mesmo no alto de seus 73 anos, ainda canta muito. Conserva um alcance surpreendente e n\u00e3o perde o f\u00f4lego ou a concentra\u00e7\u00e3o mesmo caprichando no groove de seu baixo. Desafia sua pr\u00f3pria idade e a l\u00f3gica do envelhecimento humano.<\/p>\n<p>A for\u00e7a do repert\u00f3rio de um cara que j\u00e1 integrou <strong>Deep Purple<\/strong>, <strong>Trapeze<\/strong> e <strong>Black Sabbath<\/strong> e ainda faz parte do <strong>Black Country Communion<\/strong> \u00e9 indiscut\u00edvel e colabora bastante para o espet\u00e1culo. Ainda assim, nada adiantaria se sua performance n\u00e3o tivesse qualidade satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O show de sexta-feira, 2, fechando o primeiro dos tr\u00eas dias de Bangers Open Air no Memorial da Am\u00e9rica Latina, meio que marca o in\u00edcio de uma nova fase. Glenn est\u00e1 de cabelos mais curtos e visual menos extravagante que o adotado nos \u00faltimos anos, quando revisitou um per\u00edodo muito espec\u00edfico de sua carreira: os tempos de Deep Purple, quando, entre 1973 e 1976, fez hist\u00f3ria com os \u00e1lbuns <em><strong>Burn<\/strong><\/em>, <em><strong>Stormbringer<\/strong><\/em> e <em><strong>Come Taste the Band<\/strong><\/em>. Este per\u00edodo tem sido homenageado pelo ingl\u00eas h\u00e1 quase uma d\u00e9cada, mas agora ele quer celebrar mais fases e, especialmente, lan\u00e7ar um \u00e1lbum solo, supostamente j\u00e1 gravado e aguardado para algum momento deste ano.<\/p>\n<p>Surpreende, portanto, que sua turn\u00ea em novembro tenha sido divulgada como uma despedida. O pr\u00f3prio sequer comentou sobre o tema \u2014 o an\u00fancio foi feito apenas pela produtora local. Um artista que ainda tem lenha para queimar e at\u00e9 mesmo entra em uma \u201cnova fase\u201d a esta altura do campeonato n\u00e3o parece disposto a se aposentar.<\/p>\n<p>Ao longo de seu set de 80 minutos, Hughes deixa claro que, ao menos, n\u00e3o soa como se estivesse em \u201cfim de carreira\u201d. J\u00e1 se nota logo nos primeiros momentos de <strong>\u201cStormbringer\u201d<\/strong>, m\u00fasica que d\u00e1 nome ao segundo de seus \u00e1lbuns com o Purple: se os agudos ainda demoram um pouco para vir, o artista demonstra f\u00f4lego raro com os fraseados esticados. Ao menos em frente ao palco, seu baixo soava mais alto at\u00e9 mesmo do que a guitarra de <strong>S\u00f8ren Andersen<\/strong>, que, junto a <strong>Ash Sheehan<\/strong> (bateria) e <strong>Bob Fridzema<\/strong> (teclados), comp\u00f5e um poderoso power trio de apoio.<\/p>\n<p>Dos tr\u00eas, Sheehan \u00e9 quem mais foge de reproduzir timbres e linhas das grava\u00e7\u00f5es originais e d\u00e1 mais a sua pr\u00f3pria cara, seja pelo timbre de caixa aberto ou pelo peso extra na execu\u00e7\u00e3o. S\u00f3 vacila quando, provavelmente sob ordem de Hughes, toca <strong>\u201cSail Away\u201d<\/strong>, terceira do set, em ritmo consideravelmente mais lento que o conhecido pelo p\u00fablico. A velocidade convencional, por\u00e9m, volta em <strong>\u201cYou Fool No One\u201d<\/strong>, executada em formato alongado a ponto de ter solos de guitarra e bateria, um blues n\u00e3o t\u00e3o improvisado e um trecho de <strong>\u201cHigh Ball Shooter\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>O p\u00fablico se anima, mesmo, com <strong>\u201cMistreated\u201d<\/strong> e <strong>\u201cBurn\u201d<\/strong>. Na primeira citada, quinta do setlist, Glenn capricha nos agudos sem fazer perder a melancolia da composi\u00e7\u00e3o original, interpretada somente por <strong>David Coverdale<\/strong>. J\u00e1 na segunda, oitava e \u00faltima do repert\u00f3rio, faz o p\u00fablico se dividir entre cantar a plenos pulm\u00f5es e tocar air drums enquanto ouve uma das linhas de bateria mais ic\u00f4nicas da hist\u00f3ria do rock pesado.