{"id":11644,"date":"2025-04-10T08:08:22","date_gmt":"2025-04-10T11:08:22","guid":{"rendered":"https:\/\/mussicom.com\/rap-esta-saturado-no-120-bpm\/"},"modified":"2025-04-10T08:08:22","modified_gmt":"2025-04-10T11:08:22","slug":"rap-esta-saturado-no-120-bpm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mussicom.com\/noticias\/rap-esta-saturado-no-120-bpm\/","title":{"rendered":"&#8216;Rap est\u00e1 saturado no 120 bpm&#8217;"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A eleg\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 apenas na voz. Al\u00e9m de se tornar um dos principais expoentes do rap nacional contempor\u00e2neo, <strong>Leonardo dos Santos Barreto<\/strong>, mais conhecido como <strong>MD Chefe<\/strong>, \u00e9 conhecido por transmitir sofistica\u00e7\u00e3o nas m\u00fasicas, videoclipes, redes sociais e em apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Agora, ap\u00f3s lan\u00e7ar o \u00f3timo <em><strong>Estrela do Rap<\/strong><\/em> (2024), que discute representatividade nas periferias e influ\u00eancia com a nova gera\u00e7\u00e3o, o rapper lan\u00e7ou nesta quinta, 10, um novo disco de est\u00fadio, intitulado <em><strong>Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia<\/strong><\/em>, em parceria com o DJ e produtor <strong>Papatinho<\/strong>, com uma tem\u00e1tica mais leve, despojada e, claro, repleto de luxo.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7ou nas batalhas de rima antes de seguir carreira art\u00edstica, <strong>MD<\/strong> (sigla para o apelido, Madruguinha) j\u00e1 tinha ambi\u00e7\u00e3o de se tornar um grande nome, tanto como cantor quanto como empres\u00e1rio. Hoje, ele colhe os frutos. Com uma carreira consolidada no hip hop nacional, com sucessos como &#8220;Tiffany&#8221; e &#8220;Rei da Lacoste&#8221;, o rapper encabe\u00e7a a gravadora \u2014 e produtora \u2014 Offlei Sounds, cuja sede fica no Fallet-Fogueteiro, Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 <em><strong>Rolling Stone Brasil<\/strong><\/em>, <strong>MD Chefe<\/strong> revelou que n\u00e3o planejava soltar um novo trabalho t\u00e3o cedo ap\u00f3s Estrela do Rap. No entanto, ap\u00f3s falar com <strong>Papatinho<\/strong> para ouvir alguns beats e praticar rap \u2014 \u201cporque eu creio que tamb\u00e9m o rap \u00e9 pr\u00e1tica\u201d \u2014 o disco come\u00e7ou a ganhar forma\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a decis\u00e3o de trazer o west coast, g\u00eanero regional de hip hop que abrange artistas da Costa Oeste dos Estados Unidos, veio com uma insatisfa\u00e7\u00e3o do rapper com a cena do rap no Brasil, descrita como saturada pela falta de coragem de grande parte dos artistas.<\/p>\n<p>\u201cEstou muito enjoado do que o pessoal do rap est\u00e1 fazendo. Isso \u00e9 muito ruim para o nosso mercado, e a gente perde tudo: as coisas inflacionam, [diminui] o interesse e \u00e9 menos dinheiro, certo? Isso n\u00e3o \u00e9 legal\u201d, opinou. \u201cO mercado precisa ser rico e rent\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO p\u00fablico est\u00e1 enjoado, quer escutar coisa nova e ningu\u00e9m est\u00e1 com coragem de fazer. Os nossos artistas s\u00e3o pouco corajosos. Eles n\u00e3o t\u00eam ousadia e s\u00e3o poucos que t\u00eam. Tanto que os poucos que t\u00eam fazem muito sucesso\u201d, continuou. \u201cEssa falta de coragem deixou a cena muito saturada e eu quero trazer uma novidade\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>O rap t\u00e1 muito saturado no 120 bpm, os rappers t\u00e3o fazendo a mesma coisa.