{"id":14941,"date":"2025-04-23T10:08:49","date_gmt":"2025-04-23T13:08:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.mussicom.com\/dia-nacional-do-choro-repertorio-de-rodas-nao-abandona-classicos\/"},"modified":"2025-04-23T10:08:49","modified_gmt":"2025-04-23T13:08:49","slug":"dia-nacional-do-choro-repertorio-de-rodas-nao-abandona-classicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/dia-nacional-do-choro-repertorio-de-rodas-nao-abandona-classicos\/","title":{"rendered":"Dia Nacional do Choro: repert\u00f3rio de rodas n\u00e3o abandona cl\u00e1ssicos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<p>\n\t\t\t\t\t\tPesquisador aborda os 150 anos do ritmo nascido no Rio de Janeiro<br \/>\n\t\t\t\t\t\t &#8211; \t\t\t\t\t\tHenrique Cazes\/Arquivo Pessoal\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<div id=\"texto\">\n<p>Esta quarta-feira (23) \u00e9 Dia de S\u00e3o Jorge, feriado no estado do Rio de Janeiro. Mas o santo celebrado por cariocas e fluminenses passou a dividir seu dia com os chor\u00f5es. Desde o ano 2000, o 23 de abril tamb\u00e9m \u00e9 Dia Nacional do Choro, um g\u00eanero musical brasileiro, nascido no Rio.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1639856&amp;o=node\"\/><\/p>\n<p>A data foi\u00a0estabelecida na\u00a0Lei 10.000\/2000, assinada pelo ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Fernando Henrique Cardoso, foi escolhida para\u00a0homenagear o nascimento de outro &#8220;santo&#8221;: o pag\u00e3o \u201cS\u00e3o Pixinguinha\u201d, como dizem nas rodas de choro. O detalhe \u00e9 que, na verdade, Pixinguinha nasceu em 4 de maio de 1897  como pesquisadores da m\u00fasica brasileira posteriormente desvendaram.<\/p>\n<p>Para saber mais sobre os mist\u00e9rios do choro,\u00a0uma m\u00fasica de matriz popular e acad\u00eamica, a\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0entrevistou o cavaquinista Henrique Cazes, professor Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Profissional em M\u00fasica da UFRJ, autor de quase uma dezena de livros sobre o choro e seus personagens.<\/p>\n<p>Leia a\u00a0seguir principais trechos da entrevista<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0O 23 de abril \u00e9 Dia Nacional do Choro em refer\u00eancia \u00e0 data presumida de nascimento do Pixinguinha. O choro tem mais de uma defini\u00e7\u00e3o, seja como g\u00eanero musical ou como uma maneira de tocar uma m\u00fasica. H\u00e1 tamb\u00e9m mais de uma explica\u00e7\u00e3o por que foi batizado com nome choro. Que outros mist\u00e9rios tem essa m\u00fasica que identificamos como genuinamente brasileira e com mais de 150 anos?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0Mist\u00e9rio n\u00e3o falta no choro. A gente pode assinalar um padr\u00e3o de composi\u00e7\u00e3o que foi estabelecido pelos pioneiros, desde Henrique Alves de Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Joaquim Callado, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros. Esses compositores de grande talento estabeleceram um padr\u00e3o de acabamento, de elabora\u00e7\u00e3o nas composi\u00e7\u00f5es, e isso tudo fez com que o choro, j\u00e1 no in\u00edcio, fosse uma m\u00fasica que era dif\u00edcil de se fazer. No entanto, 150 anos depois, n\u00e3o para de aparecer gente fazendo choro e continuando a perseguir esse padr\u00e3o de qualidade composicional.<\/p>\n<p>Eu acho que isso \u00e9 um mist\u00e9rio, porque se essa m\u00fasica fez t\u00e3o pouco o sucesso comercial, por que\u00a0haveria paix\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es a gera\u00e7\u00f5es? \u00c9 algo, realmente, que \u00e9 um mist\u00e9rio. A gente pode ter uma explica\u00e7\u00e3o bem t\u00e9cnica e racional, mas, do ponto de vista da paix\u00e3o, \u00e9 algo que que me admira at\u00e9 os dias de hoje, quando eu chego numa roda de choro e encontro m\u00fasicos muito jovens tocando de uma forma que n\u00e3o envolve s\u00f3 a t\u00e9cnica, conhecimento, mas envolve tamb\u00e9m esse amor por essa m\u00fasica. Isso \u00e9 algo incr\u00edvel.