{"id":15636,"date":"2025-04-25T16:51:06","date_gmt":"2025-04-25T19:51:06","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/pior-momento-da-minha-vida\/"},"modified":"2025-04-25T16:51:06","modified_gmt":"2025-04-25T19:51:06","slug":"pior-momento-da-minha-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/pior-momento-da-minha-vida\/","title":{"rendered":"&#8216;pior momento da minha vida&#8217;"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Hamdan Ballal<\/strong>, co-diretor palestino do aclamado document\u00e1rio <em><strong>Sem Ch\u00e3o<\/strong><\/em> (<em><strong>No Other Land<\/strong><\/em>), publicou um novo texto ap\u00f3s ser sequestrado e espancado por colonos israelenses em mar\u00e7o, dias ap\u00f3s vencer o <strong>Oscar<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Ballal<\/strong> ofereceu um relato detalhado da experi\u00eancia angustiante, que ele chamou de &#8220;o pior momento da minha vida&#8221;, em um artigo de opini\u00e3o no jornal <em>The New York Times<\/em>. &#8220;Eu podia ouvir minha esposa e filhos gritando e chorando, chamando por mim e dizendo aos homens para irem embora&#8221;, escreveu<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>N\u00f3s pensamos que eu seria morto. Tem\u00edamos o que aconteceria com minha fam\u00edlia se eu morresse.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>O ataque ocorreu em 24 de mar\u00e7o na aldeia de Susiya. <strong>Ballal<\/strong> disse que era uma &#8220;noite t\u00edpica de Ramadan&#8221; antes que um vizinho levantasse o alarme sobre um ataque de colonos. O cineasta disse que primeiro tentou &#8220;documentar o momento&#8221;, mas quando viu a multid\u00e3o crescendo, voltou para casa.<\/p>\n<p>Ao ver um colono e &#8220;dois soldados&#8221; se aproximando dele, pediu para sua esposa e filhos entrarem em casa e n\u00e3o abrirem a porta. <strong>Ballal<\/strong> disse que &#8220;reconheceu os homens&#8221; e, quando eles o confrontaram do lado de fora, come\u00e7aram a &#8220;me espancar e me xingar, zombando de mim como o &#8216;cineasta vencedor do <strong>Oscar<\/strong>&#8216;.&#8221; O diretor afirmou que uma arma foi empurrada contra suas costelas e algu\u00e9m &#8220;me deu um soco na cabe\u00e7a por tr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n<p>No ch\u00e3o, as agress\u00f5es continuaram: &#8220;fui chutado e cuspido.&#8221; Ap\u00f3s ser espancado, ele foi &#8220;algemado, vendado e jogado em uma caminhonete do ex\u00e9rcito. Por horas, fiquei vendado no ch\u00e3o do que depois soube ser uma base militar, temendo que eu fosse mantido por muito tempo e espancado repetidamente. Fui liberado um dia depois.&#8221;<\/p>\n<p>Embora o ataque tenha sido &#8220;brutal&#8221;, <strong>Ballal<\/strong> enfatizou que ele n\u00e3o era o \u00fanico alvo. Ele observou que, apenas alguns dias depois, &#8220;dezenas de colonos, muitos deles mascarados&#8221;, atacaram a aldeia vizinha de Jinba, levando a cinco interna\u00e7\u00f5es hospitalares e 20 pris\u00f5es. Ap\u00f3s isso, o cineasta disse que o ex\u00e9rcito &#8220;invadiu a aldeia e revirou casas, a mesquita e a escola.&#8221;<\/p>\n<p>Os militares israelenses alegaram que o ataque em Susiya foi uma &#8220;confronta\u00e7\u00e3o violenta [que] irrompeu, envolvendo troca m\u00fatua de pedras entre palestinos e israelenses no local. For\u00e7as da Pol\u00edcia Israelense chegaram para dispersar a confronta\u00e7\u00e3o; nesse ponto, v\u00e1rios terroristas come\u00e7aram a atirar pedras nas for\u00e7as de seguran\u00e7a.&#8221; No entanto, muitas testemunhas contestam a alega\u00e7\u00e3o de qualquer confronto.