<\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"image\"><canvas class=\"lt-highlighter__canvas\" height=\"16\" style=\"display: none; top: 0px !important; left: 72px !important;\" width=\"323\"\/><figcaption>Exclusivo para Rolling Stone Brasil: MD Chefe e Papatinho colaboraram em Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia (Foto: Luiz Claudio)<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Heran\u00e7a musical<\/h2>\n<p>Entre os destaques de <em><strong>Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia<\/strong><\/em>, est\u00e1 o sample de \u201c<strong>Nega Ol\u00edvia<\/strong>\u201d, cl\u00e1ssico de <strong>Bebeto<\/strong>, em \u201c<strong>Tiramis\u00fa<\/strong>\u201d. Inclusive, o \u00edcone da MPB se envolveu pessoalmente com a nova vers\u00e3o e at\u00e9 participou do videoclipe oficial.<\/p>\n<p>Uma curiosidade: a arte de <strong>Bebeto<\/strong> \u00e9 muito importante para <strong>MD Chefe<\/strong>. Al\u00e9m de ser admirado pelo rapper, o cantor \u00e9 muito admirado pelos pais de <strong>MD<\/strong>. \u201cEscuto ele em casa h\u00e1 muito tempo. At\u00e9 cheguei e falei com a minha m\u00e3e: \u2018Vou te trazer um pensamento: o cantor que foi a trilha sonora do seu namoro com o meu pai t\u00e1 fazendo um feat com o seu filho, que voc\u00ea n\u00e3o imaginava muitos anos atr\u00e1s que seria artista\u2019\u201d, relembrou.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Voc\u00ea pode botar qualquer rapper a\u00ed para disputar comigo: nenhum deles entende mais de pagode, swing e samba do que eu. Sou um cara muito conhecedor desse g\u00eanero musical pela minha heran\u00e7a cultural. Meus pais escutam muito. Sempre fui apresentado \u00e0 dan\u00e7a e m\u00fasica na minha vida.<\/p><\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>MD<\/strong> usa outro sample no disco. Na sexta faixa, intitulada \u201c<strong>T\u00e1 Duro, Dorme<\/strong>\u201d, ele coloca trechos de \u201c<strong>Eu sou 157<\/strong>\u201d, cl\u00e1ssico dos <strong>Racionais MC\u2019s<\/strong>. No momento da entrevista, ele tinha avisado <strong>Mano Brown<\/strong>, frontman e cantor do lend\u00e1rio grupo de rap, que usaria a can\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o tinha mostrado.<\/p>\n<p>\u201cSou um artista muito respons\u00e1vel. Talvez isso fa\u00e7a a rapaziada mais antiga me respeitar bastante. Ent\u00e3o eu acabo criando uma coletividade forte com eles, como criei com <strong>Bebeto<\/strong> e com <strong>Brown<\/strong>. Criei uma amizade legal e maneira com ele\u201d, disse.<\/p>\n<p><iframe allowfullscreen=\"allowfullscreen\" frameborder=\"0\" height=\"352\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/5UiKnUVfsGnfOpy5VZKSuT?utm_source=generator\" style=\"border-radius: 12px;\" width=\"100%\"><\/iframe><\/p>\n<h2>Abaixo, leia a entrevista completa de MD Chefe com a Rolling Stone Brasil:<\/h2>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Vamos falar de Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia. Como foi o processo criativo do disco? Como ele saiu de uma ideia para este projeto com 8 faixas (contando o remix).<\/strong><br \/>Cara, \u00e9 o seguinte. Eu tinha acabado de soltar um \u00e1lbum, o Estrela do Rap. E eu falei: \u201cP\u00f4, vou me dar um tempo, n\u00e3o vou criar nada agora\u201d. Escutei um beat do Papatinho e criei um disco com ele. Resumindo, o plano virou todo ao contr\u00e1rio. Eu cheguei pro Papato: \u201cAcabei de soltar um disco, pretendo fazer um \u00e1lbum, mas n\u00e3o agora. Vamos fazer algumas m\u00fasicas, praticar o rap\u201d, porque eu creio que tamb\u00e9m o rap \u00e9 pr\u00e1tica, ent\u00e3o tem m\u00fasicas que eu fa\u00e7o para praticar o rap e testar algo novo.