{"id":14979,"date":"2025-04-23T12:57:39","date_gmt":"2025-04-23T15:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/por-que-ver-seu-artista-favorito-custa-tanto\/"},"modified":"2025-04-23T12:57:39","modified_gmt":"2025-04-23T15:57:39","slug":"por-que-ver-seu-artista-favorito-custa-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/por-que-ver-seu-artista-favorito-custa-tanto\/","title":{"rendered":"por que ver seu artista favorito custa tanto?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"\" data-end=\"422\" data-start=\"242\">Shows j\u00e1 foram momentos acess\u00edveis de celebra\u00e7\u00e3o coletiva \u2014 agora, muitas vezes, exigem planejamento, parcelamento e sacrif\u00edcio. O que mudou na forma como vivemos a m\u00fasica ao vivo?<\/p>\n<p class=\"\" data-end=\"740\" data-start=\"424\">Durante muito tempo, ir a um show era uma decis\u00e3o espont\u00e2nea. Bastava descobrir que sua banda favorita viria \u00e0 cidade, reunir os amigos, comprar o ingresso e se jogar na experi\u00eancia. Hoje, essa realidade parece cada vez mais distante. Ver um artista de perto virou um evento que exige preparo financeiro e emocional.<\/p>\n<p class=\"\" data-end=\"1035\" data-start=\"742\">Basta observar o aumento nos pre\u00e7os dos ingressos ao redor do mundo. Segundo dados da <em>BBC<\/em>, s\u00f3 no \u00faltimo ano os valores subiram 23%, acumulando quase 50% de aumento desde o in\u00edcio da pandemia. Essa alta n\u00e3o se restringe a mercados internacionais \u2014 o cen\u00e1rio brasileiro reflete a mesma escalada.<\/p>\n<p class=\"\" data-end=\"1351\" data-start=\"1037\">No <strong>Rock in Rio<\/strong> de 2001, por exemplo, o ingresso custava R$ 35 \u2014 o equivalente a 20% do sal\u00e1rio m\u00ednimo da \u00e9poca. Em 2024, o valor da entrada inteira saltou para R$ 795, comprometendo mais de metade de um sal\u00e1rio m\u00ednimo. \u00c9 um crescimento que n\u00e3o acompanha a infla\u00e7\u00e3o, mas supera em quase 400% o acumulado do per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"\" data-end=\"1351\" data-start=\"1037\">Em 2024, o ingresso para um dia do <strong>Lollapalooza Brasil<\/strong> chegou a R$ 1.320, equivalente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo; e mesmo sem a divulga\u00e7\u00e3o das atra\u00e7\u00f5es, os ingressos &#8220;early bird&#8221; do <strong>Primavera Sound S\u00e3o Paulo<\/strong> (cancelado posteriormente) foram vendidos a R$ 1.200.<\/p>\n<p class=\"\" data-end=\"1526\" data-start=\"1353\">O fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 exclusivo dos megaeventos. A cantora <strong>Dua Lipa<\/strong>, por exemplo, viu seus ingressos em S\u00e3o Paulo aumentarem entre 68% e 283% de 2017 a 2025, dependendo do setor.<\/p>\n<h2 data-end=\"1790\" data-start=\"1759\">Parcelar virou a nova regra<\/h2>\n<p class=\"\" data-end=\"2093\" data-start=\"1792\">Com valores t\u00e3o altos, uma nova cultura de consumo surgiu: o parcelamento virou parte essencial da experi\u00eancia. No <strong>Coachella<\/strong> 2025, cerca de 60% do p\u00fablico dividiu os pagamentos. No Brasil, essa pr\u00e1tica comum se espalhou, especialmente entre jovens que n\u00e3o querem abrir m\u00e3o de vivenciar seus \u00eddolos no palco. Por exemplo, os ingressos para os shows de <strong>Bruno Mars<\/strong> no Brasil, em 2023, chegaram a R$1.250 (pista premium), e mesmo assim, todos os ingressos foram vendidos rapidamente.<\/p>\n<p class=\"\" data-end=\"2659\" data-start=\"2373\">Essa l\u00f3gica tamb\u00e9m se agrava com o uso do pre\u00e7o din\u00e2mico \u2014 pr\u00e1tica comum em plataformas como a <strong>Ticketmaster <\/strong>no exterior. O valor do ingresso varia conforme a demanda (igual pedir carro via aplicativo), o que significa que quem demora para comprar pode acabar pagando muito mais. Isso torna o acesso ainda mais incerto e desigual.<\/p>\n<h2 data-end=\"2659\" data-start=\"2373\">Mas afinal, por que os ingressos est\u00e3o mais caros?