<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Outra coisa que eu tamb\u00e9m acho misteriosa \u00e9 como, ao longo desses 150 anos, o repert\u00f3rio foi crescendo do ponto de vista acumulativo. Quero dizer que\u00a0aquilo que \u00e9\u00a0l\u00e1 de tr\u00e1s n\u00e3o \u00e9 descartado. E, \u00e0 medida que v\u00e3o surgindo novos compositores, v\u00e3o surgindo novos cl\u00e1ssicos, e os antigos n\u00e3o deixam de ser tocados. No choro, \u00e0s vezes, a grande novidade que aparece numa roda \u00e9 uma polca do S\u00e9culo 19 que foi tirada do ba\u00fa de algum lugar, de alguma pesquisa. \u00c9 fascinante isso. N\u00e3o se deixa\u00a0nada pelo caminho, vai se acumulando.<\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0As rodas de choros teriam alguma responsabilidade pela longevidade da m\u00fasica?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0Eu escrevi um livro chamado\u00a0<em>O choro reinventa a roda<\/em>, e seu t\u00edtulo completo seria\u00a0<em>O choro reinventa a roda e a roda reinventa o choro<\/em>.\u00a0\u00c9 realmente muito importante, ao longo desse tempo todo, a experi\u00eancia compartilhada de interpreta\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 uma conviv\u00eancia harmoniosa entre a memoriza\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio e o improviso. Isso \u00e9 uma coisa muito importante para que o choro esteja em constante renova\u00e7\u00e3o, numa din\u00e2mica muito viva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"Bras\u00edlia (DF), 22\/04\/2025 - Henrique Cazes, m\u00fasico e professor. Foto: Henrique Cazes\/Arquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/YOnpw5WKiPF8KUCKVpjmBgewnek=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/04\/22\/whatsapp_image_2025-04-22_at_11.14.07.jpeg?itok=T6bUlVEY\" title=\"Henrique Cazes\/Arquivo Pessoal\"\/><\/p>\n<p>Henrique Cazes, m\u00fasico e professor.\u00a0<strong>Henrique Cazes\/Arquivo Pessoal<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0N\u00e3o havia disco nem r\u00e1dio no in\u00edcio do choro. Foi pelas rodas que a m\u00fasica se perpetuou at\u00e9 haver um meio de comunica\u00e7\u00e3o que a levasse a um p\u00fablico maior?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0Foi pelas rodas de choro e tamb\u00e9m pelas partituras. Uma parte do contingente dos chor\u00f5es, desde o in\u00edcio, era de\u00a0leitores de m\u00fasica que\u00a0faziam as anota\u00e7\u00f5es. Um m\u00fasico copiava do caderno do outro, e\u00a0esses cadernos se multiplicaram e foram importantes na fixa\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio do S\u00e9culo 19. Depois de um certo ponto, em torno do ano de 1900, come\u00e7am a imprimir partituras em quantidade maior.<\/p>\n<p>J\u00e1 na era do r\u00e1dio, os conjuntos tocavam choro [no ar, ao vivo]. Os grandes solistas que lideravam esses conjuntos, chamados regionais, foram figuras importantes. Eram solistas t\u00e3o conhecidos quanto os cantores mais famosos. O conjunto do Jacob do Bandolim, o conjunto do Benedito Lacerda, o conjunto do Altamiro Carrilho. Eles eram atra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m na programa\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio.<\/p>\n<p>A era do r\u00e1dio foi uma coisa muito importante, mas eu acho que as rodas de choro selecionaram o acervo musical. Uma parcela do repert\u00f3rio foi mudando de acordo com o n\u00facleo de chor\u00f5es [que tocavam nas rodas de choro] e reafirmava pertencimento em raz\u00e3o do amor pela m\u00fasica. As rodas tamb\u00e9m s\u00e3o uma maneira dos amadores encontrarem os profissionais.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: No livro\u00a0<em>O choro reinventa a roda<\/em>, voc\u00ea chama de Fase Defensiva\u00a0do Choro um per\u00edodo que vai de 1932 a 1980. Nesses quase 50 anos iniciados com a era do r\u00e1dio, tivemos nomes como Pixinguinha, Garoto, Jacob do Bandolim, Benedito Lacerda, Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Z\u00e9 Menezes, Valdir Azevedo, Z\u00e9 da Velha e outros tantos citados. Com elenco desses, o melhor nome que a gente poderia chamar \u00e9 de fase defensiva?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes<\/strong>: Na verdade, o que aconteceu, coincidentemente com a era do r\u00e1dio, foi um distanciamento dos profissionais do ambiente da roda.