<\/p>\n<p>E eu trouxe um conceito pra ele, eu falei: \u201cPapato, quero juntar for\u00e7as com voc\u00ea, porque eu quero trazer o movimento do west coast aqui para o Rio de Janeiro, porque combina, n\u00e9? O movimento de Los Angeles\u2026 o Rio de Janeiro \u00e9 at\u00e9 bem mais quente que LA em v\u00e1rios aspectos. Quero trazer esse estilo para c\u00e1, o west coast, porque o rap t\u00e1 muito saturado no 120 bpm, os rappers t\u00e3o fazendo a mesma coisa\u201d.<\/p>\n<p>Quero trazer um movimento novo para o nosso rap, at\u00e9 porque MD Chefe \u00e9 criador de tend\u00eancias. Quero continuar criando tend\u00eancias. [Papatinho topou] e falei para pensarmos num conceito, explorando o estilo de vida litor\u00e2neo de um rapper. As pessoas esquecem que n\u00f3s somos o maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, s\u00f3 que a gente n\u00e3o imprime o nosso estilo de vida t\u00e3o bem quanto o M\u00e9xico e Col\u00f4mbia. E eu queria imprimir o estilo de vida litor\u00e2neo, o estilo de vida latino do Brasil. E eu acho que nenhum rapper fez isso, nenhum outro artista de qualquer outro g\u00eanero fez isso.<\/p>\n<p>Eu queria fazer isso e somar as minhas for\u00e7as com o Papatinho para poder realizar essa ideia. Quisemos usar bastante samples, recortar samples da Am\u00e9rica Latina, da Am\u00e9rica Central e do nosso pr\u00f3prio pa\u00eds \u2014 como \u00e9 a minha faixa com Bebeto, \u201cTiramis\u00f9\u201d. E a gente foi juntando.<\/p>\n<p>Resumindo, na segunda sess\u00e3o a gente j\u00e1 come\u00e7ou a fazer o disco. Foram tantas ideias boas que a gente j\u00e1 falou: \u201cVamos fazer logo, vamos j\u00e1 soltar!\u201d E come\u00e7ou uma ideia de cinco faixas, depois caiu para tr\u00eas e agora fechamos em oito faixas porque ficou bem encorpado, um universo bem legal. A gente conseguiu, em cada m\u00fasica, mostrar um jeito de ser garbo e elegante. Achamos necess\u00e1rio chegar nessa conclus\u00e3o de oito faixas somada com o remix.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Que doido! E como voc\u00ea descreveria esse estilo de vida litor\u00e2neo do rap brasileiro?<\/strong><br \/>O estilo de vida de um rapper rico e carioca. Eu falo sobre muitas hotelarias que eu frequento. Sou muito detalhista nas coisas que geram glamour nas pessoas. A foto de uma sobremesa de um tiramis\u00f9, estar numa su\u00edte do Fasano, passar pela orla carioca \u00e0 noite e perceber o quanto ela \u00e9 bonita.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre esse estilo de vida litor\u00e2neo, frente ao mar. Voc\u00ea olhar para o mar, para a arquitetura brasileira, e tamb\u00e9m gostar. Voc\u00ea olhar para v\u00e1rios servi\u00e7os que trazem essa glamouriza\u00e7\u00e3o das coisas, do estilo de vida. E o carioca tem um estilo de vida muito legal, s\u00f3 que ele n\u00e3o sabe expor. Eu estou expondo um estilo de vida legal que as pessoas n\u00e3o percebem, entendeu?<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Entendi super. E na primeira pergunta, voc\u00ea falou que n\u00e3o queria fazer um \u00e1lbum t\u00e3o cedo. Estrela do Rap veio logo na sequ\u00eancia de Baby Chefe. Ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 numa sequ\u00eancia de tr\u00eas anos seguidos com \u00e1lbum\u2026<\/strong><br \/>\u00c1lbum \u00e9 Estrela do Rap e ATG Tape. Entre eles, eu fiz v\u00e1rias tapes Por exemplo, a Tchutchuca Minitape \u00e9 algo derivado da ATG. Baby Chef \u00e9 um pr\u00e9-Estrela do Rap, ent\u00e3o eu n\u00e3o conto como discos, nem como \u00e1lbuns. Eu tenho um disco que \u00e9 o ATG Tape, tenho um \u00e1lbum que \u00e9 o Estrela do Rap e agora eu vou soltar um disco colaborativo.