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 como reclamar de algo, talvez o show n\u00e3o pareceu ter sido preparado para encerrar um festival \u2014 oito m\u00fasicas distribu\u00eddas em 80 minutos e v\u00e1rias extens\u00f5es instrumentais para, sabiamente, poupar a voz da atra\u00e7\u00e3o principal. Mas \u00e9 muito pouco para tirar o brilho de uma apresenta\u00e7\u00e3o tecnicamente formid\u00e1vel e de certo modo at\u00e9 hist\u00f3rica, pois sabe-se l\u00e1 se Glenn Hughes ir\u00e1 revisitar novamente seu repert\u00f3rio de Deep Purple com tamanho afinco como nos \u00faltimos oito anos.<\/p>\n<h2><strong>Outros destaques do 1\u00ba dia de Bangers Open Air<\/strong><\/h2>\n<h3>Organiza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Quando ainda se chamava Summer Breeze Brasil, havia alguns pequenos problemas na experi\u00eancia do p\u00fablico a serem solucionados pelos organizadores. Praticamente todos eles pareceram resolvidos na terceira edi\u00e7\u00e3o do festival hoje nomeado Bangers Open Air. A saber:<\/p>\n<ul>\n<li>A \u00e1rea \u201cFront Row\u201d, uma esp\u00e9cie de mini pista premium, est\u00e1 mais confort\u00e1vel: al\u00e9m de ampliado, o espa\u00e7o ganhou uma sa\u00edda pela esquerda que fez bastante falta nas outras edi\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>H\u00e1 catracas e entrada\/sa\u00edda controlada por QR code, o que d\u00e1 mais dinamismo e seguran\u00e7a ao tr\u00e2nsito do p\u00fablico no Memorial da Am\u00e9rica Latina;<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m mais confort\u00e1vel, a se\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 compra de merchandise agora est\u00e1 dentro do Audit\u00f3rio Sim\u00f3n Bol\u00edvar \u2014 para onde os shows do Waves Stage retornaram, dispensando o palco externo reduzido que n\u00e3o deu t\u00e3o certo na edi\u00e7\u00e3o 2024.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A se lamentar, apenas o som pouco satisfat\u00f3rio de alguns shows. Durante o <strong>Armored Saint<\/strong>, por exemplo, mal se ouvia a voz de <strong>John Bush<\/strong> \u2014 problema que se repetiu no <strong>Pretty Maids<\/strong> ao menos na pista premium \u201cFront Row\u201d, j\u00e1 que na pista comum o microfone de Ronnie Atkins soava bem melhor.<\/p>\n<h3>Doro<\/h3>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que <strong>Doro Pesch<\/strong> tem o apelido de \u201cmetal queen\u201d. A alem\u00e3, que desenvolveu longeva carreira solo ap\u00f3s o fim do <strong>Warlock<\/strong> ainda na d\u00e9cada de 1980, ofereceu em seu show tudo o que se espera de uma boa performance de heavy metal: vocais no ponto certo, presen\u00e7a de palco envolvente, instrumental afiado (sob n\u00edtido comando do talentoso guitarrista brasileiro <strong>Bill Hudson<\/strong>) e repert\u00f3rio sem pontos baixos e tocado praticamente inteiro sob alta velocidade (a \u00fanica balada, <strong>\u201cF\u00fcr Immer\u201d<\/strong>, \u00e9 indispens\u00e1vel).<\/p>\n<figure class=\"image\"><figcaption>Doro Pesch no Bangers Open Air 2025 &#8211; Foto: Diego Padilha \/ MHermes Arts<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 cl\u00e1ssicos espalhados por todo o set, ainda que o final com <strong>\u201cBreaking the Law\u201d<\/strong> (cover de <strong>Judas Priest<\/strong> come\u00e7ando lentinho para depois ganhar peso) e <strong>\u201cAll We Are\u201d<\/strong>. Muito carism\u00e1tica, Doro estendeu bandeira do Brasil, arriscou palavras em portugu\u00eas e continuou a cantar at\u00e9 quando a m\u00fasica pr\u00e9-gravada de encerramento, <strong>\u201cLiving After Midnight\u201d<\/strong> (<strong>Judas Priest<\/strong>), come\u00e7ou a tocar nas caixas de som \u2014 por cima da voz do \u201cmetal god\u201d, ouvimos \u201cmetal queen\u201d.