\u00a0Ou seja, um distanciamento entre profissionais e amadores. E isso fez com que os amadores fechassem o ambiente do choro. Da\u00ed \u00e9 esse nome de \u201cfase defensiva\u201d, porque a roda de choro ganha um car\u00e1ter meio inici\u00e1tico, uma coisa quase ma\u00e7\u00f4nica. \u00c9 um momento dif\u00edcil, em que, praticamente, a transmiss\u00e3o se d\u00e1 por meio dos discos, dos quais os m\u00fasicos amadores conseguiam tirar o repert\u00f3rio. As rodas eram muito fechadas. Dois music\u00f3logos norte-americanos, Tamara Livington-Isenhour e Thomas Garcia, nomearam essa fase como \u201cdefensiva\u201d, e eu aproveitei ao constatar na descri\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios chor\u00f5es o temor que havia de que as rodas se abrissem e se desvirtuasse. Uma vis\u00e3o muito conservadora.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>: Nesses tempos fechados, as rodas de choro se esconderam nos quintais do sub\u00farbio do Rio de Janeiro? O que a cidade tem a ver com esse momento do choro?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, Jacob do Bandolim disse que as rodas de choro estavam rareando porque n\u00e3o se admitia\u00a0uma roda sem um quintal, sem uma varanda. E\u00a0havia uma transforma\u00e7\u00e3o urbana, com o desaparecimento do modo de viver da casa, com espa\u00e7o, dando lugar a pr\u00e9dios de apartamento, ainda nos anos 1950 e 60. Em um apartamento \u00e9 muito complicado fazer alguma coisa desse tipo.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Os baianos, como os cariocas, reivindicam a paternidade do samba. Mas sobre o choro n\u00e3o h\u00e1 querela, \u00e9 uma m\u00fasica genuinamente carioca. Por que o choro nasceu no Rio?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0A experi\u00eancia que levou ao aparecimento do choro s\u00f3 poderia ter acontecido em uma cidade que, no S\u00e9culo 19, em 1808, recebe a corte portuguesa. Uma cidade que tinha popula\u00e7\u00e3o negra muito grande, n\u00e3o s\u00f3 pessoas escravizadas, e onde houve encontro com a cultura de origem europeia. O mundo acad\u00eamico n\u00e3o era longe desse mundo da m\u00fasica popular. Tudo isso fez com que o choro tivesse caracter\u00edsticas t\u00e3o peculiares. A certid\u00e3o de nascimento carioca \u00e9 inquestion\u00e1vel porque,\u00a0naquele momento, a \u00fanica cidade que tinha essa mistura espec\u00edfica [era o Rio], inclusive com a quantidade de m\u00fasicos e professores de m\u00fasica trazidos pela corte.<\/p>\n<p>O professor belga M\u00e9tier Andr\u00e9 Hacker foi professor do Joaquim Callado. Eles se tornam grandes amigos e acabaram compondo dentro das formas do choro: do lundu e da polca abrasileirada. Havia uma intera\u00e7\u00e3o de fato com os olhos na Europa e os p\u00e9s no ch\u00e3o dos terreiros.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Nesse ch\u00e3o dos terreiros, tamb\u00e9m vai ter samba&#8230; Voc\u00ea percebe din\u00e2micas diferentes entre as rodas de choro e as rodas de samba?<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes<\/strong>: A principal diferen\u00e7a \u00e9 o elemento corpo. A roda de choro \u00e9 um ritual constru\u00eddo por sons e olhares. Na roda de samba, o corpo \u00e9 o dono do samba, e o samba \u00e9 o dono do corpo.\u00a0Ali\u00e1s o [soci\u00f3logo e jornalista] Muniz Sodr\u00e9 j\u00e1 escreveu um livro com esse t\u00edtulo. Essa parte que envolve sensualidade, t\u00e3o marcante da roda de samba, \u00e9 ausente na roda de choro.<\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 algo muito sutil e \u00e9 justamente o mist\u00e9rio da roda de choro, com caracter\u00edsticas que parecem t\u00e3o pouco atrativas principalmente \u00e0s pessoas mais jovens, conseguir existir h\u00e1 150 anos. E est\u00e1 a\u00ed firme e forte, toda hora aparece uma roda de choro nova. Isso \u00e9 fascinante, n\u00e9?<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:\u00a0<\/strong>Choro e samba n\u00e3o t\u00eam em comum os conjuntos chamados de \u201cregionais\u201d?<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0N\u00e3o, [o regional] \u00e9 do samba. A profissionaliza\u00e7\u00e3o do r\u00e1dio se deu ao mesmo tempo em que houve a consagra\u00e7\u00e3o do chamado samba batucado. Quer dizer, o samba maxixado d\u00e1 lugar ao samba batucado. O [maestro e compositor] Benedito Lacerda \u00e9 o primeiro a aperfei\u00e7oar um conjunto que era ideal para o acompanhamento do samba batucado. Tanto \u00e9 que na discografia da Carmen Miranda dos anos 1930, os sambas s\u00e3o acompanhados pelo regional do Benedito Lacerda, e as marchas, acompanhadas pela banda do Pixinguinha. A Carmen sabia escolher o melhor acompanhamento para ela. Isso faz com que esse conjunto  com dois viol\u00f5es ou tr\u00eas, pandeiro, cavaquinho, um instrumento solista; o chamado regional  acabe sendo muito \u00fatil nas esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio, porque ele podia acompanhar justamente aquela onda do samba que estava se consagrando como m\u00fasica nacional.