<\/p>\n<p>O resto s\u00e3o mixtapes e tapes que, como a gente sempre acompanha muito a cena l\u00e1 de fora, vemos essa cultura da mixtape, eu gostaria de trazer elas para c\u00e1. \u00c0s vezes eu solto um projetinho, mas a nomenclatura: ATG Tape, disco; Estrela do Rap; \u00e1lbum \u00e1lbum, estilo rap (4:48) E agora mais um disco, que \u00e9 o Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas prossegue, perd\u00e3o te interromper.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Magina, obrigado pelo esclarecimento! Enfim, todos esses trabalhos, eu sinto que voc\u00ea est\u00e1 trazendo algo novo para a sua carreira, tamb\u00e9m para o rap brasileiro. Eu queria entender como voc\u00ea busca se reinventar, tamb\u00e9m para sair de uma certa zona de conforto e mesmice, porque voc\u00ea poderia seguir o mesmo estilo de \u201cTiffany\u201d, \u201cRei da Lacoste\u201d, etc. S\u00f3 que a\u00ed voc\u00ea muda bastante.<\/strong><br \/>Ent\u00e3o, Felipe, o que eu creio? Antes de ficar famoso, eu me conheci muito, sabe? Estudei muitos dos meus atributos positivos e observava o que eu precisava melhorar. Isso me deu uma autoconsci\u00eancia muito grande sobre o que fui capaz de fazer, sabe? Eu sei muito o que o MD Chefe \u00e9 capaz de fazer. Se o MD Chefe \u00e9 quiser fazer uma m\u00fasica cantando, ele vai soltar, p\u00f4. Eu s\u00f3 n\u00e3o fa\u00e7o ainda porque acho que tem um momento certo das coisas, n\u00e9?<\/p>\n<p>Percebi muito onde eu posso&#8230; tenho muito talento para mostrar. Sou um homem muito aben\u00e7oado, tenho muito talento para mostrar. Como eu disse, o MD Chefe vai criando as tend\u00eancias: ele gosta de trazer ideias e tend\u00eancias novas, gosta de se arriscar. Eu sempre vou procurar o caminho mais ousado, porque eu creio que as coisas mais dif\u00edceis geram mais resultados. E o caminho mais ousado tamb\u00e9m segue essa linha de racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>Sempre vou procurar algo que as pessoas v\u00e3o querer fazer. Vou criar uma tend\u00eancia para as pessoas tamb\u00e9m replicarem, se identificarem. E mais ou menos eu estruturo os meus projetos assim, como tamb\u00e9m o pr\u00f3prio Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia, que o MD Chefe sempre teve esse lado meio professor de querer apresentar palavras novas para as pessoas. Garbo \u00e9 uma palavra que n\u00e3o \u00e9 muito usada no vocabul\u00e1rio geral. Ent\u00e3o a pessoa vai l\u00e1 na internet e procura o que \u00e9 Garbo, e tem aquele sentimento de \u201ccaraca, agora eu entendi o motivo dele falar sobre isso no \u00e1lbum!\u201d<\/p>\n<p>Tem todo esse movimento de querer mostrar coisas, mas isso tamb\u00e9m foi muito atrav\u00e9s do MD se conhecer ao longo dos anos e entender do que eu sou capaz de fazer. De procurar e me esfor\u00e7ar para fazer coisas novas.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"MD Chefe\" height=\"1160\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/04\/md-chefe-credito_-rafael-buto.jpg\" width=\"773\"\/><figcaption>MD Chefe (Foto: Rafael Buto)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Por falar em Estrela do Rap (inclusive, acho \u201cEspelho Interl\u00fadio\u201d maravilhosa)\u2026 o tom dele \u00e9 muito mais s\u00e9rio e introspectivo em rela\u00e7\u00e3o a Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia, que \u00e9 mais debochado, uma outra vibe.<\/strong><\/p>\n<p>Porque o Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia \u00e9 mais entretenimento. Estrela do Rap \u00e9 as coisas que o MD Chefe pensa. Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia s\u00e3o as coisas que o MD Chefe faz.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Por que neste novo disco voc\u00ea trouxe essa perspectiva mais leve e despojada?<\/strong><br \/>Boas palavras, leve e despojada. Estrela do Rap foi um disco muito s\u00e9rio. Se eu soltasse outra coisa agora muito s\u00e9ria \u2014 n\u00e3o que seria a mesma coisa, pois n\u00e3o seria \u2014 teria vibes parecidas, entendeu? Eu queria dar um tempo das pessoas esperar um pouquinho: vira uma coisa s\u00e9ria agora e depois vamos fazer um pouquinho de entretenimento.<\/p>\n<p>Decidi soltar algo mais de entretenimento agora. Daqui a pouco eu solto algo mais s\u00e9rio novamente para as pessoas poderem automaticamente julgarem algo parecido, por ser s\u00e9rio tamb\u00e9m. Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia tem alguns temas muito s\u00e9rios, mas falo de uma forma mais animada, n\u00e3o t\u00e3o introspectiva. Mas com certeza \u00e9 um \u00e1lbum, predominantemente, mais entretenimento. S\u00e3o coisas que as pessoas v\u00e3o querer se ver, por exemplo, v\u00e3o querer fazer.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Inclusive, ele \u00e9 muito influenciado pelo West Coast. Qual tipo de abordagem voc\u00ea quis trazer?<\/strong><\/p>\n<p>Seja mais espec\u00edfico, abordagem com o qu\u00ea? Com o uso do West Coast?<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Essa abordagem desse novo g\u00eanero que voc\u00ea est\u00e1 trazendo, tamb\u00e9m. Essa adapta\u00e7\u00e3o, por assim dizer. \u00c9 um disco muito brasileiro. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 replicando a f\u00f3rmula da gringa.<\/strong><br \/>Legal que voc\u00ea teve essa percep\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o o disco est\u00e1 bem feito. Felipe, estou muito enjoado do que o pessoal do rap est\u00e1 fazendo. Isso \u00e9 muito ruim para o nosso mercado, que est\u00e1 saturado, e a gente perde tudo: as coisas inflacionam, [diminui] o interesse e \u00e9 menos dinheiro, certo? Isso n\u00e3o \u00e9 legal.<\/p>\n<p>O mercado precisa ser rico e rent\u00e1vel. E a\u00ed estou falando ao n\u00edvel de entretenimento para o p\u00fablico. O p\u00fablico est\u00e1 enjoado, quer escutar coisa nova e ningu\u00e9m est\u00e1 com coragem de fazer. Os nossos artistas s\u00e3o pouco corajosos. Eles n\u00e3o t\u00eam ousadia e s\u00e3o poucos que t\u00eam. Tanto que os poucos que t\u00eam fazem muito sucesso.<\/p>\n<p>Essa falta de coragem deixou a cena muito saturada e eu quero trazer uma novidade. Como eu disse e repito: gosto de criar tend\u00eancias e de ir contra a mar\u00e9. Foi assim quando eu estourei com a ATG Tape, \u201cRei da Lacoste\u201d e \u201cTiffany\u201d, que era uma faixa totalmente diferente do que acontecia no mercado. Quero fazer isso mais uma vez \u2014 de uma forma bem diferente, claro.<\/p>\n<p>E, p\u00f4, o que combina com o ver\u00e3o? O que tem a ver com o Rio de Janeiro? O que tem a ver com o estilo de vida litor\u00e2neo? West coast tem tudo a ver. Fiz ele a minha cara e do Brasil. \u00c9 um west coast do Brasil. Eu e Papato conseguimos fazer ele tomar uma forma que seja a cara do Brasil, mas que seja um ritmo diferente do que as pessoas est\u00e3o acostumadas a ouvir.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Por falar nesses subg\u00eaneros\u2026 Eu vejo muita gente falando que voc\u00ea \u00e9 mais do trap, mas sempre te enxerguei como rapper, mesmo. Agora eu queria saber de voc\u00ea.