<\/h2>\n<p>Os motivos variam, mas entre os principais que se destacam:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Alta demanda p\u00f3s-pandemia<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Depois do hiato causado pela COVID-19, houve uma explos\u00e3o de demanda por shows e festivais. Muita gente estava sedenta por viver experi\u00eancias ao vivo novamente. Isso elevou os pre\u00e7os naturalmente, pela regra b\u00e1sica de oferta e procura. Segundo um relat\u00f3rio da <strong>Live Nation<\/strong>, a venda global de ingressos em 2022 foi a maior da hist\u00f3ria da empresa, com aumento de mais de 30% em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Infla\u00e7\u00e3o e aumento nos custos de produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Tudo ficou mais caro \u2014 equipamentos, passagens a\u00e9reas, hospedagem, transporte, alimenta\u00e7\u00e3o da equipe, seguran\u00e7a, aluguel de espa\u00e7os. Esses custos s\u00e3o repassados ao consumidor final.<\/p>\n<p>Por exemplo, com a alta do d\u00f3lar, trazer grandes turn\u00eas internacionais ao Brasil se torna ainda mais caro. O valor do ingresso precisa cobrir essa diferen\u00e7a cambial.<\/p>\n<p>Hoje, grandes artistas apostam em produ\u00e7\u00f5es cada vez mais grandiosas \u2014 com efeitos visuais, pirotecnia, palcos m\u00f3veis, m\u00faltiplas datas em um mesmo local. Isso encarece o custo de cada show individualmente. Por esse mesmo motivo, muitas produtoras de eventos optam por trazer estruturas mais &#8220;enxutas&#8221; para os shows aqui, tentando viabilizar custos finais.<\/p>\n<p>A prolifera\u00e7\u00e3o de setores \u201cpremium\u201d, \u201cVIP\u201d, \u201ccamarote gold\u201d e afins transforma parte da plateia em produtos exclusivos \u2014 e com pre\u00e7os muito mais altos.<\/p>\n<p>O entretenimento virou prioridade para muita gente, especialmente entre os jovens. Mesmo endividados, muitos preferem gastar com \u201cexperi\u00eancias \u00fanicas\u201d do que com bens materiais. Isso faz o mercado perceber que pode cobrar mais \u2014 e as pessoas ainda v\u00e3o pagar, mesmo que parcelado.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Artistas ganham menos com m\u00fasica gravada<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Com o streaming, a receita vinda da venda de \u00e1lbuns e singles caiu muito. O palco virou a principal fonte de renda para muitos artistas \u2014 especialmente os que n\u00e3o t\u00eam cat\u00e1logo antigo com milh\u00f5es de streams. Isso pressiona a necessidade de lucrar mais com turn\u00eas.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, os artistas ficam com apenas 12% a 20% da receita de um ingresso, segundo levantamento da <em>Rolling Stone EUA<\/em>. O restante vai para produ\u00e7\u00e3o, promotores, taxas e plataformas.<\/p>\n<h2 data-end=\"2703\" data-start=\"2661\">Shows s\u00e3o cultura, n\u00e3o produto de luxo<\/h2>\n<p class=\"\" data-end=\"3038\" data-start=\"2705\">Nos Estados Unidos, o fen\u00f4meno conhecido como &#8220;funflation&#8221; descreve o aumento significativo nos pre\u00e7os de entretenimento ao vivo, incluindo shows, eventos esportivos e parques de divers\u00f5es. Uma pesquisa realizada pelo <em>The Wall Street Journal<\/em> em parceria com a <em>Credit Karma<\/em> revelou que 60% dos entrevistados tiveram que cortar gastos<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/o-ingresso-virou-luxo-por-que-ver-seu-artista-favorito-custa-tanto\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shows j\u00e1 foram momentos acess\u00edveis de celebra\u00e7\u00e3o coletiva \u2014 agora, muitas vezes, exigem planejamento, parcelamento e sacrif\u00edcio. O que mudou na forma como vivemos a m\u00fasica ao vivo? Durante muito tempo, ir a um show era uma decis\u00e3o espont\u00e2nea. 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