<\/p>\n<h3>Pretty Maids<\/h3>\n<p>O destino poderia ter impedido este que foi o primeiro show do <strong>Pretty Maids<\/strong>, banda dinamarquesa fundada em 1981, no Brasil. O vocalista <strong>Ronnie Atkins<\/strong> foi diagnosticado com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o em est\u00e1gio terminal entre 2019 e 2020. De que forma este homem, hoje com 60 anos, est\u00e1 vivo e cantando? Ningu\u00e9m sabe. Ao site <em>Onde o Rock Acontece<\/em>, ele conta que o tumor segue l\u00e1. <em>\u201cEle n\u00e3o desapareceu completamente, apenas est\u00e1 sob controle [&#8230;], ent\u00e3o aprendi a conviver com isso\u201d<\/em>, diz.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Ronnie Atkins, do Pretty Maids, no Bangers Open Air 2025\" height=\"435\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/05\/pretty-maids-ronnie-atkins-bangers-open-air-2025-foto-rogerio-von-kruger.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>Ronnie Atkins, do Pretty Maids, no Bangers Open Air 2025 &#8211; Foto: Rog\u00e9rio von Kr\u00fcger \/ MHermes Arts<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 incr\u00edvel n\u00e3o apenas que Atkins esteja vivo, como tamb\u00e9m que f\u00e3s tenham tido a oportunidade de conferir a en\u00e9rgica performance oferecida por ele, <strong>Ken Hammer<\/strong> (guitarra), <strong>Chris Laney<\/strong> (teclado\/guitarra), <strong>Allan Tschicaja<\/strong> (bateria) e <strong>Ren\u00e9 Shades<\/strong> (baixo). Com repert\u00f3rio fortemente baseado nos \u00e1lbuns <em><strong>Future World<\/strong><\/em> (1987) e <em><strong>Pandemonium<\/strong><\/em> (2010), o quinteto presenteou o p\u00fablico com seu som mais inclinado ao heavy metal do que ao hard rock, mas com ganchos mel\u00f3dicos fortes o suficiente para estabelecer a proximidade com o segundo subg\u00eanero citado. Can\u00e7\u00f5es como <strong>\u201cKingmaker\u201d<\/strong>, <strong>\u201cLittle Drops of Heaven\u201d<\/strong> e <strong>\u201cLove Games\u201d<\/strong> s\u00e3o uma del\u00edcia de se ouvir. Para al\u00e9m da voz ainda inteira de Ronnie, h\u00e1 de se destacar o timbre certeiro das seis cordas de Hammer e, especialmente, a pot\u00eancia que \u00e9 Tschicaja com baquetas em m\u00e3os e pedais sob os p\u00e9s \u2014 toca muito.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se apresentaram Armored Saint, Dogma e Kissin\u2019 Dynamite. Devido ao hor\u00e1rio anterior \u00e0s 18h, n\u00e3o foi poss\u00edvel acompanhar tais shows, mas v\u00eddeos podem ser conferidos abaixo.<\/p>\n<p><strong>+++ LEIA MAIS: Kerry King fala \u00e0 RS sobre show no Brasil, carreira solo, Slayer e mais<br \/>+++ LEIA MAIS: Um papo com H.E.A.T, banda de hard rock que pode surpreender \u2014 de novo \u2014 no Bangers<br \/>+++ LEIA MAIS: Doro Pesch fala \u00e0 RS sobre show no Brasil, tributo a Lemmy e mem\u00f3rias com o Kiss<br \/>+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram<br \/>+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/glenn-hughes-desafia-a-logica-e-sua-propria-idade-com-show-no-bangers-open-air\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Glenn Hughes \u00e9 daqueles artistas dignos do apelo \u201ctraz o CPF\u201d. 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