<\/strong><br \/>Eu sou rapper, n\u00e9? De qualquer forma. Eu acho que essa separa\u00e7\u00e3o, de rapper para trap, \u00e9 ignorante, de falta de conhecimento das pessoas. Trap n\u00e3o deixa de ser rap porque \u00e9 uma maneira pr\u00f3pria que as pessoas de Atlanta tem de fazer rap, que \u00e9 dos Estados Unidos. L\u00e1, existe uma coisa que, se voc\u00ea \u00e9 de uma \u00e1rea e canta como essa \u00e1rea canta, voc\u00ea faz Memphis. Se voc\u00ea canta igual a Atlanta, voc\u00ea faz trap. Voc\u00ea vai ver um jeito pr\u00f3prio das pessoas cantarem em cada lugar.<\/p>\n<p>Esses subg\u00eaneros, na verdade, s\u00e3o o jeito do pessoal daquele estado fazer rap. \u00c9 como se, por exemplo, tivesse o \u201cRio de Janeiro Rap\u201d, o \u201cS\u00e3o Paulo Rap\u201d. \u00c9 isso, entendeu? Mas n\u00e3o deixa de ser rap. Claro estou a\u00ed fazendo trap, sou um artista do trap e vim dessa gera\u00e7\u00e3o. Tenho esse sangue do trap nas minhas veias, mas eu n\u00e3o deixo de ser um rapper.<\/p>\n<p>E eu concordo com voc\u00ea: a minha qualidade de rima como rapper tamb\u00e9m \u00e9 muito boa, ent\u00e3o eu consigo fazer um Boom Bap lindo, e no trap eu vou fazer lindo, tamb\u00e9m.) Acho que as pessoas ignoram e n\u00e3o entenderam ainda o conceito de rap, trap e tal. O jeito certo de se chamar um rapper \u00e9 de rapper, mesmo.<\/p>\n<figure class=\"image align-left\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Bebeto, MD Chefe e Papatinho\" height=\"581\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rollingstone.uol.com.br\/media\/uploads\/2025\/04\/credito_-rafael-buto.jpg\" width=\"387\"\/><figcaption>Bebeto, MD Chefe e Papatinho (Foto: Rafael Buto)<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Concordo! Um grande colaborador desse projeto \u00e9 Papatinho, n\u00e9? Como foi trabalhar com ele?<\/strong><br \/>S\u00f3 trabalhei com Papato uma vez [antes de Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia]. Foi com uma publicidade para as Casas Bahia, onde tinha a Mar\u00edlia Mendon\u00e7a. Inclusive, foi o \u00faltimo trabalho musical dela Mar\u00edlia Mendon\u00e7a. Tamb\u00e9m tinha P\u00e9ricles. Foi o primeiro contato musical com Papato.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, sempre estivemos juntos em muitas ocasi\u00f5es, mas nunca t\u00ednhamos trabalhado juntos. Foi uma \u00f3tima oportunidade porque fizemos logo um disco inteiro juntos. Fez mais sentido pela agenda e carreira que Papato tem, pelo que MD Chefe e Papato representam. O ritmo do Papatinho \u00e9 muito parecido com o meu.<\/p>\n<p>Eu sou louco por trabalho, Felipe. O \u00fanico trabalho que minha equipe tem comigo \u00e9 tentar fazer eu descansar porque eu trabalho o tempo todo. \u00c0s vezes, na sess\u00e3o de est\u00fadio, algumas coisas que me impediam de trabalhar com outras pessoas \u00e9 ter um ritmo muito acelerado. Trabalho muito, \u00e0s vezes as pessoas s\u00e3o mais contidas.<\/p>\n<p>O Papato n\u00e3o dorme se n\u00e3o terminar algo. Se ele t\u00e1 no est\u00fadio, foi para casa e n\u00e3o terminou algo, ele volta para o est\u00fadio. Ele n\u00e3o fica em paz se n\u00e3o terminar de trabalhar. Fluiu de forma muito natural, muito presencial. Fizemos quase todas as sess\u00f5es juntos, s\u00f3 as \u00faltimas que ele come\u00e7ou a viajar, foi para os Estados Unidos fazer outras coisas. Eu tamb\u00e9m tive outras coisas para fazer.<\/p>\n<p>Do in\u00edcio at\u00e9 90% do disco foi presencial, uns 10% foram mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o, que era algo que a gente podia fazer das nossas casas e dos nossos est\u00fadios. A gente sa\u00eda do est\u00fadio \u00e0s 10h. Foi um \u00e1lbum bem cansativo e gostoso de fazer.