<\/p>\n<p>Mas o choro come\u00e7a a ser tocado de outra maneira. O choro era muito mais perto da polca e do maxixe at\u00e9 o surgimento do conjunto regional do Benedito Lacerda, que \u00e9 o modelo que todos copiam. O conjunto regional \u00e9 o acompanhamento ideal do samba batucado que se consagra e muda a maneira de tocar o choro. At\u00e9 a era do r\u00e1dio, o choro era tocado por orquestra, tocado por pequenos conjuntos. Tinha piano com flauta, piano com trompete. Havia variedade de instrumenta\u00e7\u00e3o. A partir da era do r\u00e1dio, h\u00e1 um afunilamento para o conjunto regional e acaba passando a ideia para as gera\u00e7\u00f5es seguintes, que choro era tocado s\u00f3 daquela maneira, s\u00f3 com aquela forma\u00e7\u00e3o, quando na verdade era uma coisa muito mais diversificada.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong>\u00a0Morreu recentemente Cristina Buarque, com quem voc\u00ea gravou disco e teve projeto de espet\u00e1culos.<\/p>\n<p><strong>Henrique Cazes:<\/strong>\u00a0No in\u00edcio dos anos 1990, eu e Cristina t\u00ednhamos um ponto de encontro que era um bar chamado Bip Bip, em Copacabana, muito perto da casa da m\u00e3e dela. [L\u00e1] foi surgindo a ideia de fazer um trabalho sobre Noel Rosa. E homenageando, ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o em que todos nos encontr\u00e1vamos naquele momento, a gente escolheu o t\u00edtulo de\u00a0<em>Sem tost\u00e3o&#8230; a crise n\u00e3o \u00e9 boato<\/em>\u00a0para um show que estreou em mar\u00e7o de 1992. Depois de 7 anos com esse show, a gente fez\u00a0<em>A crise continua<\/em>\u00a0e gravamos dois discos.<\/p>\n<p>Nesse espet\u00e1culo, \u00e9ramos\u00a0s\u00f3 eu e ela. Eu tocando, cantando e contando hist\u00f3rias, e ela cantando. A\u00a0gente se divertia muito fazendo show. Ela tinha um humor muito peculiar. \u00c9 uma perda incr\u00edvel. Cristina foi um exemplo de interesse por repert\u00f3rios que estavam esquecidos. H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o toda que veio cantando nos espa\u00e7os da Lapa  como Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta, Alfredo Del-Penho, Teresa Cristina e outros mais  que pegaram o gosto da pesquisa por causa da Cristina. Ela era uma pesquisadora pr\u00e1tica. Perguntava: \u201cvoc\u00ea conhece aquela m\u00fasica?\u201d Eu respondia; \u201cn\u00e3o conhe\u00e7o, n\u00e3o.\u201d E ela: \u201cvou te mandar\u201d. Outro dia, encontrei na minha casa uma sele\u00e7\u00e3o que ela fez de coisas esquecidas do Cartola. Ela queria era que mais pessoas partilhassem daquela paix\u00e3o dela pelo samba de repert\u00f3rio pouco rodado, n\u00e9?<\/p>\n<p>Sua morte \u00e9 uma perda muito grande. Era uma pessoa que, toda vez que a gente sentava para conversar, eram horas de conversa, muita risada, fal\u00e1vamos muita\u00a0bobagem. Tinha um humor muito \u00e1cido, muito cr\u00edtico. Sua perda para mim foi uma pancada firme. \u00c9 duro para o samba, \u00e9 duro para o ambiente das rodas de samba. E o que a gente pode fazer? A gente s\u00f3 pode cantar o repert\u00f3rio dela.<\/p>\n<p><em>*Apresentador do programa Roda de Samba, da R\u00e1dio Nacional.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script async defer crossorigin=\"anonymous\" src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/pt_BR\/sdk.js#xfbml=1&#038;version=v12.0&#038;appId=&#038;autoLogAppEvents=1\" nonce=\"ou0fI1lo\"><\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.bs9.com.br\/variedades\/dia-nacional-do-choro-repertorio-de-rodas-nao-abandona-classicos\/31152\/\">BS9<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador aborda os 150 anos do ritmo nascido no Rio de Janeiro &#8211; Henrique Cazes\/Arquivo Pessoal Esta quarta-feira (23) \u00e9 Dia de S\u00e3o Jorge, feriado no estado do Rio de Janeiro. Mas o santo celebrado por cariocas e fluminenses passou a dividir seu dia com os chor\u00f5es. 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