<\/p>\n<p><strong>Ballal<\/strong> contrastou o medo e a dor que sentiu em 24 de mar\u00e7o com a sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;poder e possibilidade&#8221; que ele havia experimentado tr\u00eas semanas antes no palco do <strong>Oscar<\/strong>. &#8220;Meu cora\u00e7\u00e3o estava partido pela decep\u00e7\u00e3o. Pela sensa\u00e7\u00e3o de fracasso,&#8221; disse ele.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Ainda que nosso filme tenha recebido reconhecimento global, senti que falhei \u2013 n\u00f3s falhamos \u2013 em nossa tentativa de melhorar a vida dos palestinos. Para convencer o mundo de que algo precisava mudar. Minha vida ainda est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea dos colonos e da ocupa\u00e7\u00e3o israelense. Minha comunidade ainda sofre com uma viol\u00eancia sem fim. Nosso filme ganhou um <strong>Oscar<\/strong>, mas nossas vidas n\u00e3o est\u00e3o melhores do que antes.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Mesmo assim, ele reconheceu que a vit\u00f3ria na cerim\u00f4nia trouxe significativa aten\u00e7\u00e3o da imprensa ao ataque. &#8220;As mensagens e vozes de apoio ao redor do mundo foram esmagadoras. Eu sei que h\u00e1 milhares e milhares de pessoas que agora conhecem meu nome e minha hist\u00f3ria, que conhecem o nome da minha comunidade e nossa hist\u00f3ria, que est\u00e3o conosco e nos apoiam. N\u00e3o se afastem agora.&#8221;<\/p>\n<p>Fruto de uma colabora\u00e7\u00e3o entre palestinos e israelenses, <em><strong>Sem Ch\u00e3o<\/strong><\/em> foi co-dirigido pelo cineasta ao lado de <strong>Basel Adra<\/strong>, <strong>Yuval Abraham<\/strong> e <strong>Rachel Shore<\/strong>. O filme foi feito entre 2019 e 2023 e documenta o tratamento violento de Israel aos palestinos na Cisjord\u00e2nia, com foco particular em Massager Yatta, onde tanto <strong>Adra<\/strong> quanto <strong>Ballal vivem<\/strong>.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades para encontrar distribui\u00e7\u00e3o nos EUA, o filme recebeu ampla aclama\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica antes de ganhar como <em>Melhor Document\u00e1rio<\/em> no <strong>Oscar 2025<\/strong>. Ap\u00f3s o ataque, a <strong>Academia de Artes e Ci\u00eancias Cinematogr\u00e1ficas<\/strong> divulgou uma declara\u00e7\u00e3o morna que n\u00e3o mencionava o ataque nem citava <strong>Ballal<\/strong> ou <em><strong>Sem Ch\u00e3o<\/strong><\/em> pelo nome, mas condenava &#8220;a supress\u00e3o de artistas por seu trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cr\u00edticas generalizadas e uma carta aberta assinada por v\u00e1rios atores famosos, a <strong>Academia<\/strong> publicou um pedido de desculpas igualmente morno: &#8220;Lamentamos n\u00e3o termos conseguido reconhecer diretamente o Sr. <strong>Ballal<\/strong> e o filme pelo nome.&#8221;<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0<em><strong>Sem Ch\u00e3o<\/strong><\/em><em\/>est\u00e1 dispon\u00edvel para compra ou aluguel no YouTube e tamb\u00e9m nos servi\u00e7os de streaming Prime Video e Apple TV.<\/p>\n<p><em>Artigo publicado em 25 de abril de 2025 na Rolling Stone. Para ler o original em ingl\u00eas, <strong>clique aqui<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: Diretor que venceu Oscar est\u00e1 desaparecido ap\u00f3s a\u00e7\u00e3o de soldados israelenses, diz colega<\/strong><br \/><strong>+++LEIA MAIS: Al\u00e9m do Brasil, Let\u00f4nia e Palestina tamb\u00e9m fizeram hist\u00f3ria no Oscar 2025<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/cinema\/diretor-de-sem-chao-descreve-agressoes-de-israelenses-pior-momento-da-minha-vida\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hamdan Ballal, co-diretor palestino do aclamado document\u00e1rio Sem Ch\u00e3o (No Other Land), publicou um novo texto ap\u00f3s ser sequestrado e espancado por colonos israelenses em mar\u00e7o, dias ap\u00f3s vencer o Oscar. 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