<\/p>\n<p>Papato tamb\u00e9m \u00e9 um cara imperativo. Eu sou um cara calmo, mas eu sou imperativo no meu modo de ser, Ele tamb\u00e9m \u00e9 todo agitado, trabalhava para caramba. Por exemplo, na faixa \u201cBandeira\u201d ele assobia, a ideia veio do nada depois que um cara assobiou sem querer. Ele olhou pro cara e falou: \u201cMano, assobia dessa forma\u201d. Gravou o cara assobiando e fez um beat. Esse \u00e9 um exemplo do qu\u00e3o criativa \u00e9 a mente dele.<\/p>\n<p>Sou um cara que n\u00e3o escreve as pr\u00f3prias m\u00fasicas no papel. Fa\u00e7o tudo de cabe\u00e7a e fico rimando o tempo todo. Foi um processo muito bom de criar, as faixas sa\u00edram muito naturais e r\u00e1pidas. Foi bem legal.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Inclusive, Garbo &amp; Eleg\u00e2ncia tem sample de uma lenda da MPB que \u00e9 o Bebeto, na m\u00fasica \u201cTiramis\u00f9\u201d. Como rolou essa aproxima\u00e7\u00e3o com ele?<\/strong><br \/>Vou contar uma curiosidade para voc\u00eas, Felipe. Voc\u00ea pode botar qualquer rapper a\u00ed para disputar comigo: nenhum deles entende mais de pagode, swing e samba do que eu. Sou um cara muito conhecedor desse g\u00eanero musical pela minha heran\u00e7a cultural. Meus pais escutam muito. Sempre fui apresentado \u00e0 dan\u00e7a e m\u00fasica na minha vida.<\/p>\n<p>Bebeto foi a trilha sonora do namoro dos meus pais, sabe? Escuto ele em casa h\u00e1 muito tempo. At\u00e9 cheguei e falei com a minha m\u00e3e: \u201cA\u00ed, m\u00e3e, que sensa\u00e7\u00e3o maneira, vou te trazer um pensamento. Olha que legal: o cantor que foi a trilha sonora do seu namoro com o meu pai t\u00e1 fazendo um feat com o seu filho, que voc\u00ea n\u00e3o imaginava muitos anos atr\u00e1s que seria artista\u201d.<\/p>\n<p>Eu me descobri muito cedo, sempre tive apoio dos meus pais desde muito cedo, mas com oito, 10 anos eles n\u00e3o iam achar que eu ia ser artista. Com 12, sim, mas eu trouxe esse pensamento para ela. \u00c9 algo legal e po\u00e9tico, n\u00e9? Tem todo esse contexto de Beto como parte da minha inf\u00e2ncia, vida e heran\u00e7a musical. E agora passo adiante. Minha filha tem dois anos e canta direitinho Bebeto.<\/p>\n<p>Teve toda essa poesia da vida.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: Falando nisso, adorei o sample de \u201cEu sou 157\u201d em \u201cT\u00e1 Duro, Dorme\u201d. Voc\u00ea sente que tem uma responsabilidade muito grande para fazer essa refer\u00eancia aos Racionais?<\/strong><br \/>Sou um artista muito respons\u00e1vel. Talvez isso fa\u00e7a a rapaziada mais antiga me respeitar bastante. Ent\u00e3o eu acabo criando uma coletividade forte com eles, como criei com Bebeto e com [Mano] Brown. Criei uma amizade legal e maneira com ele.<\/p>\n<p>Na verdade, eu j\u00e1 queria ter feito uma refer\u00eancia para os Racionais h\u00e1 algum tempo, mas eu n\u00e3o tinha achado ainda o timing ou m\u00fasica certos para isso. E a\u00ed essa m\u00fasica com o tema tinha tudo a ver e eu falei: \u201cAgora \u00e9 a hora!\u201d Sou um cara ousado e gosto de trazer boas refer\u00eancias.<br \/>Falei: \u201cP\u00f4, essa aqui \u00e9 uma boa hora de trazer uma refer\u00eancia para os Racionais\u201d. E a\u00ed encaixou, deu certo. O tema \u00e9 muito o que os Racionais alegavam muitos anos atr\u00e1s. Eu nem mandei essa m\u00fasica pro Brown ainda, vou mandar para ele ouvir. Mas avisei que usei o sample.<\/p>\n<p><strong>Rolling Stone Brasil: E como \u00e9 comandar a gravadora e produtora Offlei Sounds? E o que te motivou deixar a sede da empresa no Fallet-Fogueteiro, onde voc\u00ea cresceu?<\/strong><br \/>Inclusive, eu estou nela agora. \u00c9 o est\u00fadio dourado da Offlei, dourad\u00e3o. Essa \u00e9 a gravadora que tenho com DomLaike, meu s\u00f3cio e irm\u00e3o. H\u00e1 muitos anos, Offlei sempre existiu como um coletivo, uma gangue, uma tropa. Sempre existiu, mas agora estamos conseguindo materializar um pouco mais o nosso sonho: ser uma gravadora e produtora.<\/p>\n<p>Lembro da gente na Pra\u00e7a do Rio Comprido, onde comecei a batalhar pensando: \u201cPrecisamos ter um nome e fazer uma gravadora\u201d, porque a gente sempre viu as pessoas no rap se movimentando errado. E a gente queria ser os caras que se movimentassem certo e parecer um exemplo do que \u00e9 certo, um exemplo de profissionalismo no rap. Esse foi o intuito da Offlei Sounds.<\/p>\n<p>E a lei tamb\u00e9m nunca funcionou para n\u00f3s, por isso o nome da gravadora \u00e9 Lei Desligada. Esse ato, esse grito pol\u00edtico tamb\u00e9m existe. Ent\u00e3o, Felipe, depois de muitos anos, a gente conseguiu criar, tomar forma e materializar a gravadora. Quase todos os nossos artistas s\u00e3o daqui da nossa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Temos todo um lance familiar muito forte. A gravadora se entende muito, porque n\u00f3s passamos por muitas coisas juntos. Como eu disse, a gente era uma tropa antes de ser uma gravadora. Foi cada situa\u00e7\u00e3o dura que a gente j\u00e1 passou, cumpadi.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos artistas, s\u00e3o nossos irm\u00e3os e tende a crescer mais. Claro que chegou no momento da gente levar a sede para outro lugar mais comercial. Por\u00e9m, essa sede aqui vai permanecer, vai virar uma produtora e permanecer no Fallet-Fogueteiro. N\u00f3s temos a filosofia de que temos que ser o espelho, e voc\u00ea s\u00f3 consegue ver esse reflexo em algu\u00e9m se voc\u00ea ver essa pessoa perto de voc\u00ea.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, uma crian\u00e7a que tem uma condi\u00e7\u00e3o muito prec\u00e1ria de vida vai falar para a m\u00e3e que quer ser o Neymar, mas a m\u00e3e dela, sem ser mal-intencionada, vai desacreditar porque n\u00e3o v\u00ea o Neymar passando na favela. Eu coloco o Neymar como exemplo, porque o estilo de vida dele \u00e9 muito complexo.<\/p>\n<p>Mas eu gosto de me fazer presente por isso, porque se a crian\u00e7a falar que quer ser o MD Chefe, e a m\u00e3e me v\u00ea ali com a produtora, ela vai dar o apoio para o filho. E eu sei o quanto o apoio dos pais \u00e9 importante na nossa vida porque eu tive o apoio dos meus pais.<\/p>\n<p>Quero estar perto e ser essa energia boa e exemplo. A Offlei quer ser esse exemplo e p\u00e9 firme na hist\u00f3ria da vida das pessoas. Esse \u00e9 o motivo de a gente ter uma produtora aqui.<\/p>\n<p><strong>+++LEIA MAIS: MD Chefe ganha estatueta de Melhor Artista Revela\u00e7\u00e3o Internacional no BET Awards<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/>Fonte: <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/md-chefe-traz-west-coast-club-ao-brasil-em-novo-album-rap-esta-saturado-no-120-bpm\/\">rollingstone.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A eleg\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 apenas na voz. Al\u00e9m de se tornar um dos principais expoentes do rap nacional contempor\u00e2neo, Leonardo dos Santos Barreto, mais conhecido como MD Chefe, \u00e9 conhecido por transmitir sofistica\u00e7\u00e3o nas m\u00fasicas, videoclipes, redes sociais e em apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. 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